organizando os ingredientes
Este blog é escrito por Roberta Dutra. Nasci em Belém do Pará e passei maior parte da vida no Ceará, me mudei algumas vezes, viajei pelo mundo outras tantas e atualmente moro em Santa Catarina. Cresci em família grande, com muitos primos, primas, tios, tias e mais uns tantos agregados das mais variadas espécies. Tive uma infância plena e feliz e hoje, embora seguindo feliz, sofro muito de saudade. Registro aqui algumas impressões peculiares sobre a vida e seus desdobramentos, sobre o cotidiano e alguns tantos textos escritos para algumas pessoas em particular que exerceram e ainda exercem grande influência na minha vida, além de fazerem parte das minhas melhores lembranças, é claro! Não tenho grandes pretenções literárias, gramaticais nem sequer ortográficas, mas escrevo com muito amor, que é o que todo mundo precisa. Resumindo, mantenho o blog como meio de comunicação entre amigos e famíla distante e possíveis interessados. Entre e fique a vontade...
be my guest!
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
gestalt
"Liberdade na vida é ter um amor pra se prender".
(supiros, corações, corações, corações...)
Fabricio Carpinejar
humpf... acho que estou romântica-saudosa-temperamental-onomatopéica...
pgóóóó. beep. pgóóóóóóóóóóó
pra quem não sabe isso é galenhes e significa: eu te amo!
Maricota entenderia...
certamente entenderia todas as minhas onomatopéias, as minhas, as das galinhas, dos sapos e de tudo...
estou reticente-suspirante. talvez não esteja/ seja mais tão exclamativa.
(essa foi uma definição do Rodrigo!!! eu: o q eu sou? rod: muitas esclamações juntas na mesma linha... todas as exclamações do mundo numa linha só!!! )
sai exclamações, entra reticencias e eteceteras... isso é bom?
hum... =/ sei que é diferente! bem diferente!
é bem legal estar em um lugar diferente, conhecer gente nova...
mas sempre bate a saudade de quem ficou longe...
ai eu ligo no meio da noite e me declaro:
PGÓÓÓÓÓÓÓ. BEEP. PGÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓ...
siiim, mando msg, telefono e ainda tenho crises de choro quando não me atendem...
ok! crises de choro são demais, mas sempre rola uma angustiazinha...
Será que as pessoas estão me esquecendo?
Da vontade de jogar na loteria, ganhar na mega-sena e gastar tudo em passagens da azul...
Fortaleza x Navegantes e vice-versa, etecetera e tal...
Acho que preciso mesmo é de um sanduiche de 'prisunto' e zas e zas...
Ainda bem que o carnaval ta chegando e a saudade... (suspiros de-novo-novamente-outra-vez)
"Saudade, por favor vá embora, minha alma implora..."
e eu me despeço onomatopeiando...
PGÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓ. BEEP. PGÓÓÓÓOÓÓÓÓÓ!
... fui comer meu sanduiche de 'prisunto'...
até domingo!!!
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Maybe

Alguns dias se passaram desde o ultimo post, na verdade foram varios, acho ate que foram mais do que deveriam...
Tudo mudou! Aquele texto jah esta invalido, ou pelo menos parte dele. Nao o sentimento, eh claro, mas o peso do texto tomou leveza... sinto-me realmente mais leve, quase flutuando...
Fui pra Jeri novamente! Dessa vez fui de coracao aberto, sem esperar muita coisa e sem grandes expectativas. Na verdade estava fugindo de muitos de meus problemas e como toda adaptacao, o primeiro dia raiou ainda com o ranso de Fortaleza, procurando explicacoes pro que nao tinha, cultivando sentimentos de outrora e ainda com o coracao apertado, sofrendo com a falta, com a ausencia e com o vazio...
Passada essa adaptacao, comecei a ver Jeri de outro jeito, de outra forma... observei o ritimo dos nativos e sua malemolencia, senti os cantos e o tom, senti aquela paz que soh quem conhece Jeri sabe do que eu to falando. Vi o por-do-sol de varios angulos... de cima do morro, de baixo do morro, dentro da agua, deitada na areia... e me emocionei de formas diferentes cada vez q eu vi o mar engolir o sol e a lua cheia despontar no horizonte. Por um segundo, quase consegui tocar na magia suspensa nos ares de Jeri, aquela vibracao positiva, aquele mar perfeito, aquela visao lah longe das velas do wind, das pipas do kite, aquele house tocando no bar da praia...
