organizando os ingredientes

Este blog é escrito por Roberta Dutra. Nasci em Belém do Pará e passei maior parte da vida no Ceará, me mudei algumas vezes, viajei pelo mundo outras tantas e atualmente moro em Santa Catarina. Cresci em família grande, com muitos primos, primas, tios, tias e mais uns tantos agregados das mais variadas espécies. Tive uma infância plena e feliz e hoje, embora seguindo feliz, sofro muito de saudade. Registro aqui algumas impressões peculiares sobre a vida e seus desdobramentos, sobre o cotidiano e alguns tantos textos escritos para algumas pessoas em particular que exerceram e ainda exercem grande influência na minha vida, além de fazerem parte das minhas melhores lembranças, é claro! Não tenho grandes pretenções literárias, gramaticais nem sequer ortográficas, mas escrevo com muito amor, que é o que todo mundo precisa. Resumindo, mantenho o blog como meio de comunicação entre amigos e famíla distante e possíveis interessados. Entre e fique a vontade...

be my guest!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Lua e estrela

texto escrito pra Big Cocas em 22/ago/2011

Dia desses recebi um convite muito elegante; desses pretos, capa dura, fotos ultra brilhantes e letras em dourado e vinha com meu nome completo. Era um convite pra uma feira de móveis, com as melhores marcas da região, um evento desses badalados. Entrada controlada mediante convite exibível, buffet selecionado, móveis com assinatura...

Não sei onde conseguiram meus dados, talvez tenha preenchido o perfil de vaca solteira, encalhada, insuportável e condenada a viver só e cercada de artigos de luxo na tentativa de compensar vazios psicologicos incomensuráveis. 

O fato é que eu estava alí, bem em frente ao modero de escritório 'do momento'. A vendedora insistia em me convencer do DNA verde dos materiais super nobres, da mega funcionalidade, design arrojado e devidamente provido de assinatura de luxo e um blá-blá-blá eterno que há tempos não me convencia, uma vez que os preços dos porta-retratos começavam quase na casa dos cinco dígitos (antes da vírgula!). Logo, nem ousei perguntar o valor da estante de Mogno. Possivelmente infartaria antes de sacar o talão de cheques.

Olhei, circulei pelos ambientes 'sensação' e ambientalmente corretos e voltei pro mesmo lugar, pra frente do tal escritório. Olhei a grande cadeira de couro, a mesa ampla e espaçosa, a sobriedade dos móveis e lembrei do 1301.

Lembrei da nossa mesa pequena e entulhada, da cadeira meio torta, do computador que insistia em travar e da insustentável leveza da nossa felicidade. Lembrei-me das tantas vezes que corremos pra baixo daquela mesa para chorar lamúrias e divagar sobre nossos ais. Corriamos sempre prali. Fosse pra contar moeda e constatar mais uma vez em pleno dia 10 que não chegariamos nem perto do fim do mês com dinheiro, fosse apenas pra contar as novidades e fazer planos de dominar o mundo. Muitas das vezes nos amontoavamos ali só pra tirar um cochilo depois de almoçar aquela marmita horrorosa de 4.50 brl que encaravamos dia após dia porque você tinha que alimentar o David e o Gustavo (que eu insistia em chamar de Felipe sabe-se lá Deus porque), a Loutien wet cat precisava financiar os estudos do Dubito e eu, bem, nunca fui de controlar minhas finanças e parceria nunca me faltou.

Pensei imediatamente no meu escritório atual e não pude não traçar um paralelo. Hoje, escritório bonito, colorido, arrumado e planejado e com a dadeira de couro que eu sempre quis. Àquela cadeira de 'principal' que sempre esteve nos meus planos... risos!

Indeed, hj sento numa cadeira de Boss, laptop de ultima geração e que sejamos francas, nem sei usar metade dos aplicativos, carpetão novo e sem manchas... Mas o fato é que nunca me refugiei embaixo da minha mesa atual. Lá sobra espaço e falta coração. Lá, falta você! Quisera eu ainda ter seu ombro amigo pra secar minhas lagrimas, seus ouvidos incans;aveis e seus abraços ternos. Quisera eu poder carregar meus amigos todos comigo, mas não posso. Ainda não.

Por anos aprendi a não falar o que sentia por mais que doesse ou me fizesse profundamente feliz afinal de contas, boys don't cry! por vezes, enviei discretos sinais aos amigos, que não não percebiam, me endureciam um pouco mais. Quanta bobagem!

Senti falta dos nossos choros, das gargalhadas, dos cafés na copa, das paródias, da presença de espírito do Zé Vieira, da tranquilidade do Avilanet, dos meus erros e acertos com o Franklinho, da usual boa vontade do Hannax, dos regimes do além da Wet cat e de você me ensiando a ter calma, porque tudo nessa vida tem sua hora. Senti falta do apoio e incentivo recíproco, do GCI nas horas impróprias que serviam pra quebrar o gelo, do pai babalaô e de sua eterna perseguição ao meu ser e até da 'minha tia' (mas esta última só como figurante mesmo). Foram tantos bons momentos que só lamento ter tardado a reconhecê-los como amigos verdadeiros. E lamento ainda mais por não aparecer nem ligar tanto quanto eu gostaria.

É, minha amiga Big Coconut, não mais me aperto entre mesas e cadeiras e nem preciso mais encarar aquelas marmitas com carne de monstro. Hoje, pelo contrário, sento-me em largas e confortáveis cadeiras e faço minhas refeições nos melhores retaurantes da cidade... sozinha!

