organizando os ingredientes

Este blog é escrito por Roberta Dutra. Nasci em Belém do Pará e passei maior parte da vida no Ceará, me mudei algumas vezes, viajei pelo mundo outras tantas e atualmente moro em Santa Catarina. Cresci em família grande, com muitos primos, primas, tios, tias e mais uns tantos agregados das mais variadas espécies. Tive uma infância plena e feliz e hoje, embora seguindo feliz, sofro muito de saudade. Registro aqui algumas impressões peculiares sobre a vida e seus desdobramentos, sobre o cotidiano e alguns tantos textos escritos para algumas pessoas em particular que exerceram e ainda exercem grande influência na minha vida, além de fazerem parte das minhas melhores lembranças, é claro! Não tenho grandes pretenções literárias, gramaticais nem sequer ortográficas, mas escrevo com muito amor, que é o que todo mundo precisa. Resumindo, mantenho o blog como meio de comunicação entre amigos e famíla distante e possíveis interessados. Entre e fique a vontade...

be my guest!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Chuta que eh macumba...


Acordei achando que precisava de reza, de uma reza braba... alias, de muitas rezas brabas... de oferendas a Iemanja, a Ogum, a Oxossi e a todos os orixas juntos ou quem quer que possa ajudar...

Na duvida, minha mae mandou o padre rezar uma missa em meu nome e pegou dois litros de agua benta na igreja pra jogar no meu quarto todas as manhas. E eu pra me ajudar tambem, resolvi entrar no mar de costas e ao inves de pular 7 ondas, pulei 21... pra ficar com credito.

Essa definitivamente foi a pior semana do ano. Um roubo a mao armada, vidro de carro quebrado, nao mais documentos, sem mais cartoes de credito ou dinheiro... ate a maquilagem eles levaram. Me sinto nua. Tenho q andar com um BO e a carteira de trabalho – unico documento com foto que me restou... sacar dinheiro? Soh se for na minha propria agencia que tem a maios fila de Fortaleza... =/

Em meio ao caos de providenciar outros documentos e cartoes e isso e aquilo e tudo o mais, e como se nao bastasse: eu acordei ex! (se eh que eu posso me autodenominar assim).

Acabamos na manha de segunda, dia mais triste e melancolico e sem inspiracao pra se resolver alguma coisa (e se eh que tinhamos alguma coisa...). Na mesma manhã, o computador pergunta se desejo trocar a senha com seu nome. Faltam 3 dias para expirar. Cheira implicância. Daqui a tres dias, é feriado. Não estará presente, pelo jeito. Será um feriado sem surpresas. Sem dividir os lencois. Sem os abracos, sem os sorrisos e sem os “mt mt”. Sem aquela vontade de atravessar a idade de mãos dadas (acho que estou esticando a baladeira, perdoem-me, estou sentimental).

A causa de tudo eh que a falta de consideracao e preocupacao e cuidado com o sentimento alheio já não é um problema, e esse é um problema. Tudo é normal, ou nos normalizamos rapidamente com qualquer coisa, a tal ponto que não existe anormalidade.

Depois do sexo livre, da amizade colorida e do mergulho na lama, a monogamia virou um preconceito. A moral agora é não sofrer com a moral, o que parece um paradoxo. Temos que nos aceitar como não somos.


Tenho que controlar o coitadismo. Não há vítima na briga (ou discussao ou o que quer que seja) há dois agressores. Sou um deles. As pedras no bolso são versáteis, servem tanto para o suicídio como para o homicídio.


Nenhum dos dois quis mudar. Mudar era visto como piorar, infelizmente. Nos gostamos o suficiente para morrer, não o suficiente para nascer de novo.


Não vou telefonar, não vou mandar torpedo, apesar da vontade imensa de reatar. O orgulho assumiu meu quarto. Conversa com ele agora. Com essa governanta das minhas desvalias, do meu guarda-roupa e sapatos. Estou de castigo, protegido, ausente, impedido de responder por mim. Se fosse responder, avisaria que ainda gosto de você, que o desejo de volta. Infelizmente sou capacho de minha angústia. Piso em minhas palavras para limpar os pés da chuva.


O desamor é treino. Não existe desamor. Existe ensaio, simulação da indiferença, controle absurdo do cumprimento. Não que não sinta nada por você, sinto absolutamente tudo mais do que nunca e não consigo comunicar. Os cotovelos latejam, a cabeça bóia, as pernas mergulham numa fraqueza de maratona.