Acho que o mais importante da vida eh a mudanca, eh poder ver as mesmas coisas jah vistas de um jeito diferente. Nao precisa ser melhor nem pior, basta que seja diferente. Eh sempre muito bom conhecer novas pessoas, novos sabores, novos cheiros... isso tudo sempre desperta novos sentimentos.
Me sinto apaixonada! Apaixonada por Jeri, pela experiencia que aquele pedaco-de-paraiso me proporcionou, pelo momento que eu desfrutei com as melhores companhias que eu poderia ter, pelas pessoas que eu conheci e jah se foram, pelas pessoas que vao ficar, pelos sentimentos que vao e pelos que ficam, pelas despedidas, pelos olhares magicos, pela delicadeza-de-lord, pela leveza daquele beija-flor, pela vontade de ficar abracada, pela ansia de seguir sorrindo e pela necessidade de saber e sentir que existem sempre muitas portas e muitos caminhos. Muitos deles sao curtos e outros nao, muitos deles eu nunca seguirei (o que eh uma pena!), muitos deles me farao sentir perdida (mas isso acontece!) mas sempre pensando que algum deles deve servir pra mim... por que o que eu quero mesmo eh ser livre, apenas livre pra mudar. E que essa mudanca me seja sempre permitida! Que eu desaprenda o significado de limite para que eu possa viver bem mais do que me eh permitido!
Jeri, de fato, me fez muito bem! Me proporcionou um raro momento de relexao, onde pude colocar meus pensamentos em ordem pra tentar enxergar as coisas de maneira mais clara e mais leve.
Jeri me fez entender que vale a pena mudar, mas que eh melhor comecar de vagar, porque a direcao eh mais importante que o caminho! Experimentei, troquei, mudei de novo. Como diria Clarisse (a Lispector!): Vi que o importante eh a mudanca, o movimento, o dinamismo, a energia...
Sentei do outro lado da mesa, troquei de cadeira e depois troquei de mesa. Abri a porta com a mao esquerda, andei pelo outro lado da rua, calmamente, descalca... observei coisas novas, novos sons, novas sensacoes. Passeei impunemente pela praia, ouvi o barulho das condas e sua sinuosa leveza, vi o mundo de outra perspectiva e aproveitei pra dormir do outro lado da cama. Durmi mais tarde, acordei mais cedo, comi comidinhas diferentes...
"Maybe I will never be
All the things that I want to be
But now is not the time to cry
Now's the time to find out why"
Tentei e descobri o novo! O novo lado, o novo metodo, o novo sabor... e descobri que o habido nao necessariamente tem que ser um estilo de vida. Acho ate que consegui me desprender dos meus velhos sapatos... descobri que andar descalca eh muito melhor! Entendi que se eu nao conseguir enxergar razoes para ser livre, devo inventa-las!Afinal de contas, if only time could slow down maybe i could come up!
Talvez o importante nao seja saber como a grama do jardim cresce... porque eu apenas quero voar! Talvez eu soh queira voar, viver e nao morrer jamais. Talvez eu soh queira respirar e sentir que eh sempre bom ter amigos do lado!
Hoje, uma semana depois de Jeri, estava dirigindo e tocou uma musica que eu adoro e que ha tempos nao ouvia... acho q essa musica descreve o que eu vinha sentindo. Cada vez mais estou excluindo o "talvez" impensado da minha vida. Jeri valeu pela retrospectiva! Valeu muito! Valeu demais! E continua valendo.
Jeri me resgatou e me salvou de mim mesma, da minha pressa e da minha intensidade em demasia. Me trouxe um pouco de paz, de calma, de paciencia, e me fez descobrir que eh sempre bom saber o que se quer e o que se procura porque a ideia do talvez as vezes atrapalha...
E pra terminar (caso contrario sigo escrevendo mais outras tantas paginas...) segue a musica que embalou meu dia e acalentou meu bom humor!
Valeu Jeri (de todas as cores e sabores)! Tchau e ate a proxima, quem sabe...
E viva o novo!!! CARPE DIEM!!!
Baby I got your number and I know that you got mine
I don't want no one to squeeze me, They might take away my life
This youthful heart can love you and give you what you need
Give me one reason to stay here and I'll turn right back around
Baby just give me one reason
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Chuta que eh macumba...