Hoje, a excessão dos almoços com clientes, não tenho com quem dividir a comida 'phyna' e sofisticada. Não tenho com quem chorar embaixo da mesa e nem com quem rir na copa e falta-me tempo pro usual cohilo. Não tenho sequer alguém pra tornar o alvo das chacotas até porque teria de fazê-las as paredes. Não conto mais com a paciência de Jó da Lu me ensinando a rezar, nem com teus bons conselhos e nem o 'coaching' campeão do Tche.

Por aqui está tão frio e sequer sei dizer se faz mais frio do lado de fora da minha blusa ou se dentro do meu coração. Provavelmente competem. Mas tudo é ciclico, e por ser natureza dos ciclos passar, até lá, farei modestamente o que tem de ser feito e apanharei os pedaços que perdi em minhas andanças.

Volto em setembro por um par de dias! Espero conseguir marcar pelo menos um almoço pra tentar diminuir a saudade. Volto porque nostalgia é o que nos faz pertencer a um lugar.





quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Um homem precisa viajar

texto escrito pra minha mãe em 21/junho/2011

E ela se foi eja me sinto azás saudosa. Foram muito bons os dias juntas. Relembramos os tempos em que moravamos todos sob o mesmo teto, quando as refeições eram feitas em conjunto, todos sentados a mesma mesa e TV era proibido na hora do almoço porque era o momento de desfrutar a família, colocar a conversa em dia e compartilhar aquele sentimento de unidade que sempre nos foi tão peculiar.

Voltei a sentir falta de coisas que outrora me desagradavam. Dos beijos de bom dia as 6h da madrugada que me acordavam desnecessariamente tão cedo. Dos puxões de orelha quando andava preguiçosa. Dos esporros que tomava quando chegava em casa bebada da festa. Dela me pentelhando porque precisava sair menos e juntar grana pra comprar um apto. De todos deitados na minha cama vendo Faustão quando tudo que eu queria era me trancar no quarto, me esticar na minha cama e ler um bom livro sem escutar a voz de ninguém. De todos os domingos que fui a missa obrigada porque um homem precisa ter fé em alguma coisa. E ate da mesma pergunta que ouvia todo dia "como foi seu dia?" quando tudo que eu erroneamente julgava precisar era de um momento de silêncio e reclusão pra organizar as idéias. De onde surgia a falsa  ideia de que as outras coisas eram mais urgentes que compartilhar as impressoes sobre os meus dias com ela?

De fato, só se sente saudade do que foi bom mas ninguém pode viver de saudades. Metade do meu chão ficou naquele aeroporto quando a deixei partir sem dizer que eu sempre vou precisar de seus conselhos e atenções, ainda que eu nãos os solicite nem demonstre. Ainda que não tenha chorado, e jamais o faria na frente de quem quer que fosse por pura e ridicula blindagem, metade do meu ar ficou ali e voltei pra casa sufocada por tudo que nunca consigo falar. Nunca um dia de trabalho havia sido tão longo e nunca uma noite demorou tanto a passar. Cheirei os lençois com seu cheiro e chorei até cansar e dormir, quase vendo o dia nascer.

Quando perguntada sobre o porque de sair de casa pra ir moprar sozinha e tão distante e contabilizar incontaveis perrengues apenas consegui responder que liberdade eh pouco pra mim, preciso dominar o mundo e caminho sempre em frente ainda que não saiba onde vou. Tudo errado! Na verdade deveria ter dito que não é desapego ou falta de amor. Nunca o foi. Preciso apenas viajar com meus próprios olhos e pés pra descobrir o que é meu de fato e de mérito. E vou em frente por ser um jeito absurdamente simplista de fugir dos meus pavores e buscar o que ainda não sei, mas sinto.

Quiça retrocederia se tivesse a plena convicção de que lá seria melhor, mas não a tenho. Os bons momentos sempre seguirão comigo, as lembranças, os cheiros, os sorrisos, os sons. Todos esses grandes momentos feitos de amor e carinho são para m im recordações eternas. Ainda assim, preciso viver minhas alegrias tão intensas, minhas tristesas absolutas e esvaziar-me um pouco de meus excessos e urgencias infindas porque metades nunca foram meu forte.

Hoje entendo e enxergo claramente, ainda que a custa de muita saudade, os ensinamentos do meu Pai, quando do jeito dele, dizia e demonstava que um homem precisa romper barreiras e viajar para lugares que não conhece pra quebrar a arrogancia que nos faz ver o mundo como imaginamos e não simplesmente do jeito que é ou pode ser.

Como diria Saramago: Familia, que bom se fossem eternos, mas não são. Eles são do mundo. Pena que meu coração é deles. Suponho que não seja uma questão de entender metricamente, mas uma questão de apenas sentir. Preciso continuar conhecendo o frio para desfrutar completamente o calor e preciso ainda sentir a distância e o desabrigo e a falta do calor da minha fámilia para estar finalmente plena sob meu próprio teto.

Não Mainha, nunca foi desamor ou falta de apego, é apenas parte de uma jornada pra tentar entender as minhas urgências, plantar minhas próprias arvores e pra que eu possa dar pra voces, minha familia tão amada, o que ha de melhor em mim e ainda não consigo expressar.

Acho que era isso que queria ter dito ao inves de apenas um tchau.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Procurando meu aquário

Keith Richards sempre foi meu idolo. Obviamente nenhum exemplo a ser seguido ao pé da letra, mas definitivamente uma pessoa 'habité' que sempre mostrou direitinho a importância de achar seu próprio aquário, aquela área protegida onde sabemos extamente o que e como temos de fazer. Considerando meus perrengues e perhaps atuais acho que tudo isso diz respeito a sensação de deixar o tigre sair da jaula.


