organizando os ingredientes

Este blog é escrito por Roberta Dutra. Nasci em Belém do Pará e passei maior parte da vida no Ceará, me mudei algumas vezes, viajei pelo mundo outras tantas e atualmente moro em Santa Catarina. Cresci em família grande, com muitos primos, primas, tios, tias e mais uns tantos agregados das mais variadas espécies. Tive uma infância plena e feliz e hoje, embora seguindo feliz, sofro muito de saudade. Registro aqui algumas impressões peculiares sobre a vida e seus desdobramentos, sobre o cotidiano e alguns tantos textos escritos para algumas pessoas em particular que exerceram e ainda exercem grande influência na minha vida, além de fazerem parte das minhas melhores lembranças, é claro! Não tenho grandes pretenções literárias, gramaticais nem sequer ortográficas, mas escrevo com muito amor, que é o que todo mundo precisa. Resumindo, mantenho o blog como meio de comunicação entre amigos e famíla distante e possíveis interessados. Entre e fique a vontade...

be my guest!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

divagando devagar


Sabe quando você começa a escrever uma história, sem pretensão nenhuma? Vai escrevendo aos poucos, devagar... De repente você termina. 
Depois de alguns anos, você lê e re-lê, várias vezes, e percebe que algo está faltando. Você tenta escrever, mas não consegue mais. É quando percebe que sua única opção é dar boas gargalhadas com o que foi escrito.
Eis que surge a dúvida: devo tentar o último capítulo? Não... mesmo porque você sabe que ele nunca existirá, e essa história não terá fim.
Daí lhe rola uma lágrima...
Então você enxuga, pega um pedaço de papel e um lápis, e começa a rabiscar uma nova história...
Afinal de contas nenhum aquário é maior que o mar... keep walking and cheers!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Conexão zero47

Texto escrito pra Fá Manzano e pra toda minha família do Sul

Creio que todos que já conviveram minimamente comigo sabem o quanto acalento, desde sempre, uma vontade enorme de dominar o mundo. Sempre me busquei em largos sorrisos de todas as espécies, em todos os idiomas, em todos os lugares onde pisei, nos abraços que já dei e ganhei e, principalmente, no rosto dos meus amigos. Incessantemente busco mudanças... mudanças de vida, de sentimentos, de endereço e de todo o resto, talvez assim, um dia encontre o que é meu de fato e de direito.

Muito dos meus amigos de Fortaleza jamais entenderão a minha vontade de me jogar no mundo, outros tantos talvez ainda considerem minha atitude uma absurda falta de apego. Os outros amigos do resto do mundo, que comigo conviveram um pouco menos, quiçá pensei que os esqueci uma vez que não sou de passar a mão no telefone diariamente só pra dar um oi e nem tampouco de ficar fazendo declarações. Isso não faz parte de mim. Infelizmente, essas atitudes ainda não me pertencem.

O fato é que, não importa onde eu esteja, sempre os carrego e carregarei em pensamentos. Sempre me pegarei rindo a toa de alguma boa lembrança. E, entre uma aventura e outra, estarei recarregando as baterias em Fortaleza, porque é aqui que estão minhas origens, minhas raízes, meus laços mais profundos. É aqui a minha terra, onde gosto de pisar descalça, de me banhar no mar quentinho e é aqui que me olho no espelho e me reconheço. Aqui é o lugar onde eu enxergo uma enorme quantidade de iguais. Iguais no sotaque, no sorriso, no cheiro, na boa vontade, na boa fé e na cor.

A inconstância me atrai e me surpreende. O convite a abrir horizontes me fascina e talvez nunca consiga fugir ao chamado da mudança. Não é falta de apego, de vontade de manter ou falta de amor. É apenas a ciência de que jamais conseguiria criar um passarinho na gaiola... não cantaria mais como outrora, não mais seria tão feliz. É a clara visão da hora da retirada. É a resiliência de saber que um dia as borboletas voam e que pelo mesmo motivo não consigo ficar parada por muito tempo. Sempre voltarei aos lugares que me fizeram bem, e se volto, é porque foi feito de amor. Cor dos olhos, da pele e do coração.

Há pouco mais de 2 anos, estava batendo em retirada, novamente ao desconhecido. Não posso dizer que Santa Catarina estava nos planos ou que era sonho antigo, nunca o foi. Mas se a proposta é tentadora, porque não¿ O medo sempre existiu. Medo de morrer na praia depois de beber o mar, medo de não saber se dura, medo de não alcançar...

Porem o que poucos sabem, é que essa aventura não teria sido possível sem uma pessoa, pelo menos não da mesma forma, essa pessoa é a Fabíola Manzano. Fá, sem você, nada disso teria sido tão lindo, eu não estaria aqui escrevendo pra te agradecer, o que na verdade não há no mundo como agradecer ou retribuir a altura. Você abriu suas portas, como ninguém nunca fez antes na vida por mim, e mais importante ainda, abriu com um sorriso no rosto que agora me veio à mente e provocou outro sorriso, só que dessa vez no meu rosto. Você me abriu sua vida e seus amigos, que vieram a se tornar minha família do sul.