Na duvida, minha mae mandou o padre rezar uma missa em meu nome e pegou dois litros de agua benta na igreja pra jogar no meu quarto todas as manhas. E eu pra me ajudar tambem, resolvi entrar no mar de costas e ao inves de pular 7 ondas, pulei 21... pra ficar com credito.
Essa definitivamente foi a pior semana do ano. Um roubo a mao armada, vidro de carro quebrado, nao mais documentos, sem mais cartoes de credito ou dinheiro... ate a maquilagem eles levaram. Me sinto nua. Tenho q andar com um BO e a carteira de trabalho – unico documento com foto que me restou... sacar dinheiro? Soh se for na minha propria agencia que tem a maios fila de Fortaleza... =/
Em meio ao caos de providenciar outros documentos e cartoes e isso e aquilo e tudo o mais, e como se nao bastasse: eu acordei ex! (se eh que eu posso me autodenominar assim).
Acabamos na manha de segunda, dia mais triste e melancolico e sem inspiracao pra se resolver alguma coisa (e se eh que tinhamos alguma coisa...). Na mesma manhã, o computador pergunta se desejo trocar a senha com seu nome. Faltam 3 dias para expirar. Cheira implicância. Daqui a tres dias, é feriado. Não estará presente, pelo jeito. Será um feriado sem surpresas. Sem dividir os lencois. Sem os abracos, sem os sorrisos e sem os “mt mt”. Sem aquela vontade de atravessar a idade de mãos dadas (acho que estou esticando a baladeira, perdoem-me, estou sentimental).
A causa de tudo eh que a falta de consideracao e preocupacao e cuidado com o sentimento alheio já não é um problema, e esse é um problema. Tudo é normal, ou nos normalizamos rapidamente com qualquer coisa, a tal ponto que não existe anormalidade.
Depois do sexo livre, da amizade colorida e do mergulho na lama, a monogamia virou um preconceito. A moral agora é não sofrer com a moral, o que parece um paradoxo. Temos que nos aceitar como não somos.
É esquisito ser sua ex. O corpo não aceita participar da greve de fome. No dia seguinte, sou sua ex. Acordei ex. Pronto. Na noite anterior, era uma pessoa importante. Agora virei uma estranha, um engano. É excessivamente cruel. Largar uma história em comum sem nenhuma desintoxicação, tratamento, cuidado. Sem nenhuma ante-sala para chorar, berrar, espernear, expiar a febre. É muito mais grave do que um vício.
Resisto a trocar a senha, aceito as migalhas da casualidade, não estou pronta, ninguém está pronto para se separar. O computador é mais caridoso do que a gente. Coloca prazos. O prazo é uma esperança disfarçada de adiamento. Como dói o que não começou a doer.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Pare o mundo que eu quero descer!!!

Que a morte de tudo em que acredito
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Ma petite princesse (Maricota)
"O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...""Armas, num galho de árvore, o alçapão;
Dás-lhe então, por esplêndida morada,
É que, crença, os pássaros não falam.
'Não quero o teu alpiste!
Estas cousas o pássaro diria,
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Prece irlandesa

Moscou
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
insight de bêbo
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Cachos familiares

- Como vai a vida, Roberta? (se me chamou de Roberta, eh pq vem chumbo grosso!)
- Vai bem! Respondo eu, com tom neutro de quem nao esta muito afim de conversa e dando-lhe o beijo de todas as noites naquela cabeca grisalha.
- E o trabalho? Vai tudo bem? Tudo em ordem?
- Tudo na santa paz! (ainda resistindo a uma conversa mesmo notando seu interesse na minha rotina).
- Cansada, minha atleta?
- Muito! Hoje corri alguns kms na areia, malhei pra caramba, tive um dia cheio, visitei clientes distantes e mal humorados, respondi a trocentos emails e milhares de chamadas e nao tive tempo nem pra lavar os cabelos… suspiro.
E a conversa finalmente comeca, sem muito assunto, apenas para estabelecer uma comunicacao diaria.
- O que esta passando? Pergunto olhando para a TV.
- Jornal… eu soh assisto jornal!
- E TV senado! Risos!
- Eh! Tb! Senta ai e toma esse uisque devagar, menina! Isso nao eh leite nao!
- Foi mal! Tive um dia estressante! Coloca outra dose ai, por favor!
- Coloco, mas vou diluir na agua de coco! Vc ta bebendo muito!
As doses de uisque seguem a medida que eu espero pra ver os ultimos capitulos da minha novela favorita e a Fatima Bernardes da as noticias do dia: Crise no Senado!