Sempre antes de uma reunião cascuda, uma apresentação de TCC, uma avaliação de resultados, um primeiro jantar romântico... enfim, antes de encarar uma platéia ou uma pessoa importante me sinto nervosa, uma versão do velho e emocionante nó no estômago.


O fato é que sempre me senti bastante confortável para o que encarar o que viesse pela frente, mesmo quando fazia merda e tudo. Não sei se por uma questão de educação, convívio com muitos amigos homens, primos, tios, pai, irmão e pouquíssimas referências femininas, sempre me senti como um cachorro grande que mija em todos os cantos pra demarcar território, que sempre tem o mando de campo deixando claro que enquanto estiver por ali, tudo estará sob controle. E, no final das contas, o pior que pode acontecer é eu estragar tudo. Fora isso, curtir muito tudo!


A medida que passam os anos aumenta a tal da pressão por casamento organizado e cheio de convidados, bens acumulados, família de comercial de margarina, casa perfeita e filhos com medalhas... O perigo mesmo é se deixar seduzir pela fantasia e aceitar qualquer coisa, até por que o não vivido parece irresistível.


Sendo bastante prática, fui tia 3x esse mês, acabo de ser convidada pra ser madrinha de casamento do meu irmão caçula e definitivamente estou a-do-ran-do a idéia! Penso inclusive em dar de presente uma cama redonda de casal com um mega espelho de teto e é claro, uma mega despedida de solteiro pros dois - separadamente!


A grande questão é seguir ou não um ideal e isso, nem de longe, é uma questão fácil de se resolver! Gosto muito de bradar aos quatro ventos que sou dona do meu nariz e afirmo isso com bastante propriedade. However - e sempre existe um however pra acabar com a cidadã - é evidente que sou livre até a pagina 3 porque tenho que trabalhar, cumprir horários, estudar, ginástica, muitas contas a pagar...


No fim da festa tudo volta a cair na esfera das escolhas, da liberdade que implica responsabilidade. Buscar a perfeição e se cobrar demasiadamente, além de ser um saco, beira a loucura (conclui isso recentemente) e tem o peso de uma certa solidão e insegurança. Paro, pondero, e vejo que posso passar a vida chorando pelo que não fiz e ser absolutamente infeliz com qualquer das escolhas. Mas, a partir do momento que escolho, tem de ser bom! E eu realmente aposto todas as minhas fichas nisso.


Queimaram os soutiens e vamos ficar nessa? Não que eu seja uma feminista extremada, não passo nem perto disso, mas porque não ter tudo ao mesmo tempo, ainda que por tempo limitado? Quem falou que não era possível? Escutei esses tempos da boca de um cidadão, metralhando impunemente a queima roupa, que eu assutava os homens! Mas que raio de homem é esse que se assusta? Certamente o homem que eu não quero por perto! Alguma coisa de errada em escolher tocar a vida sem necessariamente projetar o sucesso e a felicidade na presença e obrigatoriedade de um par? Eu estou louca? Será que só eu penso assim? E voltamos a tal questão da liberdade de escolhas...


O importante é que elegi meu caminho e emprego todas as minhas fichas e energias nele - temporariamente ou não. No momento, só consigo pensar em dominar o mundo, coordenar todos os negócios possiveis, gerenciar novos projetos, uma viagem pra China (quem sabe?!), começar a pensar na publicação de um livro, na minha tese, compra do primeiro apartamento, ampliar meu networking... muitos planos e planejamentos, muitas portas se abrindo, uma curva ali na frente, e um só coração - como diria Raul (Seixas).


Com todo o máximo respeito às mulheres que só conseguem pensar em um vestido branco, igreja decorada, casa cheia de filhos e um marido monopolizando o controle remoto - não sei o que vou encontrar pela frente e talvez prefira as surpresas e possibilidades, mas sei exatamente o que quero encontrar no final: Meu aquário!


E como diria Elis (Regina!): "Eu quero uma casa no campo onde eu possa compor muitos rocks rurais e tenha somente a certeza dos amigos do peito e nada mais. Eu quero uma casa no campo onde eu possa ficar do tamanho da paz e tenha somente a certeza dos limites do corpo e nada mais. Eu quero carneiros e cabras pastando solenes no meu jardim. Eu quero o silêncio das línguas cansadas, a esperança de óculos, um filho de cuca legal. Eu quero plantar e colher com a mão a pimenta e o sal. Eu quero uma casa no campo de tamanho ideal, pau-a-pique e sapê, onde eu possa plantar meus amigos, meus discos e livros e nada mais..."


E a única certeza mesmo é que para as terras de onde vim, voltarei! E certamente encontrarei os mesmos amigos de sempre, com o mesmo sorriso e boa vontade ede braços abertos pra me receber...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

medo de amar




Outro dia, uma pessoa chegada perguntou-me qual havia sido a ultima vez que eu havia me apaixonado pra valer. Num primeiro momento deu vontade de rir e perguntar se era um disparate (aquele caderninho com perguntas insanas que respondiamos no colegio...), depois achei que seria consideravelmente facil de responder, mas pra minha surpresa tive realmente que parar pra pensar num assunto que me parecia tao obvio e que, por algum motivo que eu desconheco, nao me gerou lembranca alguma...

Ok, a gente passa voando pelos dias e tentando dar conta de tudo - e isso realmente nao eh facil: trabalhar, trabalhar, trabalhar, e, no que resta do tempo, fazer supermercado, ligar pra familia, sair com os amigos, se depilar, fazer as unhas, arrumar os cabelos, se exercitar, ler jornais, estudar, estudar, estudar... E de repente me vem alguem com uma pergunta capciosa dessas?