É esquisito ser sua ex. O corpo não aceita participar da greve de fome. No dia seguinte, sou sua ex. Acordei ex. Pronto. Na noite anterior, era uma pessoa importante. Agora virei uma estranha, um engano. É excessivamente cruel. Largar uma história em comum sem nenhuma desintoxicação, tratamento, cuidado. Sem nenhuma ante-sala para chorar, berrar, espernear, expiar a febre. É muito mais grave do que um vício.


Quando ardia alguma angústia, dizia que logo passava.


Não passará logo. Fingirei. Fingirei que me darei melhor sozinho. É uma estrondosa mentira que também acreditará porque não tem escolha. Sou uma mesa para dois, serei sempre uma mesa para dois. Levarei minhas malas para ocupar a cadeira ao lado. Enfrentarei os questionamentos: "onde você anda?": nos lugares em que frequentávamos juntos. Explicarei que brigamos, escutarei dos amigos que é normal e que logo faremos as pazes, comentarei que é definitivo por educação e para não sofrer mais.


O ex mente, integralmente mente, complicado porque eu aprendi a gostar da verdade. Não temos um bom motivo para se procurar novamente. Não projetamos pretextos para a reconciliação, como esquecemos disso?


Resisto a trocar a senha, aceito as migalhas da casualidade, não estou pronta, ninguém está pronto para se separar. O computador é mais caridoso do que a gente. Coloca prazos. O prazo é uma esperança disfarçada de adiamento. Como dói o que não começou a doer.


Não preciso de férias, preciso de outra vida. E como nao eh possivel, me contento com um feriado distante de todos. De todos os rostos, vozes, dos mesmos lugares, do teu cheiro e de tudo. Queria mesmo era ir pro Tibet!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Pare o mundo que eu quero descer!!!


Quisera ser imune a tudo de ruim que acontece ao meu redor.
Quisera ter o corpo fechado com as armas de Jorge.
Quisera realmente poder proteger todos que eu amo das injusticas como se fosse o escudo de Jorge, sem desejar o mal aos injustos, desejando apenas discernimento pra que um dia essas pessoas enxergem a luz e o valor alheio.
Quisera ter paciência suficiente para encarar os desafios mais complicados e não desesperar quando ver que é difícil resolvê-los.
Quisera que as coisas boas ficassem... na vida, na memória, no coração... que ficassem onde quer que estejam, mas de alguma forma, ficassem perto de mim.
Quisera que as inseguranças existissem, mas que passasem logo e que quando as novas viessem, as antigas já fizessem parte do passado.
Quisera sentir que sou util a todos ou a muitos e quisera principalmente fazer com que os outros sentissem o quao util e importante sao para mim.
Quisera tambem que Jorge me protegesse com suas armas de fogo, seus escudos e tudo mais.
Quisera dormir e acordar sorrindo, esquecer esse dia agradecendo por mais um dia que passou e esperando que amanha seja melhor.
E quisera, por fim, poder devolver o sorriso a um rosto em desalento.

Enfim...

"Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio. (...)
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso
Mas a outra metade é um vulcão."

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Ma petite princesse (Maricota)

"O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo..."

E ela se vai... e eu jah me sinto assaz saudosa!

Foram tantos os momentos por tras daqueles "muros sombrios do ministerio", tanta pressao, tanta coisa louca. Tb lembro como se fosse hj, eu de batinha com flores azuis te consolando pelos desmandos da Graca e vc dom um lencinho vermelho de bolinhas brancas amarrado no pescoco... A gente vive cada coisa e as vezes nao entende o porque. Se nao fossem os "muros sombrios" nao teriamos nos conhecidos e hj nao teriamos essa amizade tao linda.

Se nao fossem os "muros sombrios" que tantas vezes te fez chorar, eu nao teria tido a oportunidade de conhecer minha "amiga estrela ascendente linda e cheia de vida"!

Hoje eu rio quando lembro que um dia tentei transformar em burocrata essa bela artista que sempre foi o passarinho mais belo e cantante do meu jardim! Nesse momento soh consigo me lembar de um poema do Olavo (o Bilac!)...

