organizando os ingredientes
Este blog é escrito por Roberta Dutra. Nasci em Belém do Pará e passei maior parte da vida no Ceará, me mudei algumas vezes, viajei pelo mundo outras tantas e atualmente moro em Santa Catarina. Cresci em família grande, com muitos primos, primas, tios, tias e mais uns tantos agregados das mais variadas espécies. Tive uma infância plena e feliz e hoje, embora seguindo feliz, sofro muito de saudade. Registro aqui algumas impressões peculiares sobre a vida e seus desdobramentos, sobre o cotidiano e alguns tantos textos escritos para algumas pessoas em particular que exerceram e ainda exercem grande influência na minha vida, além de fazerem parte das minhas melhores lembranças, é claro! Não tenho grandes pretenções literárias, gramaticais nem sequer ortográficas, mas escrevo com muito amor, que é o que todo mundo precisa. Resumindo, mantenho o blog como meio de comunicação entre amigos e famíla distante e possíveis interessados. Entre e fique a vontade...
be my guest!
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
calem a boca nordestinos???
Como muitos, também sei que quem ajudou e muito a colocar novamente o PT do governo foram os PSDBistas cultos e bem educados, que aproveitaram o feriado para viajar em massa, assim como eu! Pessoas que - repito: como eu! - não votaram no segundo turno por um ou outro motivo e que por isso não tem direito de reclamar de nenhum resultado democrático.
Lamentei e sigo lamentando o resultado das eleições para presidente da mesma forma como lamentei a eleição de Tiririca como o candidato mais votado do Brasil... e se há de considerar a cambada que seguirá com ele no governo.
É de se lamentar também que a lei da "ficha limpa" não tenha sido aplicada, já que houveram umas tantas exceções...
Como boa nordestina que sou, caso me fosse dado a oportunidade de escolher o local de meu nascimento e o pudesse fazer umas tantas vezes, escolheria nascer no nordeste todas elas, de outra forma, talvez preferisse nascer em outro país. Não por acreditar em superioridade. Não acredito nisso! Apenas acho que as pessoas e culturas são diferentes. Nem melhores e nem piores, apenas diferentes!
Nasci no norte, fui criada no nordeste, já morei no sudeste, visitei o centro-oeste e hoje vivo no sul! Acho que não posso ser acusada de falta de conhecimento de causa e gostaria de mais uma vez deixar declarado todo o meu amor pelo nordeste! Terra esta que acolheu a mim, a minha família e que certamente verá meus filhos nascerem.
Por ser nordestina e esclarecida - pelo menos tenho a certeza de ter um bom CV e de já ter conhecido todas as regiões do Brasil in loco - concordo sim com uma melhor distribuição de renda em todo o país e apoio iniciativas nesse sentido, desde que o verdadeiro propósito não seja desvirtuado! E é exatamente por isso que discordo da política assistencialista do PT, que ao meu ver, distribui o dinheiro extorquido da classe media, que está cada vez mais em colapso e os distribui para uma massa, não visando o crescimento sustentável, mas sim a compra de votos de eleições futuras. Porque desvincular os bolsas das obrigações familiares de manter as crianças na escola com frequência exemplar e boas notas? Alguém sabe que existe lei impedindo alunos fracos de reprovarem? O bolsa família não mais é usado como uma forma de promover a educação, com prazo determinado e com cobrança de monitoramento da família. Se assim o fosse, teríamos crianças mais instruídas, longe de exploração de trabalho infantil e sem precisar passar fome para que pudessem frequentar uma escola...
Me sinto ferida ao ver a forma como essa política assistencialista manipula um povo sofrido que cada vez mais é privado de uma boa educação e de condições de vida minimamente razoáveis. E me fere mais ainda ver que 27.5% da minha renda tenho que entregar a um governo que além de não a utilizar de forma adequada, pretende ressuscitar a CPMF, elevar a carga tributária para continuar me oferecendo em troca escolas de péssima qualidade, universidades cada vez mais sucateadas, serviços básicos que ao meu ver inexistem e insegurança de sair na rua e não saber se volta vivo pra casa.