Revirei todo o meu inventario de emocoes, tentei achar lembrancas da ultima vez que senti borboletas no estomago e nada feito! nao consegui lembrar de quando foi a ultima vez que acordei e dormi pensando num mesmo alguem. coisa mais dificil! exceto as vezes que fico bebada e me declaro pra alguem (sim, quando bebo eu amo todo mundo!), realmente nao lembro quando o fiz sobria e sinceramente e nem quando fiquei dependente de uma presenca masculina constante (se eh que eu ja fui assim um dia...).

Por um momento me senti meio perdia, mas por fora que bumbum de nenem. óumaigódi! Como eu saio desse engarrafamento de emocoes? As vezes tenho vontade de perguntar pro casal apixonado que fica aos beijos na parada de onibus (inveja quase mata! adimito!): "o que eu faco se quiser ter um relacionamento monogamico e estavel com alguem que me resgate dos arranques e freiadas em demasia desse meu coracao mal-regulado?"

De fato, meus ultimos, penultimos e antipenultimos relacionamentos se deram muito mais por amizade e afinidades e carencia momentanea balizado por uma dose de conveniencia, do que propriamente por paixoes arrebatadoras. Mas qual o problema? Nao existe um grande extase em oxitonas, paroxitonas e proparoxitonas... Hummm, nao sei se gostei de constatar isso ou nao, na verdade nem sei se isso eh bom ou ruim.

Mas e ai? Devo seguir em frente pelo mesmo caminho racional e sincronizado tao costumeiro? Devo me emaranhar por ruas desconhecidas e tentar descobrir o que elas me revelam ou escondem? E se eu me atrasar? E se eu me perder e ninguem der por minha falta? Aqui onde estou, estou em seguranca, mas nao ando, nao vivo... direita ou esquerda?

Queria poder partir, poder ficar, poder fantasiar sem nexo, mas nao ha lugar pra lamurias e calunias, essas nao caem bem. Mas e porque nao me reinventar? Por isso eu corro demais!

Via de regra sou explosiva pra defender minha familia, pra proteger os amigos e chegados e ate pela causa perdida do desconhecido que prostesta sei la pra quem, mas pros meus assuntos pessoais, amorosos e intransferiveis... bem, isso sao outros quinhentos, outro capitulo prum domingo chuvoso.

Voltando ao assunto e fazendo um tanto esforco, lembro que ja me apaixonei sim, pelo Ericuzinho! Mas isso foi aos 19 anos... ainda vale? Lembro sim, lembro de cada detalhe. Sempre que precisava fugir acabava na cama dele, bem no 602. Bastava olhar aqueles olhos azuis - my pale blue eyes que ele sempre insistiu em dizer que eram verdes - que tudo fazia sentido, tudo passava a ter cadencia. Lembro que o melhor cheiro do mundo era o dele quando saia do banho com aroma de Dove. E ate as inumeras noites de sono perdidas por causa do ronco do filho alheio me davam disposicao pro dia seguinte.

Sim, eu me apaixonei perdidamente por aquele sorriso, pelos olhos reveladores, pelo violao nas noites de frio, pelos chicos e caetanos sussurrados ao meu ouvido nas luas cheias, pelos abracos e por todas incontaveis vezes que matei aula na faculdade pra me trancar naqueles 10 m² tao ou mais acolhedores que colo de mae.

É, lembrando disso tudo vejo que meu mundo se resume a palavras que me perfumam, cancoes que me comovem, paixoes que ja nem lembrava, perguntas sem respostas, respostas que nao sei ou nao me servem e a constante perseguicao do que ainda nao sei. Preciso encontrar o que eh fogo e terra dentro de mim e ainda nao enxergo, mas sinto.

Se vivi isso novamente, adimito que teve o peso dos anos passados e a tranquilidade que eles trouxeram. A urgencia de outrora hoje se traduz em resiliencia. Sei que vai dar certo, mas num ritimo nao tao peculiar aos meus atropelos afetivos.

"Nao eh que eu nao confie em voce. Eu confio. Eu nao confio eh no destino que costuma separar pessoas que antes pareciam indissoluveis."

Sigo olhando pro celular que nao toca, digitando mensagens que nao mandarei, checando a tela do msn que insiste em nao piscar numa agonia pacifica que eh mais estranha que eu mesma. E sigo aqui, no 804, esperando algo acontecer antes do ocidente se assombrar...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

strawberry fields

texto escrito p/ Nathalia Jereissati em 09/maio/2011

Eu hoje joguei tanta coisa fora, relendo os bilhetes e cartas, vendo as fotografias, as pessoas que foram embora, as que eu deixei pra tras; eu penso no que eu fiz.

Se teve uma coisa que eu aprendi, a duras penas nessa vida, foi que ninguem precisa se assustar com a distancia, os afastamentos que acontecem e que as vezes sao inevitaveis. Tudo volta! E voltam mais bonitas e mais maduras.
Sou mais credula do que cetica e creio profundamente que amizade nao se mede pelo tempo e espaco, e sim pelo amor que carrego no peito por meus amigos e pelas minhas cores que reconheco neles. Minha alma nao se encontrou ainda mas julga haver-se reconhecido em cada uma de nossas lembranças. E a presença é, antes de tudo, de espirito.

Redundante seria dizer que meu maior desejo era de que nao acabasse jamais: as visitas, os sorrisos, os pensamentos compartilhados...

Nas noites em camera lenta, espero por "meu(s) bem(s)" e num ultimo esforço tento inventar alguma coisa, um pensamento que me distraia. Inutil, eu soh sei viver!