O Pássaro Cativo

"Armas, num galho de árvore, o alçapão;
E, em breve, uma avezinha descuidada,
Batendo as asas cai na escravidão.
Dás-lhe então, por esplêndida morada,
A gaiola dourada;
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo:
Porque é que, tendo tudo, há de ficar
O passarinho mudo, Arrepiado e triste, sem cantar?
É que, crença, os pássaros não falam.
Só gorjeando a sua dor exalam,
Sem que os homens os possam entender;
Se os pássaros falassem,
Talvez os teus ouvidos escutassem
Este cativo pássaro dizer:

'Não quero o teu alpiste!
Gosto mais do alimento que procuro
Na mata livre em que a voar me viste;
Tenho água fresca num recanto escuro
Da selva em que nasci;
Da mata entre os verdores,
Tenho frutos e flores,
Sem precisar de ti!
Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola
De haver perdido aquilo que perdi ...
Prefiro o ninho humilde, construído
De folhas secas, plácido, e escondido
Entre os galhos das árvores amigas ...
Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?
Quero saudar as pompas do arrebol!
Quero, ao cair da tarde,
Entoar minhas tristíssimas cantigas!
Por que me prendes?
Solta-me covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade:
Não me roubes a minha liberdade ...
Quero voar! voar! ...'

Estas cousas o pássaro diria,
Se pudesse falar.
E a tua alma, criança, tremeria,
Vendo tanta aflição:
E a tua mão tremendo, lhe abriria
A porta da prisão... "

Agora, esse passarinho se vai e no lugar do seu canto deixara muitas saudades. Mas quem pode aprisionar um passarinho? Passarinhos nasceram para voar e encantar todos os cantos com seu canto. Passarinhos, como tu, nasceram para enfeitar, embelezar e colorir... nasceram para trazer alegria e luz pra vida de muitos!

Tambem emano daqui toda a luz para que teu caminho seja cheio de alegrias.

Boa viagem, que Deus, Jah, Buda e todos eles te protejam e até a volta!
Porque quando resolveres voltar eu estarei aqui...
"If there's anything that you want,
If there's anything I can do,
Just call on me and
I'll send it along
With love from me to you."
(the beatles)
Muitos beijos e todo o meu amor... e mais!


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Prece irlandesa



"May the road rise up to meet you
may the wind be always at your back
may the sun shine warm upon your face
and the rain fall soft upon your fields.
And until we meet again,
may God hold you in the palm of his hands."
miss u brother, miss u all the time!
u always have my unspoken passion although i might not seem to care!!!
don't forget it!
never forget it!
never foreget me...
kisses, hugs and good night!

Moscou


... naquela cidade, ahhhh naquela linda cidade, havia um rio apaixonante
um lindo rio com aguas apaixonadas e turvas que rodeava toda a cidade
aquelas aguas turvas me apaixonavam
e eu, de tao apaixonada, sai turva...
e eu, que tinha algo a dizer, agora esqueci...

(momento autista)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

insight de bêbo

" Não seria ótimo se pudéssemos
trocar o coração por um segundo fígado?
Poderíamos beber mais e sofrer menos!!! "

Ok! Ok! Toca pra Jeri!

ps: plageando Isadolratn Kolpstatn!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Cachos familiares


E o dialogo comeca junto com uma dose de uisque…

- Como vai a vida, Roberta? (se me chamou de Roberta, eh pq vem chumbo grosso!)
- Vai bem! Respondo eu, com tom neutro de quem nao esta muito afim de conversa e dando-lhe o beijo de todas as noites naquela cabeca grisalha.
- E o trabalho? Vai tudo bem? Tudo em ordem?
- Tudo na santa paz! (ainda resistindo a uma conversa mesmo notando seu interesse na minha rotina).
- Cansada, minha atleta?
- Muito! Hoje corri alguns kms na areia, malhei pra caramba, tive um dia cheio, visitei clientes distantes e mal humorados, respondi a trocentos emails e milhares de chamadas e nao tive tempo nem pra lavar os cabelos… suspiro.

E a conversa finalmente comeca, sem muito assunto, apenas para estabelecer uma comunicacao diaria.

- O que esta passando? Pergunto olhando para a TV.
- Jornal… eu soh assisto jornal!
- E TV senado! Risos!
- Eh! Tb! Senta ai e toma esse uisque devagar, menina! Isso nao eh leite nao!
- Foi mal! Tive um dia estressante! Coloca outra dose ai, por favor!
- Coloco, mas vou diluir na agua de coco! Vc ta bebendo muito!

As doses de uisque seguem a medida que eu espero pra ver os ultimos capitulos da minha novela favorita e a Fatima Bernardes da as noticias do dia: Crise no Senado!