Gostaria de um dia poder escolher um candidato pelas suas ideias e não apenas por bipartidarismo que se reveza no poder. Que apareçam muitas Marinas, que tão bem representam o sofrimento da maior parte do povo, independente de região, e que suas vozes não se calem diante de nenhum preconceito étnico, religioso, regional e nem partidário de maneira sádica, violenta e contraditória como vejo acontecer no twitter e facebook com a campanha de calem a boca nordestinos!
Por todos esses motivos, gostaria de compartilhar com vocês um texto que recebi por email e que mostra apenas alguns poucos motivos pelo qual me orgulho de ter coração nordestino, embora não tenha nascido nessa região.
E novamente enfatizo, não creio que generalizar seja uma boa ideia, mas depois de ver um comentário similar no perfil de um colega paulista extremamente instruído, bem escolarizado (o que não significa educado!), muito bem viajado e nascido em "boa família" (um outro dia escreverei um texto questionando sobre esse conceito), que por sinal é casado com uma baiana e passa férias no nordeste, não consegui me calar. Sem julgamentos, não me sinto nenhum pouco a vontade para isto, apenas para mostrar a outra face do nordeste e de seu povo, que por anos deu (e segue dando) suporte ao sul e sudeste fazendo o trabalho pesado e quase desumano na construção civil, limpeza e outros por necessidade e por acreditar que não a nada que nos desmereça ao prestar um serviço honesto e muito bem feito, diga-se de passagem.
Enfim, acredito em caráter e gostaria que as pessoas fossem sempre avaliadas por isso.
E para encerrar meu texto, dou um salve a todo o Brasil e a junção de culturas tão diferentes que nos tornam um país tão rico!
créditos de : José Barbosa Junior
"A eleição de Dilma Rousseff trouxe à tona, entre muitas outras coisas, o que há de pior no Brasil em relação aos preconceitos.
Mas o que me motivou a escrever este texto foi a celeuma causada na internet, que extrapolou a rede mundial de computadores, pelas declarações da paulista, estudante de Direito, Mayara Petruso, alavancada por uma declaração no twitter: "Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!".
Infelizmente, Mayara não foi a única. Vários outros “brasileiros” também passaram a agredir os nordestinos, revoltados com o resultado final das eleições, que elegeu a primeira mulher presidentE ou presidentA (sim, fui corrigido por muitos e convencido pelos "amigos" Houaiss e Aurélio) do nosso país.
E fiquei a pensar nas verdades ditas por estes jovens, tão emocionados em suas declarações contra os nordestinos. Eles têm razão!
Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!
Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?
Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?
Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?
Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos... pasmem... PAULISTAS!!!
E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.
Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.
Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura...
Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e Jackson do Pandeiro e no cearense Belchior
E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melofias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia...
Ah! Nordestinos...
Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?
Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.
Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!
Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!!
Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário... coisa da melhor qualidade!
Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso... mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!
Minha mensagem então é essa: - Calem a boca, nordestinos!
Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.
Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.
Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”
Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!"
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Porque era ela, porque era eu
Posto isso, tenho obrigacao de postar pelo menos o que estaria escrito no cartao de aniversario...
Como tenho problemas de contencao e realmente nao consigo escrever pouco, pelo menos nada que caiba em um unico cartao - (deviam inventar cartoes de aniversario com espaco de 1.5 x 1.8m pra gente poder se expressar sem restricoes... detesto cartoes pequenos limitando minhas palavras, alias, detesto limitacoes!!! pronto! falei!) - procurei as palavras daquele que realmente nos entende, e nosso Chico como sempre resolveu meu problema. Nao sei o que seria de mim sem ele, sem o discernimento que lhe eh comum e sem a sua peculiar capacidade de transcrever em palavras o que nao conseguimos expressar... aiii, amo Chico! E ela tb!