- Sera que Sarney sai ou nao sai? Como diria Boris, o Casoi: “Isso eh uma vergonha!”
- Esse pais esta virando um puteiro sem ordem! E o maior problema eh que os putos estao no comando e os cafetoes obedecendo ou apenas figurando! Ate um puteiro precisa de ordem e um pouco de decencia! Todos precisam de hierarquia e toda hierarquia precisa de uma logica pra existir e de pessoas aptas a comandar e outras a obedecer. Democracia eh sempre bem vinda, mas nao pode ser confundida com desordem! …
Prevendo que a conversa seria longa, mesmo depois de passados 40 minutos confabulando sobre o mesmo assundo, senti que precisaria de mais uma dose, jah que o assunto era tenso e jah havia transitado, ainda que sem muito nexo, por outros tantos temas pungentes e delicados.
Chega a vez de Willian Boner dar sua noticia: “Bispo Edir Marcedo, um dos fundadores da Igreja Universal, eh investigado por desvio de doacoes de fieis para fins pessoais”… e lah vai mais um assunto conflituoso entre alguns pedacos de palmito picado, assertivas eloquentes e mais alguns gestos persuasivos.
OK! Percebi que essa conversa, outrora nao quista, seria infinda. Afinal de contas, o que poderia ser melhor do que sentar com seu pai no sofa - depois de um longo dia fatigante -, pra discutir a ordem dos planetas e confabular sobre a conspiracao do universo? E ainda, com palavras acompanhadas por uma deliciosa porcao de palmito (nosso tira-gosto preferido) e por aquela apetitosa garrafa de uisque, que secariamos nem tao delicadamente, e que ele passaria o resto da vida me cobrando (jah que a culpa de secar o bar sempre eh minha) e eu fazendo oudido-de-mercador.
Eis que o jornal e o capitulo imperdivel da novela acabam sem que nem ao menos eu me desse conta do tempo que passava. Entre um drink, umas gargalhadas e assuntos aleatorios, percebo que jah estamos assistindo, ou supondo assistir, o programa do Jo. E lah se vai mais uma madrugada agradavel na companhia do meu velhinho.
Falamos sobre tudo: historia da arte, antiga Babilonia, reinado de Marco Tulio, Alexandre – o Grande (nunca sei porque cargas d’agua esse assunto nem tao relevante sempre aparece nas nossas conversas), cinema moderno (e jah combinamos de assistir o filme do Waldick Soriano juntos, sempre eh bom colocar logo na agenda…), novidades lieterarias, proximas exposicoes, circuito cultural da cidade… quando de repente e sem saber porque, a conversa toma um rumo inesperado (ou nao, dependendo da optica de cada participante). Assunto da vez: a vida pessoal de Roberta Dutra!
Jah comecei a me tremer dai! Embora o trato com as palavras fossem obvios para nao ultrapassar os limites do meu bom humor, vi que o assunto ainda ia render um bocado e decidi… desce a garrafa que a noite vai ser longa!
Entre varios elogios - jah que a melhor tecnica para se fazer uma critica e nao ser mal interpretado eh sempre comecar e terminar o raciocinio com elogios (adoro tecnicas de neurolinguistica!) -, sai a pergunta que nao queria calar: Como andam os namorados… os paqueras?
- Agora eu gostaria de um duplo e sem gelo! Por favor!
Eu sempre me pergunto porque ele usa sempre o plural pra fazer essa pergunta… eh quase uma injustica! Ok, vamos dar a Cezar o que eh de Cezar: eu quase nunca estou soh, mais eh sempre um paquera de cada vez, ainda que nem sempre haja um intervalo muito grande entre os capitulos da minha historia amorosa. Eu sempre fui uma crianca hiperativa, pasmem! Risos.
Posto isso e esclarecido este pequeno detalhe que poderia gerar algum mal entendido, sigo desconfortavel com o rumo da conversa.
- Ta tudo tranquilo! Acho essa uma otima resposta. Eh suficientemente vaga para nao me comprometer e tambem suficientemente incerta pra fazer a segunda pessoa acreditar que tranquilo eh sinonimo de: sem acompanhantes no momento. Embora essa assertiva nao seja lah muito crivel. Mas qual o problema de procurar um amor de vez em quando? Ficando em casa e vendo altas-horas eh que eu nao vou achar. Afinal de contas, o que eu vou contra pros meus netos? Que fiquei em casa jogando domino? No way! Sou uma pessoa de multidoes. E o dialogo segue com diversas pausas. Ate porque, como explicar pra um pai, que sua filha sequer tem planos de um dia distante entrar numa igreja vestida de branco ao lado dele? Como explicar que sua unica filhinha, nada delicada – diga-se de passagem, nao acredita na instituicao chamada: casamento. Como explicar que a ideia de simplesmente dedicar os melhores anos da minha juventude para uma unica pessoa me assusta terrivelmente? Comeco a ficar tensa enquanto ele pergunta…
- Ta namorando?