- Sera que Sarney sai ou nao sai? Como diria Boris, o Casoi: “Isso eh uma vergonha!”
- Esse pais esta virando um puteiro sem ordem! E o maior problema eh que os putos estao no comando e os cafetoes obedecendo ou apenas figurando! Ate um puteiro precisa de ordem e um pouco de decencia! Todos precisam de hierarquia e toda hierarquia precisa de uma logica pra existir e de pessoas aptas a comandar e outras a obedecer. Democracia eh sempre bem vinda, mas nao pode ser confundida com desordem! …

Prevendo que a conversa seria longa, mesmo depois de passados 40 minutos confabulando sobre o mesmo assundo, senti que precisaria de mais uma dose, jah que o assunto era tenso e jah havia transitado, ainda que sem muito nexo, por outros tantos temas pungentes e delicados.

Chega a vez de Willian Boner dar sua noticia: “Bispo Edir Marcedo, um dos fundadores da Igreja Universal, eh investigado por desvio de doacoes de fieis para fins pessoais”… e lah vai mais um assunto conflituoso entre alguns pedacos de palmito picado, assertivas eloquentes e mais alguns gestos persuasivos.

OK! Percebi que essa conversa, outrora nao quista, seria infinda. Afinal de contas, o que poderia ser melhor do que sentar com seu pai no sofa - depois de um longo dia fatigante -, pra discutir a ordem dos planetas e confabular sobre a conspiracao do universo? E ainda, com palavras acompanhadas por uma deliciosa porcao de palmito (nosso tira-gosto preferido) e por aquela apetitosa garrafa de uisque, que secariamos nem tao delicadamente, e que ele passaria o resto da vida me cobrando (jah que a culpa de secar o bar sempre eh minha) e eu fazendo oudido-de-mercador.

Eis que o jornal e o capitulo imperdivel da novela acabam sem que nem ao menos eu me desse conta do tempo que passava. Entre um drink, umas gargalhadas e assuntos aleatorios, percebo que jah estamos assistindo, ou supondo assistir, o programa do Jo. E lah se vai mais uma madrugada agradavel na companhia do meu velhinho.

Falamos sobre tudo: historia da arte, antiga Babilonia, reinado de Marco Tulio, Alexandre – o Grande (nunca sei porque cargas d’agua esse assunto nem tao relevante sempre aparece nas nossas conversas), cinema moderno (e jah combinamos de assistir o filme do Waldick Soriano juntos, sempre eh bom colocar logo na agenda…), novidades lieterarias, proximas exposicoes, circuito cultural da cidade… quando de repente e sem saber porque, a conversa toma um rumo inesperado (ou nao, dependendo da optica de cada participante). Assunto da vez: a vida pessoal de Roberta Dutra!

Jah comecei a me tremer dai! Embora o trato com as palavras fossem obvios para nao ultrapassar os limites do meu bom humor, vi que o assunto ainda ia render um bocado e decidi… desce a garrafa que a noite vai ser longa!

Entre varios elogios - jah que a melhor tecnica para se fazer uma critica e nao ser mal interpretado eh sempre comecar e terminar o raciocinio com elogios (adoro tecnicas de neurolinguistica!) -, sai a pergunta que nao queria calar: Como andam os namorados… os paqueras?

- Agora eu gostaria de um duplo e sem gelo! Por favor!

Eu sempre me pergunto porque ele usa sempre o plural pra fazer essa pergunta… eh quase uma injustica! Ok, vamos dar a Cezar o que eh de Cezar: eu quase nunca estou soh, mais eh sempre um paquera de cada vez, ainda que nem sempre haja um intervalo muito grande entre os capitulos da minha historia amorosa. Eu sempre fui uma crianca hiperativa, pasmem! Risos.

Posto isso e esclarecido este pequeno detalhe que poderia gerar algum mal entendido, sigo desconfortavel com o rumo da conversa.