E sem mais delongas, segue o texto do cartão:
"Eu não sabia explicar nós dois
Ela mais eu
Porque eu e ela
Não conhecia poemas
Nem muitas palavras belas
Mas ela foi me levando pela mão
Íamos todos os dois
Assim ao léo
Ríamos, choravamos sem razão
Hoje lembrando-me dela
Me vendo nos olhos dela
Sei que o que tinha de ser se deu
Porque era ela
Porque era eu"
Arrrhhhh, ja comecei a chorar... puta merda! To no meio do escritorio chorando em pleno horario comercial... =/
Queria tanto ter estado ai, ter ido pra Candinde contigo pagar promessa pro Santo e refazer as juras e rezar de joelhos e comprar terco e santinho pra distribuir p galera e morrer de rir e morrer de chorar de tanto rir e rir das promessas e dos motivos dessas promessas e de como as pagamos e de tantas outras coisas. Queria subir a pe a ladeira enooorme pra ver a imagem do Santo. Assistir a primeira missa naquela igreja linda e que ja deve estar com a reforma concluida, acender aquela vela no pe do altar, comer buxada de bode e tomar uma cerveja estupidamente gelada no boteco em frente a pracinha...
Sigo agradecendo, agradecendo e pedindo clemencia. Peco sempre pela saude dos nossos pais, por juizo pros nossos irmaos, por prosperidade pros que sao da terrinha, por sabedoria e discernimento e por forca, muita forca pra aguentar a saudade, mesmo sabendo que por mais que demore eu sempre voltarei. E rezo mais ainda pra que a distante nao me afaste dos meus amigos, nem da minha origem e nem de tudo que eu considero de valor... e pra que as minhas lembrancas nunca caiam no esquecimento. E principalmente, pra que a chuva e a fartura que ela traz nao me faca esquecer dos tempos de seca e de mansidao que me foram peculiar.
Enfim, como diria Fagner: "na despedida fez um dia lindo, quem sabe tudo estara sorrindo quando eu voltar..."
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Oktoooooober
Trinca mais não trepa
La lara la ra laia
To do sapo pula
Só o saponete no
To do cachorro late
Só o cachorro quente no
Todo bode berra
Só o bodegueiro no
Toda pata choca
Só a patatinha no
Ó Suzana
Essa vida é tão bonita Estribilho
Ó Suzana
Tu também és tão bonita
Todo aço queima
Só o açolejo no
Toda massa cresce
Só a massaneta no
Todo tipo eu gosto
Só o tiputado no
Toda língua fala
Só a lingoíça no
Toda vaca muge
Só a vacalume no
Toda pêra é fruta
Só a perereca no
Toda mão tem filho
Só a mãonhonese no
Todo amor é lindo
Só amordedura
meu... hj é sexta e depois de quase morrer de rir... tive que postar!!!
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Expirou?
Esses dias, após um longo delay comunicativo, resolvi reestabelecer uma conexão qualquer e morri na tentativa. Acessei aquele perfil de orkut pra dar um bom dia ou, sei lá, perguntar como anda a vida... Enfim, qualquer coisa que trouxesse de volta o vinculo perdido ou que ao menos amenizasse o abismo que se criou em tão pouco tempo e quando dei por mim, meu testemunho não estava mais lá.Como assim? Inacreditável! Deveria ter sido falha no sistema, o bug do século, um revertério de Zeus, uma revelia de Ogum quem sabe, mas definitivamente não poderia ter sido apagado! ...ou pelo menos não de propósito. Por algumas tantas horas, na verdade por dias a fio, me recusei a acreditar que meu testemunho não estava mais lá.
Por que não? Num ataque de sandice, tendo pitis e maldizendo o sol que estava em Marte e o maldito ano do Tigre (para os que são de Javali) resolvi perguntar porque... e a resposta veio em apenas uma palavra, a passos largos que não só me atropelaram como me deixaram em estado de choque profundo, praticamente um coma sentimental induzido. EXPIROU! Sim, essa foi a resposta: "expirou!" simples assim...
Para tudoooooooo!!! Para o mundo que eu quero descer!!! Alguem me explique como um sentimento expira? por favor!!! preciso entender!!! realmente preciso!!! Isso doeu!!! Doeu com tamanha intensidade que sequer conseguia mais caminhar. Cadê meu chão? Fiquei paralisada!!!
Existe prazo de validade para os sentimentos??? E porque ninguém me avisou???? Fui procurar o significado de validade no bom e velho Aurélio e encontrei:
"VALIDADE: prazo estimado para que os produtos possam ser consumidos estando ainda adequados para tais fins."
PRO-DU-TOS!!! O Aurélio não fala em sentimentos! E o Auréio sabe tudo!!