Se em alguns momentos me faltou família, me sobrou você!!! Primeiro você foi minha parceira de verão, depois minha coelhinha da páscoa, mamãe Noel e diversas outras coisas em tantas datas comemorativas que passamos juntas. Queria desde já começar a te agradecer e o seguirei fazendo até o fim dos tempos, mas acho que nunca irei conseguir e muito menos com simples palavras como estas, mas jamais desistirei de tentar. Você foi peça fundamental no meu quebra-cabeças (e quebra-contas bancárias hahahahahaha) catarina. Por cada gesto, cada bom dia e boa noite, por cada ida ao Angeloni, pelos porres no Kwaroupe, por cada coxinha do posto no meio da madruga, por cada tarde na praia Brava, por cada almoço na Rose, por cada morro que subimos, por cada funk que dançamos e por cada gargalhada antes de deitar a cabeça no travesseiro. Por ter me dado mais irmãs (Ariele e Chay), por ter me dado uma mãe e um pai (Rose e Neri) e irmãnzinhas menores, por tanta gente bacana que você fez entrar na minha vida, pelos fds na Guarda do Embaú e pelo pôr-do-sol no Leblon em uma das viagens mais inesquecíveis da minha vida eu te digo: MUITO OBRIGADO!!!

Tenho muito o que agradecer, e desde que voltei pra casa venho agradecendo em silêncio, praquele que está vendo tudo,  está te tornando uma pessoa cada vez mais admirável, se antes você era uma, hoje você é muito mais...

Te amo!

Existem pessoas que entram na sua vida e só fazem o bem, só te trazem lembranças boas, essas pessoas certamente são anjos da guarda que um dia voltaremos a encontrar porque tudo foi feito de amor. Saudades imensas do time todo: Fá, Ari, Chy, Rose, Neri, menininhas, Lolys, Angelito, Guilherme, Wolf, Gê todos os demais...

E que venham as novas aventuras, os próximos capítulos, as novas conexões... I´m ready again!

quinta-feira, 8 de março de 2012

o contrário da solidão

texto escrito pra Carurina - 18-02-12

Dia desses estávamos todas nós, reunidas num restaurante-bar ao som de variados sertanejos regados a incontáveis caipirinhas de to-das as frutas e muuuuita dor-de-cotovelo. Notamos todas, quase que ao mesmo tempo, que todas as músicas que cantávamos aos berros engrossando o coral do resto do bar tratavam sempre de temas recorrentes: solidão, abandono e desamor. Assuntos estes que caem como um chumbo, ou uma luva, numa mesa de mulheres semi-sóbrias.

Relembramos tempos idos, amores passados, rios de lágrimas corridas e demos muitas gargalhadas porque, enfim, tudo nessa vida passa! Quando o(s) assunto(s) foi dado por encerrado, eis que surge a filosofa Carurina, no auge de sua "nem tão vã" filosofia e constata que felicidade não se canta (pelo menos não com tanta frequência e nem com tanto sucesso) e que não existe uma música sequer nesse planeta que diga: "Como eu sou estupidamente feliz com meu marido e meus dois filhos, na minha casinha, com meu emprego sossegado e a simples presença dos meus amigos num sábado chuvoso já me traz tamanha alegria..." (juro que estávamos tentando rimar e colocar em um ritmo qualquer) Começamos a rir litros!

E ai começa a tal da psicologia de mesa-de-bar... De fato, não damos a atenção merecida pro amor, nos contentamos com o culto a emoção, buscando irrefreavelmente o agora, a adrenalina nossa de cada dia, que é, no fundo, um sintoma da insensibilidade geral da nação. Estamos ficando robotizados, só conseguimos nos emocionar com o brand new, o risco, o impacto. Ok, uma dose de enfrentamento com o desconhecido acaricia o ego, mas não dá pra se viciar no inédito e perder a capacidade de se comover com o banal.

Pessoalmente, já viajei um montão, namorei um tanto e o fiz sempre tudo ao mesmo tempo, mas olhando pra traz, poucos dias me deram mais prazer que passar o último reveillon em casa, estourar a champagne em família e poder dizer ao meu pai, dentro de um largo abraço, o quanto isso me fez falta nos últimos anos. Não foi nenhum mega evento, eu sei, foi apenas um sentimento; essa coisa tão rara.

De lá pra cá, nem gol da seleção me toca de fato. Pude perceber que alegrias encomendadas e com hora marcada, ainda que necessárias, não me fazem mais vibrar. O que me cala mesmo é o sorriso escapado dos olhos de alguém, um gesto que era pra ser invisível e eu vi, aquele olhar que diz tudo e o sorriso que se basta.

Via de regra, todos queremos intimidade, embora raramente nos permitamos um contato realmente íntimo e desnudo de vaidades. Não queremos nos machucar mas nossas atitudes nos levam pro caminho inverso. Procuramos a felicidade cegamente e nos tornamos incapazes de identificá-la porque o nosso desejo secreto é, quase sempre, secreto até para nós mesmos.

Felizmente -conquanto eu mesma já tenha tentado inúmeras vezes-, é difícil me transformar em pedra, cimento e concreto. Podem fazer minha cabeça, posso mudar de ideia variadas vezes e ser influenciada outras tantas, mas o fato é que hoje sou um pouco mais maleável. Mas arrancar de mim a humanidade e me tornar incapacitada pro amor? Acho que não.