O caminho de Floripa a Balneario nunca foi tao distante. A manha tardou a chegar e nao encontrei resposta em mim. Talvez seja apenas mais um talvez, tentando ser certeza. Tentando ser pra sempre, e parando sempre no meio do caminho. Nao importa o quanto va durar - eh infinito agora!

É, confesso que vivi... e que vivemos! E, embora estejamos em momentos diferentes, se eu tivesse que fugir da minha vida seria pra tua casa.

"Always, no, sometimes, think it's me, but you know i know when it's a dream. I think, er, i mean, er, yes, but it's all wrong. That is, think, i disagree. So let me take you down 'cause i'm going to strawberry fields. Nothing is reals and nothing to get hung about, strawberry fields forever..."

O ceu de Icaro tem realmente mais poesia que o de Galileu e existem razoes para acreditar!

See you soon, i hope...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Meio barro, meio tijolo





Sabe aqueles dias que voce ta meio la, meio ca, meio sem muito afim e meio com vontade de tudo ao mesmo tempo, uma agonia de dar dó? Pois eh, estava assim esses dias: meio barro, meio tijolo, sem saber o que queria e sem saber se tinha feito mesmo a coisa certa… muito embora eu sempre tenha la minhas ressalvas sobre “coisas certas”…


Nao era fome, nao era sono e nem tao pouco falta de tempo ou depressao, era soh vontade de me desligar um pouco do mundo. Afinal de contas, como diria CFA: “Tenho tudo pronto dentro de mim e uma alma que soh sabe viver presentes. Sem esperas, sem amarras, sem receios, sem muito sentido e sem passados”.


Pra variar, liguei pra Xuxu, porque se ela nao me entendesse, nem eu teria capacidade o bastante para fe-lo, e ainda assim me bastaria soh ouvir sua voz, uma vez que nao ter a compreensao nao teria a menor importancia nesse momento, ja estou acostumada a imcompreensao alheia mesmo. Conversa vai, conversa vem, muitas risadas das minhas mareadas e tocos sem fim, enrroladas e afins… enfim, (ficou meio cacofonico, mas to bem sem paciencia e imaginacao pra ficar refazendo texto!) pretendia mesmo era descobrir no ultimo momento se o tempo refaz o que desfez e chegamos a conclusão de que: “o problema de começar uma relação agindo como homem é que sempre termino agindo como uma mulher. Não se pode enganar a natureza”.


De fato, isso faz todo o sentido pq embora nao me permita entristecer por nada, e nem ninguem, assumi meu destino de mulher totalmente independente porem profundamente incompreendida e tenho me carregado um tanto perdida e pesada por esses dias afora. Talvez precise mesmo eh de bracos fortes, maos quentes e de colo pra me deitar. Alguem que chegue perto de mim, me olhe, me toque, me fale alguma coisa ou nao, mas que chegue perto de mim. Afinal de contas, como diria Tati Bernardi: “Amores superficiais a gente ama em cima do edredon. Lençol eh coisa séria!”


Sera que as pessoas mudam de comportamento quando se sentem seguras do afeto alheio? Arhhggg, ando com minha cabeça ja pelas tabelas e alem de pensamentos, queria outros ruidos na mente, mais profanos e menos confusos! Ha dias em que o silencio eh realmente a melhor maneira de tornar tudo menos distante…

Como diria Osho: confusao eh um estado de mudanca. Tomara que seja mudanca p melhor... pq o ano do coelho era pra estar sendo muito melhor que o do javali! affffffffff


A realidade mesmo eh que ninguem aguenta mais (pelo menos, eu nao!) homem falando que esta trabalhando demais, que nao sabe se relacionar, que fica inseguro com um mulher incrivel, ou que a culpa eh do timing… parem com isso!!!! Nao aguentamos mais os clichés: o problema nao eh vc sou eu, vc eh a pessoa certa no momento errado, seu horoscopo nao combina com o meu ou tento nunca magoar ninguem mais acabo magoando. Siiiiiiiiiiim, eu sei que sou uma pessoa incrivel e que nao mereço ser tratada com descaso. Agora, por favor, me conte uma novidade!!!!


Entendo perfeitamente (mudei o texto p 1a pessoa, sorry, estou exaltada… exaltacao reprimida ha dias mais a TPM…) que nao da pra dizer: Poxa gatinha, enjoei! Realmente se ouvisse isso com essas palavras, embora o resultado final seja o mesmo, me absteria completamente dos finais de festa e das trepadas esporadicas. Tudo bem que nao da pra ser tao direto assim, mas as pessoas realmente podiam ser um pouco mais criativas. E lanço uma nova campanha: troquemos os velhos eufemismos e metaforas!!! Vamos nos manter educados abrindo maos das frases feitas de sempre (e de extreme mal gusto, diga-se de passagem!), e sendo assim proponho algumas desculpas esfarrapadas que vao ser a sensacao do verao 2012:


• Eu curto gordas, vc eh sarada demais pra mim! (perola de tati bernardi)


• Sou platonico, curto tea mar de longe. (e nesse caso, quanto mais longe melhor)


• Sou uma pessoa muito doente e meu medico me receitou um prato de comida mais colorido: loiras, ruivas, negras, pardas…


Pra tentar amenizar a agonia, obviamente acendi aquela vela de 7 dias pro anjo da guarda (estava realmente em falta com ele nos ultimos tempos…) e num ultimo suspiro de fe, rezei fervorosamente e pedi pra que ele trouxesse pra perto alguma parte de mim, algum dos meus amores-almas-gemeas que moram longe. E se foi providencia divina eu não sei nem duvido, só sei que meu Xuxu vem na proxima semana e ha grandes possibilidades da Nath chegar tambem! Dizer que estou chocando um ovo de tanta felicidade seria absolutamente redundante… Estou tanto que nem caibo em mim, soh rindo pro tempo e pro vento e contando os segundos pra semana que vem!!!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Do jeito que o coração manda






Quanto tempo eu já perdi na vida? Se somar os minutos jogados fora, as horas perdidas no trânsito, os momentos de duvidas e ponderações em demasia, as decisões proteladas, a demora pra entender certas coisas e principalmente pra dar o braço a torcer... perdi anos inteiros!