O que devemos fazer com o "Eu te amo"? Ele também atinge um prazo? Joga-se fora? Torna-se impróprio para consumo? Cresci julgando o amor eterno, uma "coisa do coração", um sentimento puro, extracorpóreo, a química perfeita para mais de um ser.
O que as pessoas estão fazendo com Camões???? "Que seja imortal, posto que é chama, mas que seja eterno enquanto dure". Tudo bem que a idéia do 'pra sempre' me assusta, na verdade nem acredito em 'pra sempre'..., mas deviamos ter mais respeito com os "eu te amo" que proferimos e principalmente com os que escutamos.
Se é há de existir um prazo de validade também para sentimentos, que sejamos flexíveis!!!
Lembro-me quando criança de ganhar brinquedos, para alguns deles outorgava tamanho apreço que dispendia horas a fio em brincadeiras sem fim, até que em um dado momento, aquele brinquedo não me trazia mais o prazer de outrora e eu o colocava numa pilha de brinquedos... sem validade. Mas eram apenas brinquedos...
Tamanha é minha indignação que poderia até dizer que sou a favor da pena de morte para os que banalizam o 'eu te amo'. O amor não expira! Os sentimentos não expiram!!!!
Ainda posso sentir o cheiro, o calor, o toque e acho que sou suficientemente madura pra entender que não é mais real! O que não significa que nunca existiu, ou que simplesmente expirou! As coisas apenas mudam, mudam de lugar, de prioridade, de nível de atenção dispensada...
Nós mudamos! Mudei de lugar! Mudou a atenção! Mudamos as prioridades! E passamos reciprocamente a não ser mais uma delas, não figurávamos mais em nossas urgências, a falta não significava mais aquela vontade extrema de estar junto, mesmo que distantes. Não existia mais urgência para se ver, nem pra se falar. E essa falta de cuidado fez com que o sentimento fosse abrandado e mudasse o foco. Não que expirasse!
O casal não existe mais, expirou, de fato! Todavia o sentimento existiu e ainda remanesce. Não somos mais os mesmos! Com os eventos anteriores entramos numa era glacial e o descaso rotineiro fez com que o gelo se tornasse meu propulsor sanguíneo e por isso não atendi o telefone. Por isso não nos dei a oportunidade das ultimas palavras, do adeus... erro meu! Assumo!
Por não querer trancafiar a porta e nem sequer fecha-la, preferi deixa-la encostada, entreaberta, e fazendo isso dei margem para outras interpretações. Erro meu, repito.
Mas, e se ao invés de descartar nossos sentimentos nós o reciclassemos?
Não é porque o casal expirou que o amor perdeu a validade junto. Isso não é uma pilha de brinquedo velho! Porque não sermos amigos? Sim, amigos de verdade! Não daqueles que se cumprimentam por educação. Isso não me interessa! Falo de amigos de verdade, daqueles que conversam, que riem um com o outro e que sofrem com as mazelas juntos. Afinal, fomos tão felizes juntos. Onde ficou a química perfeita? E a sintonia quase telepática?
Proponho o não descarte dos sentimentos (próprios e alheios)! Lanço a campanha: "RECICLE OS SEUS SENTIMENTOS"!!!
Espero ter algum seguidor... e sigo secando os olhos com os punhos.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Quereres
Saudade, palavra triste quando se perde o convivio com pessoas queridas. Esses dias me bateu uma saudade enoooooooooorme! Me peguei olhando umas fotos e o que eu vi me pareceu tão real que quase pude revivê-las. Foram tantas fotos que deu saudade de falar com meus quereres, de abraçar, de rir um monte, de rir por nada, de tomar uma gelada no colher de pau, do cinema de arte do dragão, dos mucuras infindos, do frescoball na praia, das festinhas lá em casa, das tequilas, das corridinhas da beira mar, de tomar um côco gelado... Ahhh como queria Fortaleza agora e queria tb ter ido no chá de fraldas da Carlinha... =/ mas não deu...