- Ta tudo tranquilo! Acho essa uma otima resposta. Eh suficientemente vaga para nao me comprometer e tambem suficientemente incerta pra fazer a segunda pessoa acreditar que tranquilo eh sinonimo de: sem acompanhantes no momento. Embora essa assertiva nao seja lah muito crivel. Mas qual o problema de procurar um amor de vez em quando? Ficando em casa e vendo altas-horas eh que eu nao vou achar. Afinal de contas, o que eu vou contra pros meus netos? Que fiquei em casa jogando domino? No way! Sou uma pessoa de multidoes. E o dialogo segue com diversas pausas. Ate porque, como explicar pra um pai, que sua filha sequer tem planos de um dia distante entrar numa igreja vestida de branco ao lado dele? Como explicar que sua unica filhinha, nada delicada – diga-se de passagem, nao acredita na instituicao chamada: casamento. Como explicar que a ideia de simplesmente dedicar os melhores anos da minha juventude para uma unica pessoa me assusta terrivelmente? Comeco a ficar tensa enquanto ele pergunta…

- Ta namorando?
- Nao. To enrrolada.
- E porque nao dormiu em casa nos ultimos fins de semana?
- Ah… tava na Ju, na Carlinha, na Nath, na Larys… por ai…
- Como assim, por ai?
- Assim! Ora bolas! (Paciencia eh um dom que eu nao tenho.)
- Ha?
- Painho, todo mundo mora em cantos diferentes da cidade e a cidade esta perigosa, eh melhor sair em no maximo dois carros. Quem quiser voltar das festas cedo volta e quem nao quiser espera a segunda remessa p voltar p casa, jah com o dia amanhecendo.
- Hum, hum… e a tua remessa eh sempre a segunda?
- Certamente!
- Entao jah que amanheceu, porque vc nao volta pra casa e dorme na sua cama ate a hora que vc quiser? Nos nunca te acordamos e tentamos fazer silencio pra nao te incomodar e ate levamos agua pra vc sempre q vc grita: gelagua! Eu quero um gelaqua no meu quarto!!! (eu sei, eh o cumulo da cara de pau!)

Tentei justificar minha ausencia de varias maneiras, algumas justivicativas plausiveis, outras nem tanto…

Nesse momento, senti um aperto no coracao. Meu pai, tal como eu, que nunca teve lah muito talento pra falar de sentimentos, estava tentando me mostrar o quanto eu estava ausente e que, principalmente, sentia a minha falta. Do jeito dele, ele me fez perceber que nao estava passando tempo o suficiente em casa, com a minha familia, e daquele jeito zen e quase transcedental, que lhe eh peculiar, me fez ver que curtir a juventude eh muito bom, mas que nem tudo que hoje julgamos essencial vai me trazer resultados positivos num futuro proximo. Essas palavras, vindas desse boemio nato, nao podiam ser desconsideradas.

De repente me vi tao parecida com ele, justo com ele, que tantas vezes julguei a pessoa mais diferente de mim. Nesse momento, tudo se parecia comigo. Aquele sorriso beirando o sarcasmo, a suavidade da voz e a sua calma (nao que eu seja suave nem calma), as feicoes serenas. Sera que um dia conseguirei esse nivel de maturidade? Ele fez-se perceber e entender.

Na transparencia e brandura de suas frases, elucidou o que horas de gritos da minha mae nunca havia conseguido: Chegava a hora d’eu amadurecer. Que tal comecar a pensar em assumir algum relacionamento? Ou pelo menos comecar a adimitir a ideia de que precisaria de alguem do meu lado no dia em que meus pais me faltassem.

Whatever, essas sao cenas de um proximo capitulo, prefiro deixar essa maturidade pro ano que vem. 2010, numero par, cabalistico, sempre bom pra comecar alguma coisa…

E a conversa acaba as 3 da manha, em plena quarta-feira, com sorrisos serenos e eh claro: ao som de Raul! Nao sei se essa musica, tao apropriada e tao retorica pro momento, se fez adequada de mim para ele ou dele para mim.

Soh sei que dormimos no sofa, e acordamos meia hora depois, com os gritos do vizinho avisando que chamaria a policia caso nao baixassemos o volume do som.

As vezes penso que talvez, morar em uma casa com um enorme jardim, fosse uma opcao melhor… mas agora mesmo, eu soh penso em dormir… afinal de contas, a garrafa acabou, o ultimo brinde jah foi feito e amanha o dia vai ser cheio.

- Vizinho, ate te chamaria pra brindar conosco, mas como a fonte jah secou… Boa noite!