Como diria Marthinha (a Medeiros): "O simples nunca foi fácil, muito menos pra quem tem um coração onde muitos possuem uma pedra"

Parabéns Carurina por sua imensa, contagiante e 'estranha' felicidade com 'a-pe-nas' seu marido, filhos, casa, trabalho e uma tarde chuvosa de sábado de carnaval com os amigos. Quando eu crescer, quero ser exatamente assim! ;)










quinta-feira, 1 de março de 2012

O cara do elevador

texto escrito pra uma das minhas saudades

Meados de 2003, ele sabia onde eu malhava, a que horas corria, onde estacionava meu carro e até já havíamos nos cruzado umas poucas vezes. O que ele não sabia era que eu, há tempos, percebia sua presença, que comecei a correr por sua causa e que isso me renderia umas tantas sessões de fisioterapia no joelho. Era um loro atlético, e por algum motivo inexplicável, bem diferente dos outros 575 loros atléticos que corriam na Beira Mar.

Ele tentava me acompanhar nos exercícios bem discretamente e até gostava de ver meu esforço escomunal pra correr meros 2 km, percebia uma certa dignidade nisso. Eu, por vez, apenas sabia, no auge da minha falta de boa forma, que se tratava de um triatleta, daqueles que madrugavam pra treinar, competiam aos domingos 6am e trocavam facilmente as noites de culto a Baco por um justo sono tranquilo.

Um dia nos cruzamos, num elevador lotado do Potenza, eu entrando e ele saindo, e por razão nenhuma nos cumprimentamos. Duas singelas vogais: Oi e um breve sorriso amarelo quase enterrando os olhos no chão.

Passaram semanas até que voltássemos a nos ver, agora no estacionamento do prédio, de longe, e somente acenamos. Permanecemos de longe, por conta de umas várias viagens a trabalho e competições, por mais uns pares de semanas.

Não lembro quem tomou a iniciativa, se fui eu que resolvi colocar um decote maior e ficar esperando a 89ª rodada de elevador pra entrar apenas quando ele lá estivesse, ou se foi ele que acordou de manhã com vontade de causar. Lembro apenas que fomos além de duas vogais. Ele teve a audácia de me chamar pra almoçar, e eu o desplante de aceitar.

Durante o almoço, eu com meu singelo prato de pedreiro e ele com salada, soube que ele voltara a solteirice a pouco e eu,tratei de me adiantar afirmando convictamente estar numa relação fadada ao fracasso e com os dias cotados, faltava só a coragem pra acabar (juro que era verdade!). Ele tomou um suco e eu uma Coca - passei dias pensando que poderia ter pedido pelo menos uma Coca light pra causar boa impressão - e ficamos de nos falar.

Dias depois e eu ja sem nenhuma unha ou cutícula pra roer - inclusive as dos pés - e, a propósito, com o antigo namoro decadente já ido pro saco, ele telefonou.Depois de contar lentamente a até 10 antes de atender e quase tendo um AVC do outro lado da linha, comentei nadíssima sutil que passara a integrar o time dos solteiros. O recado foi prontamente entendido e saímos pra jantar, e desde então não paramos de sorrir, tocar e nos conhecer.

Eu contei, entre lençóis, dos perrengues e peripécias de se trabalhar com navegação. Ele contou, no nosso 1º fi de semana juntos, da relação que tinha com os pais e de como isso influenciara no seu caráter. Eu comentei, enquanto cozinhava seu macarrão com atum e molho de tomate, que havia sido a criança mais feia do colégio e que isso me custara 8 anos ausente de fotos de família e colegiais. Ele disse, enquanto procurava nossa música preferida na rádio, que pretendia morar no Rio ou em Brasília e eu respondi, enxugando suas costas e penteando seus cabelos, que já tinha morado em Madri e que a experiência era bastante válida.

Me confessou ainda, embaixo do edredom e no meio da sessão pipoca, que de pequeno queria ser astronauta. Eu contei, secando o esmalte, que escrevia poemas. Um dia lemos juntos e ele gostou.

Não chegamos a viver juntos, como grande parte dos casais. Sequer nos rotulamos, mas foi com ele que corri minha primeira maratona e nunca mais ficamos separados por um elevador, nem por um sorriso amarelo e nem por um silencio interrogativo ou possibilidade remota.

Ele se foi pra Brasília com meu total apoio e incentivo, eu fiquei no aeroporto. Seguimos nossas vidas e ainda nos falamos com frequência cada vez mais rara. Pra mim, nunca mais apenas um triatleta. Pra ele, nunca mais apenas uma menina que trabalhava com navios. Sigo lembrando do meu amor contingente. Seguimos sendo saudades...


domingo, 25 de dezembro de 2011

Meu feliz Natal a vcs


Meus queridos,


A vocês, meus amigos cristãos ou não, e suas famílias meus sinceros votos de renovação, paz, felicidade e muito amor, que é o que todo mundo precisa. 

"Quisera Senhor, neste Natal, armar uma árvore e nela pendurar, ao invés de bolas, o nome de TODOS os meus amigos.