Vendo essas fotos vejo como tudo foi sempre muito legal e cheio de vida e me conforta saber que mesmo com a distância e mesmo com todos nossos perrengues do dia a dia a amizade continua... aiii quase chorando a minha dor e me aliviando com meus tristes ais!!! São prantos de dor que dos olhos caem porque bem sei, quem eu tanto amei e amo não verei; e me agonia a possibilidade de dizer a palavra jamais... Sou da teoria de que passado não se nega e nem se esconde, nem muito menos se tenta ou consegue esquecer, ainda mais se for um passado tão bom e tão agradavelmente saudoso.
É engraçado e quase irônico como as vezes tudo me faz lembrá-las. As coisas que antes passavam desapercebidas passam a sobresair-se e o que antes achava pequeno passa a ser grande e um tanto mais nítido. Ultimamente ando vendo dezenas de jovens mamães nas ruas passeando com seus bebês – não que não as visse antes ou que não existissem, mas simplesmente as ignorava por pura falta de atenção - e me dói o fato de não puder acompanhar de perto a gestação da primeira filha de amiga muito próxima. E me dói com igual intensidade não poder abraçar a Nath quando ela sente falta da irmã distante ou quando eu sinto falta do meu caçula. Tenho prestado bastante atenção nas cores que eu não sei o nome, como diria Adriana (a Calcanhoto) – cores de Frida Khalo e Almodolvar, e venho dando crédito as borboletas do jardim que vagam tristes por sobre as flores quase que implorando por carinho e um pouco de amor.
Ontem tomei duas garrafas de Casal Garcia – o vinho verde preferido da Nath - em casa, em plena segunda feira, vendo apocalipse now, cantando Suzie Q e comendo chocolates finos e amargos... e só não liguei pra dizer que a amava pq ja era alta madrugada. Tenho certeza de que se estivesse do meu lado dariamos umas boas risadas, conversariamos sobre uns tantos assuntos interessantes ou não, de amores, de futuro e de tudo mais que nos soasse amistoso.
Recentemente uma criança me perguntou qual tinha sido o dia mais feliz da minha vida e eu outrossim me questionei what a difference a day made? 24 little hours... Demorei um tanto pra responder e não cheguei a nenhuma conclusão que apontasse a uma data especifica. Presumo que se a pergunta tivesse sido feita pelo meu pai eu responderia que no dia em que fui mais feliz eu vi um avião se espelhar no seu olhar até sumir. De lá pra cá não sei, caminho ao longo da estrada, faço longas cartas pra ninguém e o inverno aqui é quase glacial. A propósito, há algo que jamais se esclareceu, onde foi exatamente que larguei naquele dia mesmo o leão que sempre cavalguei? Onde ficaram nosso urros conjuntos de coragem? Passei a temer mais o que a tampouco me parecia inofensivo? Medo, uma força que as vezes me impede de ir além... embora prefira o imperfeito e o inacabado.
Lembrando-me deste mesmo dia que insiste em se repetir como um deja-vu, esqueci que o destino sempre me quis só, no deserto sem saudade, sem remorso só, sem amarras, barco embriagado ao mar. Não sei o que em mim só quer me lembrar que um dia o céu reuniu-se à terra. Um instante por nós dois?
Sigo passeando pelo escuro e prestando muita atenção no que ouço, querendo chegar antes pra prenunciar o estar de cada coisa e volto a questão na métrica e rima e nunca dor. Sigo divertindo as pessoas e chorando ao telefone. Enfim, vendo tudo enquadrado...
Ando pelo mundo e meus amigos, cadê? Alegria e cansaço. E ninguém em casa pra conversar. Sigo no questionamento do “what a difference a day made?” e chego a conclusão de que “the difference is you – all my friends and family”. Afinal de contas depois de experimentar amores descabidos e despretenciosos e simplesmente incondicionais destes que considero meus poucos amigos e família, pra que saber que horas são?
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Ré confessa

Hoje entrei no msn e la estava: ON LINE! Ultrajante!
Esse On LINE me causava um vendaval de sentimentos. Seriam demasiadas as palavras para descrever a cadencia flutuante desse movimento entrecortado. Muda de tela, checa isso, checa aquilo, checa qq outra coisa, e de novo, e de novo... num ziguezague impertinente voltei p tela do msn e nada... nenhuma caixinha de dialogo aberta. Ultrajante!