Meu Amigo Pedro
Raul Seixas

"Muitas vezes, Pedro, você fala
Sempre a se queixar da solidão
Quem te fez com ferro, fez com fogo, Pedro
É pena que você não sabe não

Vai pro seu trabalho todo dia
Sem saber se é bom ou se é ruim
Quando quer chorar vai ao banheiro
Pedro as coisas não são bem assim

Toda vez que eu sinto o paraíso
Ou me queimo torto no inferno
Eu penso em você meu pobre amigo
Que só usa sempre o mesmo terno

Pedro, onde você vai eu também vou
Mas tudo acaba onde começou

Tente me ensinar das tuas coisas
Que a vida é séria, e a guerra é dura
Mas se não puder, cale essa boca, Pedro
E deixa eu viver minha loucura

Lembro, Pedro, aqueles velhos dias
Quando os dois pensavam sobre o mundo
Hoje eu te chamo de careta, Pedro
E você me chama vagabundo...

Pedro, onde você vai eu também vou
Mas tudo acaba onde começou

Todos os caminhos são iguais
O que leva à glória ou à perdição
Há tantos caminhos tantas portas
Mas somente um tem coração

E eu não tenho nada a te dizer
Mas não me critique como eu sou
Cada um de nós é um universo, Pedro
Onde você vai eu também vou

Pedro, onde você vai eu também vou
Mas tudo acaba onde começou
É que tudo acaba onde começou
Meu amigo Pedro..."

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Nao vou para Passargada

Com os animos as pampas, muitas metas a bater, relatorios a enviar e TPM em proporcoes estratosfericas, veio uma constatacao: Nao posso confiar em varias das pessoas que me cercam por quase 12 das minhas 24 horas diarias!


Ok! Ok! Quem nao quer crescer, evoluir, apresentar os melhores resultados e ser reconhecido por isso? Todos queremos! Eu apenas nao concordo com os jogos-sujos que tantas vezes nos impoem; com o disse-me-disse sempre alimentado por alguma pessoa de carater refutavel; e com o teatro feito por pessoas de poucos escrupulos!


Sera que apenas eu gostaria de viver em um ambiente mais ameno ou apenas ir para Passargada?


E foi assim! Eu ja estava de malas prontas : ia para Passargada (pra quem nao se recorda, eh o reino feliz inventado por Manuel, o Bandeira; para quem nao sabe, ele foi um poeta maravilhoso). Queria escapar desse reino das frases feitas e infelizes e das atitudes grotescas, dos reis feios e soberbos, das explicacoes cabotinas, da falta de providencias e de autoridade, da euforia apoteotica de um lado e da realidade tao diferente do outro.


Passargada podia ser um bom lugar, onde se acredita nas instituicoes e nos lideres, onde vale a pena ser honrado e os malfeitores vao direto para cadeia, onde se tomam providencias antes que tudo desabe. Lah, ao contrario daqui - onde a manada se divide entre os ingenuos, os que sabem das coisas e se conformam e os aproveitadores -, autoridade serve para cuidar bem do povo e decoro eh simplesmente decencia.


Na minha nova patria talvez pudesse fugir das mesmisses que ameacam transformar-se num tristissimo tedio. Talvez pudesse escrever apenas sobre o que faz a vida valer a pena e ate sobre a dor (mas que seja uma dor decente). Nem problema de transporte eu teria: para Passargada se viaja com o coracao e o pensamento.


Na minha terra - onde tem palmeiras e o sabiah canta -, cresce a economia e encolhe a respeitabilidade; pisca uma luzinha de esperanca, mas a sinceridade extraviou-se. Poucos andam a sua procura!


Eu ia embora porque enjoei dessa repeticao obsessiva de fatos que provocam insonia no noticiario da noite e nausea do cafe-da-manha. Ia partir sem endereco, sem telefone e sem email. Levaria comigo passaros, palmeiras, criancas e essa paisagem diante da minha janela (com o sol tocando o mar no horizonte, porque ai eh de uma beleza pungente). Levaria familia, amigos, livros, musica e o homem amado. Ah, e as minhas velhas crencas de que nao somos totalmente omissos ou sem carater, portanto as coisas ainda teriam jeito, embora nesse momento me restem duvidas.


Achei que em Passargada eu correria menos risco de me tornar descrente: "eu, que detesto ceticismo e nao vivo bem com os pessimistas, agora tenho medo de me contagiar".