Os amigos de longe, de perto, os que vejo a cada dia e os que raramente encontro. Os sempre lembrados e os que as vezes ficam esquecidos. Aqueles das horas difíceis e alegres. Os que, sem querer, eu magoei e os que, sem querer, me magoaram. Os que conheço profundamente e a quem muito devo. O nome de TODOS que passaram pela minha vida.

Uma árvore de raízes profundas para que seus nomes NUNCA sejam arrancados do meu coração. De ramos muito extensos para que novos nomes, vindo de todas as partes,  venham juntar-se aos existentes.

Uma árvore de sombras agradáveis para que nossa amizade seja um momento de repouso nas lutas da vida."

Em especial, gostaria de fazer alguns agradecimentos:

Aos meus pais e irmão Ruany Andrade, por me ensinar e reforçar sempre o sentido de unidade, união, parceria, coesão e amor infinito e por nosso entendimento quase telepático. É muito bom estar de volta!

Aos meus XUXUs, Ariane e Rodrigo Parente, pessoas sem as quais eu certamente não saberia respirar e sequer me reconheceria no espelho, porque simplesmente, são minhas almas gêmeas, a vocês nem saberia começar a agradecer.

As minhas irmãs por opção, Betáline, Nathalia Kress, Carlinha, Kaka e Thethé, e aos meus queridos amigos de trabalho e da vida Big Coconut, Wet cat e Zezim Vieira, é sempre bom saber que, independente de tempo e espaço, nada nunca muda entre nós.

Isabela Romanus, meus agradecimentos por 2 anos de convívio e crescimento profissional e pessoal. A você só tenho a agradecer por absolutamente tudo, pela oportunidade, pela parceria e pela paciência. Muitíssimo obrigada e que Deus abençoe cada vez mais a você e sua família. O mundo precisa de pessoas como você. Sentirei muito a sua falta.

E por fim, as minhas eternas saudades: Bruno Guitti, Rodrigo Sousa Gomes, Ericuzinho Carvalho, Franklinho Bezerra, Pablo Preciado e Felipe Lima seria redundante dizer que carrego vocês no coração para onde quer que eu vá. E ao time das novas saudades: Fabiola Oltremari, Ariele Dal Osto, Rose Marcolino e família, Angelito, Gerusa e Wolf, que me seja permitido reencontra-las variadas e variadas vezes, vocês sempre serão a minha família do Sul.

Como diria Caio Fernando Abreu:  ‎"O destino nada me perguntou em colocar vocês na minha vida, mas caso vocês encontrem com ele, agradeçam-o em meu nome…" 

E que 2012 nos trate bem melhor!!!

Bjs,

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

ai que saudade d'ocê



E, finalmente, eu voltei, ele voltou, e tivemos nosso tão esperado reencontro. E não posso sequer descrever como foi mágica e transformadora essa tarde de sábado e todo o resto do fim de semana.

Após um ano sem nos ver, vi um irmão crescido em todos os sentidos, maduro, lindo e mais parceiro que nunca, embora nem soubesse dessa possibilidade. Fiquei maravilhada com tudo!

Foi surpreendente ve-lo chegando, um homem com aquele mesmo sorriso peculiar de menino. Foi excelente compartilhar das novas ideia e participar de seus planos e projetos de vida, do seu presente, do futuro. Uma euforia enorme, não conseguia parar de abraça-lo nem de sentir seu cheiro, estava tudo na mais erfeita ordem e foi muito bom ver que o menino que deixei ha dois anos atras se tornou um homem louvavel. Foi como realizar um sonho!

O final de semana passou e a euforia persistiu em nós. Há tempos não nos reuniamos em familia em torno da mesa e o fizemos quase que ininterruptamente, e foi glorioso.


Depois, com as coisas mais simples do dia a dia, problemas e correrias do cotidiano, nosso cantinho acolhedor, todo mundo no sofá pra ver o noticiario, o almoço de domingo, a noite de orbita bar, o jogo do vozão com seus amigos, o calo do convivio familiar tão bom...


Caminhar pelo Dragão do mar, tomar um café no Santa Clara, ver um filme de Almodolvar e chorar antes de dormir em sinal de agradecimento. Acordar e ver suas costas tatuadas. Tatuagens irmãs. Extasiante.

Ainda que as mudanças fisicas sejam visiveis e inegaveis, parece que nada mudou. Tem-se a ilusão de apenas um final de semana distantes um do outro. Continuo encantada com nosas tardes escutando Dominguinhos, passeando de mãos dadas, ombros colados e sorrisos secretos e quase telepaticos.


Sigo realmente encantada com todo esse velho-novo universo. Há muito tempo eu não sentia esse tipo de felicidade. E agora entemos porque sempre nos vamos e acabamos voltando pro mesmo cep. Buscamos nosso mundo e, certamente, o encontramos, mas precisamos do nosso passado ali perto pra alimentar nossas raizes, porque nenhum chão é mais frutifero pra nós que a nossa casa, junto com nossos pais e amigos.


E por isso, não pude deixar de registrar esses dias tão lindos e agradecer por tudo, pelo carinho, pela eterna sintonia e por toda a saudade que seguirei sentindo.  E porque é sempre bom saber que eu receberei e farei ligações de madrugada, sempre cantando a mesma musica...