Lembrei de Clarisse Lispector: "Por te falar eu te assustarei e te perderei? Mas se eu nao te falar me perderei e por me perder eu te perderia".
Existem fatos que geram impulsos e especificamente este impulso me causou paralisia de modo tao sutil que implicava em culpa. Culpa que nao se sabe da onde vem nem onde vai dar, nao se sabe nem o motivo. Estranha vontade de pedir perdao. Perdao pelo que fiz, pelo que nao fiz e ate pelo que faria... ou nao...
Insistencia eh um caminho chato! Paro e pondero: passividade eh um caminho burro!
Sem saber dos desejos aonde iam dar, enfrentei a saudade, contive bravamente o impeto da falta e confesso! Confesso que a imobolidade doeu mais que um movimento abrupto. Se realizasse o ato banal vestiria novamente os fantasmas. Aquilo nao me pertencia mais. As atencoes nao eram mais pra mim, os habitos nao eram mais meus, nao tinha mais obrigacao com o passado.
Esperei mais um pouco a telinha piscar. Nada aconteceu. Ultraje! Sequei o rosto com os proprios punhos e fui... sem grilos de mim, sem desespero, sem tedio e sem fim.
Fiquei indignadamente OFF LINE!
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Bruta flor
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Sujeito e predicado
Quando eu tinha 8 anos tudo o que queria era fazer logo 10: andar sozinha no elevador, sentar no banco da frente do carro, fazer meu proprio brigadeiro. Aos 13, bonecas de lado, sonhava em viajar pelo mundo e ter 18: dirigir seria o suprassumo da existencia, sem falar na perspectiva dos amores. Mas com 20, dirigindo, cozinhando, limpando e com muitas contas atreladas, espero os 30 pra nao ter a obrigacao de ser tao jovem e feliz.segunda-feira, 12 de julho de 2010
Amizade sincera

Já nesse tempo apareceram os primeiros sinais de perturbação entre nós. Às vezes um telefonava, encontrávamo-nos, e nada tínhamos a nos dizer. Podia ser um cinema, um almoço, uma corrida na beira-mar, tomar um suco ou uma água de côco, ou apenas passar horas a fio lendo vários livros numa livraria qualquer e nos encontrando em tantos personagens. Éramos muito jovens e não sabíamos ficar calados. De início, quando começou a faltar assunto, tentamos comentar as pessoas. Mas bem sabíamos que já estávamos adulterando o núcleo da amizade. Tentar falar sobre nossos mútuos romances também estava fora de cogitação, ninguém queria falar de seus amores e aventuras nesse núcleo, poderia soar ultrajante, tal era o nosso ciúme mútuo. Experimentávamos ficar calados — mas tornávamo-nos inquietos logo depois de nos separarmos.
Minha solidão, na volta de tais encontros, era grande e árida. Cheguei a ler livros apenas para poder falar deles. Cheguei até a ler todos aqueles livros de auto-ajuda que me eram indicados por você, tão insuportáveis para a minha mente auto-suficiente quanto aquelas aulas de trigonometria. Mas uma amizade sincera queria a sinceridade mais pura. À procura desta, eu começava a me sentir vazio. Nossos encontros eram cada vez mais decepcionantes. Minha sincera pobreza revelava-se aos poucos. Também ele, eu sabia, chegara ao impasse de si mesmo.
Foi quando, tendo sido transferida a trabalho vim morar em Santa Catarina, e eles seguiram morando em Fortaleza e sendo assim, passamos longos dias sem nos ver. Que rebuliço de alma. Radiante, pensava em como seria quando viessem me visitar e fazia planos e mais planos. Arrumava nossos livros e discos, preparava um ambiente perfeito para a amizade. Depois de tudo pronto — eis-me dentro de casa, de braços abanando, muda, cheia apenas de amizade.
Começamos nos ligando sempre, falavamos muito mas todos os problemas já tinham sido tocados, todas as possibilidades estudadas. Tínhamos apenas essa coisa que havíamos procurado sedentos até então e enfim encontrado: uma amizade sincera. Com o tempo as chamadas diminuiram, mas em tempo algum deixei de senti-los presente. Como que por telepatia, meu telefone sempre tocou nos momentos em que mais precisava falar com alguém e sempre com aquela voz meiga e cheia de alegria e paz me dizendo: “Bom dia, Xuxu! Amooor... saudade de tu!” e por ai iamos horas a fio, sem perceber que o movimento da rua diminnuira ou que o sol se punha lentamente.