Mas entao, entre a negacao dos problemas e as afirmacoes estapafurdias que venho ouvindo nos ultimos dias, soprou-me um vento de lucidez e autoridade. Resolvi colocar a casa em ordem! E assim, na ultima hora, eu decidi ficar. Acho que me sentiria como quem deserta de um grupo com o qual tem lacos muito fortes. Com as pessoas que tenho aqui e ao meu lado tem sido imensamente estimulante partilhar alegrias e preocupacoes, descobertas ou receios. Afinal, tambem faco parte dessa selva de pedras; um lugar que com decoro, firmeza e vontade, sera melhor que qualquer Passargada inventada.


E como ninguem eh de ferro, muito menos eu, nao vou-me para Passargada, mas passarei o feriado em Jeri, quem sabe eu talvez relaxe um pouco e consiga canalizar melhor minhas energias...

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Soh mais uma de Cecilia...


Eh incrivel como me identifico com Cecilia. Ela realmente me entende!

Acho ate que alguns de seus poemas foram feitos sob medida pra mim...
Ok! Ok! Eu sei que eh muita pretensao de minha parte. I know it! Mas vamos ao poema da semana:
"Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)

No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso."

(Cecília Meireles)


E viva Cecilia!!!
Qdo eu crescer eu quero ser assim!!!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Lampejos de uma velha infancia...

Ontem me peguei arrumando minhas gavetas. Quem diria... logo eu, q destesto arrumar qualquer coisa, dando uma geral no meu quarto (que tava um chiqueiro, diga-se de passagem)... Me surpreendi com o que achei! Acho que minhas gavetas nao eram arrumadas ha anos... rsrsrs

Achei meu primeiro boletim com todas as notas azuis! ainda se fala em notas azuis? costumavam ser as melhores notas (e eu realmente era uma aluna exemplar!);

a primeira rosa que ganhei de um paquerinha do colegio... lembro desse dia como se fosse hj, fiquei roxa quando ganhei do Ialan uma florzinha tirada do canteiro da escola (hj esta seca e embalada com papel adesivo), achei tb uma foto nossa vestido de casal caipira na festa junina do jardim II...

o travesseirinho do primeiro berco do meu irmao (com a fronha original e o nome dele bordado!), da ate p sentir o cheirinho gostoso da minha infancia... suspiros...

achei tb umas fotos 3x4 dos meus coleguinhas da alfabetizacao (nao vou citar a minha foto pq eu fui uma crianca realmente muuuuito feia!)

um diario antigo cheio de recortes e clips coloridos... como era legal fazer diario!

varias daquelas folhas que passavamos pros colegas no ultimo dia de aula pra que eles nos mandassem recadinhos... ri muito relendo todos!!! como eu me divertia... achei ate um caderno de disparate beeeem antigo!!! Eh o nooovo!!! rsrsrsrs

Vaaaaaaarios cartoes de aniversario, muitos deles escritos em papeis de carta... pasmem! Achei ate um poema que ganhei de um amiginho antigo... ele escreveu soh p mim, e ainda desenhou e pintou com lapis de cor! Q liiiindo! Ahhhh, achei tb um soneto que ganhei tb do Ialan! (siiiim! um soneeeeto!)

achei o convite da primeira eucaristia da Barbrita (nossa, eu filei a festa da menina e mandei as fotos pra voinha como se a festa fosse minha... hehehehehe), como eu sinto saudades da Barbara!!! Tb da Lianinha, a garota com cabelos vermelhos e um jabuti de estimacao!

Achei parte de um poema que meu voinho escreveu p mim quando eu nasci (a folha de caderno esta tao velha que esta se rasgando sozinha... =/), parece ate que consigo ve-lo se materializando na minha frente...

Achei tb varias fotos p&b da epoca da fazenda, das plantacoes de pimenta do reino, dos porquinhos, dos bois que quase mataram meu irmao atropelado mum dia de travessuras, do meu primeiro cavalo manga-larga que batizei de "egua lora" (ainda sinto o vento que batia no meu rosto quando eu cavalgava pelo pasto), da minha familia de Belem, da casa de Mosqueiro, das minhas travessuras com o Kadu (meu primo querido), da nossa primeira mesa de sinuca, dos interminaveis churrascos no sitio do tio Americo e dos amigos lindos do Tchelo (ai como eu suspirava por eles...), lembro ate das nossas noites jogando domino, quando o Tchelo perdia soh pq sabia q eu adorava ganhar!