"Não se adimire se um dia, um beija-flor invadir a porta da sua casa lhe der um beijo e partir, fui eu que mandei um beijo, que é pra matar meu desejo, te mando um monte de beijos, ai que saudade d'ocê... quando eu ia viajar você caía no choro. Eu chorando pela estrada, mas o que eu posso fazer? Trabalhar é minha sina e eu gosto mesmo é d'ocê..."


Te amo tanto e sempre e sem limites que já sinto tantas saudades de nós, juntos.


Mas fecho os olhos e sei que a gente ainda vai se encontrar muito por aí, por aqui, acolá. E passear de mãos dadas em novos e velhos destinos.


See you soon, always!






domingo, 27 de novembro de 2011

Carta a Letícia



E a Letícia nasceu e na época não estava inspirada o suficiente pra expressar corretamente minha alegria com sua chegada. Agora, perto do Natal, ja passados alguns meses e com a cabeça tranquila e no lugar, imgina só se eu deixaria de dar as boas vindas pra minha sobrinha querida, filha de uma amiga com a qual eu tenho tantas e tantas estórias pra contar...



Bem vinda, Letícia. O mundo é bastante legal, desde que saibamos lidar com suas contradições. Tem muita beleza e muita miséria, dias lindos de sol e outros de chuva, pessoas que dizem sim, que dizem não e que não dizem nada.


Desde que saiu da barriga, você escuta votos de saúde e felicidade e, ainda que não reconheça nada além do barulho uterino, saiba que são votos clichês e cheios de sabedoria e amor, porque felicidade e saúde é tudo o que você precisará nessa vida. Em alguns momentos, você terá que se dar uma mãozinha, sendo assim, alimente-se bem, pratique esportes e não fume! Isso já será meio caminho andado, o resto é sorte. E, quanto a felicidade, o jeito é tentar fazer boas escolhas, porque, na verdade, não existe outro rumo, só existe a direção que tomamos e o que poderia ter sido já não conta.


Não posso te ensinar a fazer as tais boas escolhas e, provavelmente, nem a Kaká e nem ninguem possa, mas creio que ser integra e não se deixar levar por vaidades já é um bom começo pra se ter paz de espírito. Acredite na tia, ser feliz não é difícil, basta não ficar obcecada com esse assunto e deixar fluir.


Caso você venha a ter um irmão, não brigue muito com ele, ainda que você não acredite muito nisso quando ele não te emprestar os brinquedos, ele, de fato, será seu melor amigo no futuro.


Não se esqueça de ganhar dinheiro, mas nunca deixe ele te controlar, sem independência não podemos ser donos de nós mesmos, mas nunca perca seu carater e escrúpulos. Nunca deixe se comprar.


Ia esquecendo: use protetor solar e estude inglês, o mometo são as duas coisas mais necessárias.


Estude muito, viaje muito, ame muito. Uma vida sem arte tende a mediocridade, então desfrute de cinema, musicas, fotografia e tudo mais que lhe interesse. E se alguém disser que ler e chato, mande se entender comigo. Tédio só existe para os que não tem inspiração.


Desfrute de tudo que o mundo te oferecer, as vezes com moderação, outras nem tanto, sua mãe te dirá. Despentei-se sempre. Encare estradas, aeroportos, passeatas, praias, monanhas, campeonatos, vestibulares, intercâmbios, gargalhadas, madrugadas e programas de índio e, principalmene, as gagalhadas. Quando a saudade do silêncio uterino bater, busque esse silêncio dentro de você.


Então é isso Lelê, surpreenda-se. Seja corajosa e grata. Nem sempre as coisas sairão como planejamos e, ainda que sejamos bilhões, nascer continua sendo um privilégio, curta e seja ciente de duas coisas: vale a pena viver e Lelê é um apelhido do qual você não vai escapar.


Beijos da tia distante,


Roberta Dutra






















quinta-feira, 24 de novembro de 2011

check in


escrevi dia desses e esqueci de publicar...