Demorei pra deixar de ser uma criança dependente, uma adolescente teimosa, uma jovem imatura e quiça ainda seja tudo isso junto... Já demorei pra dizer que amava, pra reconhecer o fim de uma relação e costumo demorar ainda mais pra abrir a guarda para um novo amor. Já demorei até pra perdoar um amigo...

Até que um dia a gente faz 27, quase 30 e começa a pensar que talvez seja a metade do caminho e vê que o tempo não pode ser desperdiçado!

Não gosto de muita frescura, nem de muito discurso e nem mesmo de muito desgaste. Tudo o que eu mais quero é ir direto ao ponto, não dar voltas e voltas, ficar cozinhando em fogo brando e não desperdiçar mais nada! Quero queimar etapas!

Se alguém é bruto? Não convivo!
Se a resposta ainda não veio? Procuro!
Se ele está me enrrolando ou enrrolado? Queimo a largada e chego primeiro!

Não me sinto a vontade onde o sol tem dificuldade de entrar. prefiro praia, terrenos descampados, horizontes. Não tenho nada a ver com o que é dos outros. Não me envolvo com o que não me envolve. Se é sério eu me dôo, se acho que vale a pena me jogo e se acho bobagem me abstenho.

Também não tenho muito a ver com igrejas, rezas e penitências. Apenas tenho fé, me aceito impura, me gosto com pecados e há muitos me perdoei.

Paciência só pro que merece de verdade, pro que importa, pra ver o sol se por, pra ver a lua cheia de Ipanema. Paciência? Sim! pra sorver um cálice de vinho a dois... ou a cinco! Prum bom livro, praquela música que traduz minh'álma, pra escutar meus amigos, pra ligar pra família e prum fim de semana em Vegas! Paciência pra tudo aquilo que realmente vale a minha atenção. Pra todo o resto, atalho!

Afinal de contas, nenhuma pessoa é lugar de repouso. O silêncio? Sempre que realmente necessário. E no mais: comunicação, palavras e verbos em demasia! Porque eu sou muito e tanto, bem assim, coletico, plural e excesso!

Gosto de gargalhadas que não se constrangem, que não obedecem equações. Adoro gengivas a mostra e ombros colados. Isso sim compõe meu inventário de emoções e é nesses breves interlúdios que a vida acontece. São nesses poucos segundos que a vida aflora"com um abraço apertado, um sorriso sincero, aquele olhar que dispensa palavras e que me faz trazer de volta tudo aquilo que realmente me interessa.

E o tempo? O tempo não pára!
E o que se faz em Vegas, fica em Vegas!

... porque a gente se entende no olhar...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

chega de saudade!








Esses dias estava olhando uma lua cheia e pra variar liguei de madrugada pros meus Xuxus. Tudo bem que nao eh a melhor coisa do mundo receber uma ligacao na madrugada de domingo pra segunda, mas o sentimento era tao urgente que tive que ligar... Liguei pra contar as novidades, as lamurias, os planos, as amenidades, os ais, e pra ouvir a voz dos meus amores.

Na verdade liguei mesmo pq ja tava na 5ª taça de vinho verde, o preferido da Nath, e pq escrevi meu primeiro poema. Acho que estava deveras saudosa, olhei de novo as fotos do(s) carnaval(ais), de uns tantos churrascos, de uns tantos sambas, de algumas varias tardes de tequila e de uns tantos anos incríveis... vi as fotos da filha da Carlinha que eu nao vi nascer, da barriga da Kaka que eu tambem nao estou perto pra acompanhar nas consultas e nem na montagem do enxoval e que provavelmente tambem nao estarei por perto quando minha Leticia nascer e fiquei com o coracao apertado e tao pequeno que quase fiquei sem ar.

É, saudade de amigo é mesmo assim, é não se bastar mais, é depender de alguém pra continuar sendo. Ë depender de alguém até pra deixar de ser. Ë uma experiencia que não termina de terminar. É a sensacao de que posso me perder longe do que ja fui com eles. Ë agir solitaria no plural pq saudade é a soma daquilo que não somos quando o outro se afasta e daquilo que somos quando o outro está junto. É a certeza da minha insuficiência. E isolada tenho a sensacao de que não estou inteira! Carpinejando...

Enfim, liguei pra declamar minha poesia, mas como ainda estava incompleta, e quiça ainda esteja, preferi deixar pra depois. Ia entrega-la em mãos mas não me contive, escrevo aqui minha primeira poesia temporariamente acabada, que fiz pros meus Xuxus (Ariane e Rodrigo), pessoas sem as quais não conseguiria sequer enxergar meu reflexo no espelho. Pra Nath e Carlinha, meus eternos furacões, e pras minhas eternas-branquelas-anjos-da-guarda Beta Aline, Thethe e Kaká. E pra Jessica, antes que role o ciume! hehehe

Não escrevo por generosidade, pelo contrario, escrevo por profundo egoismo, porque nao quero que meus amigos se distanciem para que nao descubram minha desimportancia. No fundo, é o medo de que a nossa companhia não sinta saudade. Escrevo porque dependo de voces ate pra respirar e escrevo hoje porque amanha ninguem sabe, pena mesmo seria esperar em vão!