Ai como eh bom ter familia grande! Fecho os olhos e consigo lembrar o cheiro do peru da Jacira nas festas de Natal, do bacalhau sempre salgado d+ da voinha, dos milhares de perfumes musk da avon que a Mitoca me dava e que eu achava horriiiiiiivel mas usava pra agrada-la... lembro do cheiro de naftalina do guarda-roupa da minha voinha e que seeeempre entupia meu nariz, do talco da turma da monica que meu voinho passava no pescoco, dos cremes rinse que a tia Fafa botava no meu cabelo pra ver se melhorava... rsrsrsrs, doce ilusao!

Lembro ate do voinho com o bigode cheio de cobertura de bolo saindo do quarto onde tinha comido escondido meu bolo de aniversario antes dos parabens!!! hehehehehehehehehehe ele sempre foi um jovem senhor com alma de crianca! Lembro do velho Pita me ensinando a nadar nas aguas calmas e doces dos igarapes de Belem e eu sempre a perguntar porque a agua do mar de Fortaleza era salgada e a de Belem era doce... rsrsrsrs e a resposta era sempre a mesma: "seu voinho mandou adoca-la soh pra vc, minha netinha querida!"... e eu me sentia a crianca mais amada do mundo todo!!!

Lembro dos postais que o tio Bebeto mandava de cada lugar do mundo que ele visitava (ficava sempre me imaginando em todos aqueles lugares), lembro do poster do tio pascoal vestido de beca na parede do escritorio, da foto do tio Afonso que soh lembro de ter conhecido em outros tempos, lembro muito do tio Paulo cantando preu dormir: "i don't wanna stay here, i want to go back to Bahia..." (adoooooro o tio Paulao!), me recordo dos cartoes de Natal que a familia Dutra costumava mandar para as familias amigas com a assinatura de todos, eles vinham da grafica tao bonitos (tradicao essa que nao devia ter se perdido!), lembro ate do Vitim chutando a canela da geral... hehehehehe menino malvado! rsrsrsrs, lembro da Tata, da Mimi e do Jorginho, achava os 3 tao lindos! Lembro da Rafa escondida atras de seus oculos, da gargalhada da Gabi, da roupa de piloto da Ferrari do Kadu! Lembro ate do anel de bicheiro do tio Jorge, de ouro e beeem grande com o simbolo da maconaria.

Lembro do cheiro da minha arvore, da minha palmeira em cima do morro, no pecem, onde um dia eu gravei "Roberta x Fabio", do nosso balanco, das nossas risadas, dos cremes de galinha da tia Toto, das tortas de morango em dias de aniversario, da primeira caipirinha que bebemos... e dps disso nao parei jamais... hehehehe, dos varios carnavais que passamos no Manoel Lucio, do muro branco de coracoes... era tao bom nadar naquelas pscinas que se formavam no meio da areia, subir aquelas dunas, escorregar por entre as frestas... Lembro do quanto nos divertiamos vendo Juba e Lula!

Foi muito bom relembrar o que julguei ha tanto tempo esquecido, reviver aqueles que momentos de olhos fechados. Em alguns momentos quase pude tocar meu passado e as pessoas que jah se foram... Por um momento foi possivel sentir os aromas e sabores da minha infancia, escutar as risadas e enxergar os sorrisos largos, sentir o cheiro do bolo de fuba...

Descobri que eh sempre muito bom olhar pra tras e ver tudo aquilo que construimos... e se por um acaso alguem do meu passado receber uma ligacao repentina, serei eu, ligando apenas para escutar sua voz, fechar os olhos e sorrir... simplesmente sorrir!
Enfim, "bring it back, bring it back, don't take it away from me because you don't know what it means to me".

E apenas pra terminar esse enredo, segue o trecho de duas musicas que ofereco ao meu irmao que esta longe e a todas as pessoas que me fazem falta...

Pro negu:

"onde vc estiver, nao esqueca de mim
com quem vc estiver, nao se esqueca de mim
eu quero apenas estar no seu pensamento
e por um momento pensar que vc penca em mim..."
Pra todos:

"Não se admire se um dia, um beija flor invadir
A porta da tua casa, te der um beijo e partir
Foi eu que mandei o beijo que é pra matar meu desejo
Faz tempo que eu não te vejo, ai que saudade di ocê
Se um dia ocê se lembrar, escreva uma carta pra mim
Bote logo no correio, com frases dizendo assim
Faz tempo que eu não te vejo, quero matar meu desejo
Lhe mando um monte de beijo ai que saudade sem fim "
Pra uma pessoinha em especial:
"na despedida fez um dia lindo,
quem sabe tudo estara sorrindo quando eu voltar..."