E eis que la vinha eu, lentamente e na fila daquele assombrosso check in as 1:30 am de uma segunda chuvosa na Terra do sol. Acho que de uns tempos pra cá nada me assombra mais que o check in do Pinto Martins (aeroporto) quando vou deixar Fortaleza novamente.
Fila pra ca, aperto de lá, criança chorando daculá e chega minha vez… ‘Bagagem pra despachar?’ a moça pergunta gentilmente e, por um momento, minha garganta trava. Não sei o que dizer. Na verdade porto apenas uma mochila. Foram apenas dois dias. Mas, quando perguntada sobre qual bagagem despachar… fico tensa e paralisada… gostaria de despachar, na verdade, muito do peso que carrego em minhas andanças. Posso?
Olho ao meu redor e descubro que as coisas que quero levar não podem ser levadas. Excedem aos tamanhos permitidos. Quase pergunto se posso despachar meu Painho pra Navegantes. Quase pergunto se posso despachar o sorriso largo do meu irmão, as gargalhadas da Mainha, minha tarde literária com os amigos que tanto amo. Já imaginou chegar ao aeroporto carregando o almoço de domingo para ser despachado?
Despacho as castanhas, a paçoca, a cachaça e a rapadura, mas perguntas são muitas... E se eu tiver vontade de ouvir aquela música? E o filme que costumo ver de vez em quando, como se fosse a primeira vez? E se eu quiser entrar na Desafinado novamente com meus Xuxus pra escolher CDs que ainda nem chegaram no Brasil ou simplemente me jogar no chão da Sciliano e ler um poema de Quintana pro meu Rodrigo? E se eu quiser apenas dançar e dançar até o sol nascer no Amicis sem perder a oportunidade de pentelhar o Célio? E se eu quisesse apenas o abraço de um deles?
Aquela pressa costumeira que me faz partir com destino a Fortaleza e que me impedem de olhar pra tras em outros aeroportos nunca se faz presente no Pinto Martins. Nunca!
Posso pelo menos levar um suco de Ariane + Beta Aline + Nath + Carlinha e um sanduiche de Xuxu? É pra viagem, moça...
 Desisto. Jogo o que posso no espaço delimitado para minha partida e vou. Vez em quando me recordo de alguma coisa esquecida, ou então, inevitavelmente concluo que quase tudo que levei não me sere pra nada. É passageiro.
“É nessa hora que descubro que partir é experiência inevitável de sofrer ausências. E nisso mora o encanto da viagem. Viajar é descobrir o mundo que não temos. É o tempo de sofrer a ausência que nos ajuda a mensurar o valor do mundo que nos pertence.” (Pe Fabio de Melo)
Foi ai que parei. Apenas parei e contemplei, como aquela personagem da Clarice Lispector que contemplava o Bufalo por tras da jaula do jardim zoologico. Contemplei o carro da Xuxu dobrando a esquina enquanto secava os olhos com os punhos. Contemplei com tal amor e candura que não houve risco algum naquela presença quieta e tão familiar.
O bom de partir é, de fato, poder voltar. Poder olhar o que deixamos pra tras sem a miopia de outrora e mensurando os espaços deixados pela distância. Partir e chegar me ajuda a descobrir o que sou, o que amo, e o que é essencial para que eu continue sendo. Vendo o que não é meu nem me pertençe, amo ainda mais meu territóri e minhas raizes e isso faz com que meu coração queira sempre voltar ao ponto de partida, pro lugar onde tudo começou. É como se a voz identificasse a raiz do grito, o elemento primeiro.
Vida e viagens seguem as mesmas regras. Os excessos nos pesam e nos retiram a vontade de viver. Por isso é tão necessário partir. Sair na direção das realidades que nos ausentam. Lugares e pessoas que não pertencem ao contexto de nossas lamúrias... De alguma maneira isso me humaniza.
SC, i’m back again...

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

E se eu tivesse 18 anos novamente?

arte de Mari kuroyama

Esses dias pensei sobre este assunto. No meio de uma conversinha informal e despretensiosa relembramos nossos 18 anos, o que estavamos fazendo na época, o que vestiamos, gostavamos e faziamos. Foi bastante engraçado mas bateu uma leve sensação de falta de vivência de frivolidades. Enquanto todos lembravam da época ainda de escola e pre-vestibular eu já estava na metade da faculdade e me entupindo de cursos de idiomas, de extensão, de culinária, de vinhos e cursos e mais cursos e trabalho e empresa recem-montada de consultoria. Não consegui fechar os olhos e lembrar de leveza. Nessa época já estava me preparando pra ir morar na Espanha e desbravar o mundo. Nossa, como eu era tão novinha e tão adiantada... pq não perdi mais tempo com as coisas pueris e que jamais teria tempo novamente de faze-las???? Devia ter aproveitado mais a época da mesada e me adiantado menos nos afazeres profissionais e estudantis. Devia mesmo era simplesmente ter relaxado e parado de atecipar tanto o futuro.

Quando temos dezoito tudo eh urgente, tudo ferve, tudo eh intenso e em mim tudo sempre foi muito. Me cobrava insistentemente todos os resultados possiveis. Tinha que ser a primeira de sala, ganhar todas as medalhas, o credito educativo da pos graduação, morar fora, falar todos os idiomas, saber todas as coisas. E hoje vejo que nem tudo era tão urgente.

Se eu tivesse 18 anos hoje, me olharia no espelho e me acharia linda! Teria a certeza de que não era nem tão gorda e nem tão magra quanto costumava achar dependendo da TPM, que meu nariz não era tão grande e nem a sobrancelha tão torta quanto eu imaginava e que eu jamais pareceria com as garotas da capa da Capricho, e isso não viria a me fazer a menor falta. Então, não me preocuparia com isso.

Não elegeria o dia em que o Fófi me trocou pela Anny na fatidica festa de final de 8a serie como o pior dia da  minha vida e nem choraria o dia inteiro por causa disso. Simplesmente saberia que dias bem mais tristes existiriam. E descobriria ainda que lidar com frustrações nos faz crescer e talvez possa ser a primeira grande diferença entre ser bem resolvida ou não.

Iria pra academia, faria dieta e me empanturraria de chocolate, pq logo depois teria a infelicidade de constatar impunemente que a proximidade dos 30 faz com que o metabolismo mude e se torne, de fato, quase impossivel de emagrecer. Triste realidade. Fora o fato deu ter me tornado intolerante a lactose... absurdo! E agora? o q faço com a droga da TPM? Mato alguém? Oh Godddd!