LINGER

Amo-te assim, muito e amiude
sem justificativa e com todos os motivos
pela correspondencia dos sentidos
e pela vida a pulsar dentro das minhas lembrancas

Amo-te pelos nosso horizontes inatingidos
pelos sons, pelas cores e pela tua voz
por ver-te florir mesmo onde o sol nao vai

Amo-te assim, muito e amiude
para que o tempo da paixao nao mude
pra que o sonho viva da certeja
para que possamos cantar o amor antes que o amor acabe
e para que se una o verbo a natureza

Imagem tua que compuz serena
como passou o tempo
e como mudou a poesia.
E de tanta saudade
eu me despedaco em vao contra o infinito
pra escutar o silencio onde o silencio dorme

Quantos caminhos ainda nao fizemos juntos?
como o teu rosto nao mudou...
Quantos destes caminhos ainda estao por vir?
mas nenhuma pessoa eh lugar de repouso

Eh fico soh, bem aqui,
ao sul de lugar nenhum
sentindo-me pobre e triste como Jó.
Bem assim, muito e amiude
sem metrica e sem rima
soh assim, muito e amiude...

Because i wouldn’t let it fade, because i have to let it linger...

Como diria CFA, tradutor de minh’álma: “Tenho amigos tão bonitos. Ninguém suspeita, mas sou uma pessoa muito rica”.

Contando os segundos para reve-los em sampa e no rio e em brasilia e onde mais for necessario...

CHE-GA DE SAUDADE!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Finding myself...

Esses dias estava conversando com amigos e um deles me disse (na verdade afirmou com tamanha altivez e truismo que sequer ousei discordar): "Voce tem a vida que pediu a Deus"!


Tenho? Serio? Me conta! Como eh isso?


Claro que tem! Voce tem um bom emprego, mora numa boa cidade, se vira sozinha, se veste bem, frequenta bons lugares, viaja nas ferias...


Nossa, que bacana! respondi com aquele sorriso amarelo que queria mesmo era perguntar se eu estava sendo alvo de alguma fiscalizacao... whadahell? xo inveja! sai pra la urucubaca! cre-do!


Enfim, e a conversa acabou mais rapido que a minha vontade de relembrar meu amigo Alberto Wagner - vulgo Wagner Love - que tantas vezes me fez rir dizendo com estrita veemencia: "eu faco e aconteco, eu sou o pipoco do trovao"... (risos mentais achando que me incluo nesse seleto grupo de "bem sucedidos", pena que isso talvez seja uma grandissima piada e um tanto quanto perigosa).


Ainda no rol das citacoes, e eu adoro frases de efeito, poderia citar Cazuza com a frase mais certa do mundo todo: "Existe o certo, o errado e todo o resto".


Nem ousarei discutir uma questao filosifica, exstecial e tao cabeluda como esta, mas o fato eh que sempre fui uma excelente aluna (nao que sempre tenha realmente absorvido todo o conteudo escolar), nunca tive problemas de aprendizagem (soh comportamentais, e varios... e tantas vezes), sempre fiz curso de ferias quando todos iam a praia, durante toda minha vida me engajei em projetos sociais e o sigo fazendo, vez por outra ganhava medalhas esportivas, sempre matei meu pai de orgulho e principalmente, sempre lavei minhas calçinhas embaixo do chuveiro. Seria justo ver algum resultado depois de tanto esforco! nao seria?


Cresci, evolui no trabalho por merito meu, conquistei uma credibilidade ilibata, tenho um cargo de confianca, moro do outro lado do Brasil e bem longe da minha familia, vivo sozinha e pago minhas contas. Bravo????? =S


Mas e o resto? E tudo aquilo que mal posso verbalizar de tao intenso? O tempo passou, minhas responsabilidades aumentaram e isso tudo acabou ajustando minhas retinas e dando proporcao as minhas ilusoes.


Eu cresci, o mundo a minha volta mudou e virou uma aldeia. Continuo agindo certo sem saber onde o certo me levara e constato que nada nesse mundo eh mais falso que a minha lucidez. Quais as garantias? Lucida, eu? Como? Se acordo de manha desejando fazer as malas, colocar no carro e me jogar na estrada fugindo de mim mesma. E me pego ao meio dia almocando frango grelhado com legumes e salada e suco de soja?


Por tras desse auto controle aparente existe um desespero infernal. Existe o certo, o errado e uma montanha de outros sentimentos, uma solidao gigantesca, desassossego, muita confusao, saudade cortante e estarrecedora que chega a me tomar o ar, necessidade de afeto e certamente urgencias sexuais que nem de longe se adaptam as 'regras claras do bom comportamento'.


Todo o resto me assombra, os beijos nao dados, as decisoes proteladas, os 'eu te amo' deixados pra outro dia... quem sabe? Mas o que me enlouquece mesmo, alem dos mandamentos que nao obedeci, sao os que obedeci bem demais. Alguem me explique porque cargas dágua eu sempre fui tao boazinha?

Isso me da medo, me atrai, me sufoca e me entorpece. Essa minha fome por novas ideias, sede de novas experiencias, erros, desilusoes, sao todas cicatrizes de estimacao. Essa minha porra-louquice misturada com demasiada sensatez e o silencio inquisitor das paredes da minha sala me da uma ausencia total de certezas. A maturidade eh definitivamente um alibi fragil e 'todo o resto' eh tudo aquilo que ninguem aplaude enem vaia porque simplesmente ninguem ve. E sigo distribuindo: bom dia, boa tarde, com licenca, por favor e obrigados... demonstrando minha total sanidade.