- Nao. To enrrolada.
- E porque nao dormiu em casa nos ultimos fins de semana?
- Ah… tava na Ju, na Carlinha, na Nath, na Larys… por ai…
- Como assim, por ai?
- Assim! Ora bolas! (Paciencia eh um dom que eu nao tenho.)
- Ha?
- Painho, todo mundo mora em cantos diferentes da cidade e a cidade esta perigosa, eh melhor sair em no maximo dois carros. Quem quiser voltar das festas cedo volta e quem nao quiser espera a segunda remessa p voltar p casa, jah com o dia amanhecendo.
- Hum, hum… e a tua remessa eh sempre a segunda?
- Certamente!
- Entao jah que amanheceu, porque vc nao volta pra casa e dorme na sua cama ate a hora que vc quiser? Nos nunca te acordamos e tentamos fazer silencio pra nao te incomodar e ate levamos agua pra vc sempre q vc grita: gelagua! Eu quero um gelaqua no meu quarto!!! (eu sei, eh o cumulo da cara de pau!)
Tentei justificar minha ausencia de varias maneiras, algumas justivicativas plausiveis, outras nem tanto…
Nesse momento, senti um aperto no coracao. Meu pai, tal como eu, que nunca teve lah muito talento pra falar de sentimentos, estava tentando me mostrar o quanto eu estava ausente e que, principalmente, sentia a minha falta. Do jeito dele, ele me fez perceber que nao estava passando tempo o suficiente em casa, com a minha familia, e daquele jeito zen e quase transcedental, que lhe eh peculiar, me fez ver que curtir a juventude eh muito bom, mas que nem tudo que hoje julgamos essencial vai me trazer resultados positivos num futuro proximo. Essas palavras, vindas desse boemio nato, nao podiam ser desconsideradas.
De repente me vi tao parecida com ele, justo com ele, que tantas vezes julguei a pessoa mais diferente de mim. Nesse momento, tudo se parecia comigo. Aquele sorriso beirando o sarcasmo, a suavidade da voz e a sua calma (nao que eu seja suave nem calma), as feicoes serenas. Sera que um dia conseguirei esse nivel de maturidade? Ele fez-se perceber e entender.
Na transparencia e brandura de suas frases, elucidou o que horas de gritos da minha mae nunca havia conseguido: Chegava a hora d’eu amadurecer. Que tal comecar a pensar em assumir algum relacionamento? Ou pelo menos comecar a adimitir a ideia de que precisaria de alguem do meu lado no dia em que meus pais me faltassem.
Whatever, essas sao cenas de um proximo capitulo, prefiro deixar essa maturidade pro ano que vem. 2010, numero par, cabalistico, sempre bom pra comecar alguma coisa…
E a conversa acaba as 3 da manha, em plena quarta-feira, com sorrisos serenos e eh claro: ao som de Raul! Nao sei se essa musica, tao apropriada e tao retorica pro momento, se fez adequada de mim para ele ou dele para mim.
Soh sei que dormimos no sofa, e acordamos meia hora depois, com os gritos do vizinho avisando que chamaria a policia caso nao baixassemos o volume do som.
As vezes penso que talvez, morar em uma casa com um enorme jardim, fosse uma opcao melhor… mas agora mesmo, eu soh penso em dormir… afinal de contas, a garrafa acabou, o ultimo brinde jah foi feito e amanha o dia vai ser cheio.
- Vizinho, ate te chamaria pra brindar conosco, mas como a fonte jah secou… Boa noite!
Vai pro seu trabalho todo dia
Toda vez que eu sinto o paraíso
Pedro, onde você vai eu também vou
Tente me ensinar das tuas coisas
Lembro, Pedro, aqueles velhos dias
Pedro, onde você vai eu também vou
Todos os caminhos são iguais
E eu não tenho nada a te dizer
Pedro, onde você vai eu também vou
É que tudo acaba onde começou
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Nao vou para Passargada