Sinceramente, não gastaria um tostão furado com balada e cigarro (bebida não entra nas exclusões). Não gastaria toda a grana do estágio com a última coleção da Colcci, nem colecionaria sapatos de marca. Se eu economizaria? Nem um pouco. Gastaria tudo com viagens. Viajaria pra onde tivesse as mais incríveis montanhas-russas, andaria de balão, pularia de bung jump, saltaria de parapente e iria mergulhar. Muitas dessas coisas eu bem que fiz, mas teria feito bem mais.

Se me fosse permitido voltar no tempo, torraria tudo com um tipo de diversão que me ensinaria alguma coisa útil quando fizesse 30 anos. Diversões que me ensinassem a lidar com meus limites e com meus medos. Escolheria namoradinhos não pela beleza e nem popularidade, mas pela parceria. Escolheria aquele que jogasse imagem-e-ação comigo, que cantasse no videokê, gostasse de sinuca e que, principalmente, me fizesse rir.

O escolhido seria aquele que me desse permissão pra não mudar e que gostasse de mim extatamente do jeito que eu sou. Escolheria aquele com quem simplesmente conseguisse conversar por horas a fio, pois 10 anos depois eu saberia que essa seria a coisa mais importante.

Ficaria mais um ano fazendo cursinho de pre-vestibular, desfrutando de mesadas e frivolidades. hoje reconheço que aprendi muito mais nessas cadeiras de colégio do que propriamente na faculdade. Talvez pelo fazto de ter ido pra uma tão cedo, não me permiti estender um pouco mais a infancia e cheguei demasiado verdinha na universidade, naquele mundo onde podemos tudo, ninguém da conta ou fiscaliza coisa alguma e voce eh completamente responsavel por seus resultados e pela falta deles. E o que fiz ao inves de relaxar? Me cobrei um tanto mais! precisava ser a mais jovem formanda da familia e de todas as filhas do circulo de amizades do meu pai, e precisava ainda mais ser a melhor e ganhar a bolsa de pos -graduação, deixar meu retrato de beca estampado na parede, mandar uma via pra cada tio e todo o resto do circo. Absolutamente desnecessario!

Foi no colégio que aprendi como dar tudo de si mesma no que quer que fizesse. Aprendi que sempre dá pra fazer diferente, de uma forma mais divertida e ter melhores resultados. Aprendi o significado da palavra memorável, por coisas que lembro com carinho até hoje, pelos sorrisos, abraços suados depois dos jogos inter-classes, das copas catolicas, semanas cordimarianas, das feiras de ciencias, torcida organizada, campeonato de espiribol (acho que se escreve assim). Quase 15 anos depois ainda lembro de umas tantas materias de vestibular. Dos aulões aos sabados e domingos, das noites sem dormir por causa das olimpiadas de matematica e do prazer de representar o colegio, a sala ou eu mesma no que quer que fosse. Era muito bom ganhar medalhas e receber o abraço e adimiração dos coleguinhas. Pena mesmo foi meu pai nunca ter visto nem presenciado solenidade alguma, mas pelo menos as medalhas todas seguem na caixa de sapato, junto com as do meu irmao e as plaquinhas de honra ao merito, certamente no lixo.

Bom mesmo era ver o Julião lotado e disputar a tapa cada ponto e no final se jogar na comemoração final da semana cultural, não importa que grupo ganhasse, todos aprendiam, tudo era memoravel. Meus coleguinhas da época, pessoas das quais eu sinto imensa falta, me ensinaram que da sim pra ser inesquecivel quando estamos 100% presentes naquilo que fazemos. Foi la que aprendi a me doar, a gastar horas ensinando matematica e fisica pra algum colega que tivesse mais fraco, a ser a pior do time de volei e mesmo assim saber que o resto do time fazia questão da minha presença, nem que fosse só pra animar os jogos. Bom mesmo foi comemorar aos choros e lagrimas o resultado do vestibular e ver to-dos os meus amigos passando. Acho que foi um dos dias mais felizes da minha vida embora tivesse a certeza que, a partir dali todos os caminhos se ramificariam.

E por fim, se hoje eu tivesse 18 anos, dan;caria uma valsa com meu pai, aquela de 15 anos que fiquei devendo porque cheguei toda esfolada do futebol e simplesmente não tava afim de vestir a droga de um vestido branco que nada significava naquele momento. Saberia depois que não teria essa oportunidade por muito mais tempo.

Ao menos, aprendi que saber lidar com a saudade do que ficou pra tras eh o fator que nos permite ir em frente. Tudo o que vivemos, decisões que tomamos, acertos e arrependimentos, é o que nos permite a ser exatamentw quem somos hoje.

E isso é tudo que temos pra continuar!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Lua e estrela

texto escrito pra Big Cocas em 22/ago/2011

Dia desses recebi um convite muito elegante; desses pretos, capa dura, fotos ultra brilhantes e letras em dourado e vinha com meu nome completo. Era um convite pra uma feira de móveis, com as melhores marcas da região, um evento desses badalados. Entrada controlada mediante convite exibível, buffet selecionado, móveis com assinatura...