Tenho duvidas impublicaveis, alterno o sim e o nao intimamente e ainda me visto com sobriedade, encaro o trabalho com ares de moca seria e ajuizada, respondo meus emails e tento nao cometer infracoes de transito.


Enquanto isso acontece minha mente gira como um ventilador e meus sentimentos sao disparados a esmo. Que parte de mim eh sã e que parte eh louca? Parte de mim pensa e fala besteiras, a outra escreve... Como estarei raciocinando em alguns meses? Em linha reta como de costume ou por vias tortas?


O que eu quero aprender definitivamente nao passa nem perto de um quadro negro, embora siga me entupindo de MBAs e cursos de linguas. Quero mesmo eh aprender a fazer e manter amizades, demonstrar emocoes sem me fragilizar (e particularmente acho isso o mais dificil), enfrentar agressoes sem cair em prantos, manter minha altivez sem titubear e explicar minhas ideias sem me contradizer.


Preciso do Contardo (o Calligaris) para meu psicanalista jah!!!! Ou Caio Fernando Abreu, tradutor de min'alma. Queria que eles explicassem o que fazer com o resto de mim, com o que nao usufruo, com a parte errada do meu ser. Pensando bem acho que Kafka e sua 'afirmacao espiritual da existencia' poderiam ser mais proveitosos, afinal de contas a solidao eh invisivel. Soh eh percebida por dentro. E nao devemos confiar em ninguem com mais de 30 anos... obrigada Marcelo Nova! Muito Obrigada pela trilha sonora do dia... eu tb nao matei Joana d'arc! Juro q nao!


Me busco. E sou campea na busca de mim mesma. Queria ser Janis Joplin!!! E sigo me buscando em musicas que silenciosamente dao ritimo aos meus passos, me busco em trechos de Machado e Clarisse que me revelam ideias e verdades que se mantem embaralhadas. Me busco no olhar adimirado da minha mae, no jeito de andar e carater do meu pai, na lealdade do meu irmao e no talento que eles tem de trazer minha infancia pra perto de mim fazendo parecer que nem estou tao longe assim do que costuma ser.


Me busco na tirania da chuva que quase quebra minha janela envidraçada, no balanço das ondas, no barulho do mar, nas minhas conversas francas com meus Xuxus e a cada vez que ouço deles uma duvida que tambem eh minha, uma experiencia que eh soh deles, mas que por afinidade e imaginacao acaba tornando-se minha tambem. Me busco quando me aquieto pra escutar meus pensamentos e as vezes me desencontro. Entao escrevo... busco frases feitas na tentativa de construir uma metrica perfeita, com rima e nunca dor. Me busco no sono, nos sonhos e no meu inconsciente e vejo que o dia terminou e a busca nao acabou, e nem irá, porque esse tipo de busca nao se encerra.


Será que o google me ajuda? Ideia brilhante! Google me! Ha sempre um jeito, uma ferramenta eficiente a mao. Busque-se!

terça-feira, 15 de março de 2011

As mulheres querem dar!!!




o texto não é de minha autoria, foi retirado tal e qual do blog: http://corramary.com/as-mulheres-querem-dar/
me recuso a adicionar o que quer que seja ao texto pq a autora capitou toda a simplicidade da situação e conseguiu expressar perfeitamente a dinâmica do assunto. 
a-do-rei!!! Parabéns Marina!!!

"Pensei por muito tempo no título perfeito. Pensei em “trepar”, “transar”, “fazer amor” e finalmente em “dar”, porque no final das contas é exatamente isso o que as mulheres querem. Elas não querem trepar, não querem transar, não querem fazer amor (até porque “fazer amor” é coisa de pagodeiro), o que elas querem é dar.

Quando você dá, você está dando a alguém o que você tem de mais valioso: você mesma. É um presente, algo que a pessoa conquistou por merecimento, e que agora é dela e ela pode fazer o que quiser, porque já não te pertence mais. O que as mulheres querem, é justamente isso: Elas não querem mais pertencer a elas mesmas. Elas querem se doar.

Transar é muito bom, trepar é muito bom, gozar por si só é muito bom, mas bom mesmo é dar.

Dar não é só corpo. Dar é cabeça, dar é coração. Se uma mulher te dá, saiba que você foi o escolhido entre as milhares de opções que ela tinha. E acredite, ela realmente tinha milhares de opções.


Talvez você seja merecedor, talvez você não passe de um merda, e no final das contas isso pouca importa. Por alguma razão ela o escolheu, e então, meu caro, cabe a você, e só você, não desperdiçar tal presente.
Você pode encontrar uma multidão de mulheres querendo sexo. Mas dar, não.

Dar é a foda perfeita. Dar são os gemidos genuínos. Dar é o sexo com toda a vontade do mundo. Dar é acordar no dia seguinte e ainda querer aquela pessoa. Dar é querer agradar. Dar é aceitar ser agradada. Dar é se preocupar com o outro. Dar é bom pra caralho.

Depois que uma mulher finalmente descobre o que é dar, ela não se preocupa em esperar para dar novamente. Pode demorar meses, anos para que ela vá pra cama de novo com alguém. O que é sexo depois que se descobre a delícia de dar? As vontades são as mesmas, a necessidade de gozar é a mesma, o tesão é o mesmo, mas não é só isso que elas querem. Elas querem algo muito maior. Elas querem algo que talvez um homem nunca vá compreender. Elas querem se doar. Elas querem se entregar. Elas querem dar!"