Não sei onde conseguiram meus dados, talvez tenha preenchido o perfil de vaca solteira, encalhada, insuportável e condenada a viver só e cercada de artigos de luxo na tentativa de compensar vazios psicologicos incomensuráveis. 

O fato é que eu estava alí, bem em frente ao modero de escritório 'do momento'. A vendedora insistia em me convencer do DNA verde dos materiais super nobres, da mega funcionalidade, design arrojado e devidamente provido de assinatura de luxo e um blá-blá-blá eterno que há tempos não me convencia, uma vez que os preços dos porta-retratos começavam quase na casa dos cinco dígitos (antes da vírgula!). Logo, nem ousei perguntar o valor da estante de Mogno. Possivelmente infartaria antes de sacar o talão de cheques.

Olhei, circulei pelos ambientes 'sensação' e ambientalmente corretos e voltei pro mesmo lugar, pra frente do tal escritório. Olhei a grande cadeira de couro, a mesa ampla e espaçosa, a sobriedade dos móveis e lembrei do 1301.

Lembrei da nossa mesa pequena e entulhada, da cadeira meio torta, do computador que insistia em travar e da insustentável leveza da nossa felicidade. Lembrei-me das tantas vezes que corremos pra baixo daquela mesa para chorar lamúrias e divagar sobre nossos ais. Corriamos sempre prali. Fosse pra contar moeda e constatar mais uma vez em pleno dia 10 que não chegariamos nem perto do fim do mês com dinheiro, fosse apenas pra contar as novidades e fazer planos de dominar o mundo. Muitas das vezes nos amontoavamos ali só pra tirar um cochilo depois de almoçar aquela marmita horrorosa de 4.50 brl que encaravamos dia após dia porque você tinha que alimentar o David e o Gustavo (que eu insistia em chamar de Felipe sabe-se lá Deus porque), a Loutien wet cat precisava financiar os estudos do Dubito e eu, bem, nunca fui de controlar minhas finanças e parceria nunca me faltou.

Pensei imediatamente no meu escritório atual e não pude não traçar um paralelo. Hoje, escritório bonito, colorido, arrumado e planejado e com a dadeira de couro que eu sempre quis. Àquela cadeira de 'principal' que sempre esteve nos meus planos... risos!

Indeed, hj sento numa cadeira de Boss, laptop de ultima geração e que sejamos francas, nem sei usar metade dos aplicativos, carpetão novo e sem manchas... Mas o fato é que nunca me refugiei embaixo da minha mesa atual. Lá sobra espaço e falta coração. Lá, falta você! Quisera eu ainda ter seu ombro amigo pra secar minhas lagrimas, seus ouvidos incans;aveis e seus abraços ternos. Quisera eu poder carregar meus amigos todos comigo, mas não posso. Ainda não.

Por anos aprendi a não falar o que sentia por mais que doesse ou me fizesse profundamente feliz afinal de contas, boys don't cry! por vezes, enviei discretos sinais aos amigos, que não não percebiam, me endureciam um pouco mais. Quanta bobagem!

Senti falta dos nossos choros, das gargalhadas, dos cafés na copa, das paródias, da presença de espírito do Zé Vieira, da tranquilidade do Avilanet, dos meus erros e acertos com o Franklinho, da usual boa vontade do Hannax, dos regimes do além da Wet cat e de você me ensiando a ter calma, porque tudo nessa vida tem sua hora. Senti falta do apoio e incentivo recíproco, do GCI nas horas impróprias que serviam pra quebrar o gelo, do pai babalaô e de sua eterna perseguição ao meu ser e até da 'minha tia' (mas esta última só como figurante mesmo). Foram tantos bons momentos que só lamento ter tardado a reconhecê-los como amigos verdadeiros. E lamento ainda mais por não aparecer nem ligar tanto quanto eu gostaria.

É, minha amiga Big Coconut, não mais me aperto entre mesas e cadeiras e nem preciso mais encarar aquelas marmitas com carne de monstro. Hoje, pelo contrário, sento-me em largas e confortáveis cadeiras e faço minhas refeições nos melhores retaurantes da cidade... sozinha!

Hoje, a excessão dos almoços com clientes, não tenho com quem dividir a comida 'phyna' e sofisticada. Não tenho com quem chorar embaixo da mesa e nem com quem rir na copa e falta-me tempo pro usual cohilo. Não tenho sequer alguém pra tornar o alvo das chacotas até porque teria de fazê-las as paredes. Não conto mais com a paciência de Jó da Lu me ensinando a rezar, nem com teus bons conselhos e nem o 'coaching' campeão do Tche.

Por aqui está tão frio e sequer sei dizer se faz mais frio do lado de fora da minha blusa ou se dentro do meu coração. Provavelmente competem. Mas tudo é ciclico, e por ser natureza dos ciclos passar, até lá, farei modestamente o que tem de ser feito e apanharei os pedaços que perdi em minhas andanças.

Volto em setembro por um par de dias! Espero conseguir marcar pelo menos um almoço pra tentar diminuir a saudade. Volto porque nostalgia é o que nos faz pertencer a um lugar.