Mas como se nos revelava sintética a amizade. Como se quiséssemos espalhar em longo discurso um truísmo que uma palavra esgotaria. Nossa amizade era tão insolúvel como a soma de dois números: inútil querer desenvolver para mais de um momento a certeza de que dois e três são cinco.
Tentamos organizar algumas farra, mas não só a distância nos impediu como os raros momentos livres que tinha nas minhas idas e vindas a Fortaleza não eram suficientes o bastante e não adiantou.
Se ao menos pudéssemos prestar favores um ao outro. Mas nem havia oportunidade, nem acreditávamos em provas de uma amizade que delas não precisava. O mais que podíamos fazer era o que fazíamos: saber que éramos amigos. O que não bastava para encher os dias, sobretudo os longos meses de distância.
Data dessas viagens o começo da verdadeira aflição.
Desde um acidente de carro inesperado, a angústica de não ter alguém do lado pra conduzir-me a um hospital, a angústia ainda maoir de não poder e nem quer contar a ninguém para que não houvesse nenhum tipo de preocupação comigo. Afinal de contas eu escolhera a distância, a escolha do ostracismo fora totalmente minha e meu orgulho não me permitiria voltar atrás. Além disso, não seria justo clamar por ajuda sempre que houvesse um imprevisto. E foram dias assim, sem muito movimento para não terminar de quebrar as costelas, muita sonolência devido a remédios pra dor, casa acumulando sujeira e lágrimas de uma solidão profunda.
Mesmo assim, sem saber como e nem porque, meu celular tocou e ao fundo, aquela velha voz de sempre que tinha o dom de apaziguar todas as minhas inseguranças e angústias. Aquela e sempre aquela voz que me devolvia a paz, tamanho o otimismo cotidiano que mal nenhum deixava abater.
E foi assim por toda a minha recuperação. Foi apenas essa a voz que eu ouvi todos os dias, perguntando como eu estava, sondando e torcendo pela minha melhora, ligando na hora em que eu deveria tomar os remédios pra ter certeza de que eu não ia esquecer de fazê-lo. Me cobrando acompanhamento médico e se colocando a disposição para qualquer coisa. Embora não pudesse tê-lo ao meu lado, sua atenção me confortava. Esperei essa atenção de outras pessoas mais próximas que teoricamente deveriam estar ao meu lado. Devaneio! Amizades sinceras não vêm aos quilos.
É verdade que houve uma pausa no curso das coisas, uma trégua que nos deu mais esperanças do que em realidade caberia. Foi quando eu tive uma questão com a saúde do meu pai. Não é que fosse tão grave, mas nós a tornamos para melhor usá-la. Porque então já tínhamos caído na facilidade de prestar favores. Andou entusiasmado pelos consultórios médicos de conhecidos de família, arranjando consultas e exames para meu pai. E quando começou a fase de tentar adiantar as datas, correu por toda a cidade — posso dizer em consciência que não houve consulta que fosse marcada nem exame que fosse feito sem que fosse através de sua mão.
Nessa época falavamo-nos de noite, exaustos e animados: contávamos as façanhas do dia, planejávamos os ataques seguintes. Não aprofundávamos muito o que estava sucedendo, bastava que tudo isso tivesse o cunho da amizade. Pensei compreender por que os noivos se presenteiam, por que o marido faz questão de dar conforto à esposa, e esta prepara-lhe afanada o alimento, por que a mãe exagera nos cuidados ao filho.
Encerrada a questão com os médicos e clínicas — seja dito de passagem, com vitória nossa — continuamos um ao lado do outro, sem encontrar aquela palavra que cederia a alma. Cederia a alma? Mas afinal de contas quem queria ceder a alma? Ora essa.
Afinal o que queríamos? Nada. Estávamos fatigados, desiludidos.
Sabiamos que a vida seguiria seu curso e que mesmo assim, nos lembrariamos um do outro nos versos de Clarisse, nas poesias de Vinicius e nos mais estonteantes pôr-do-sol. Sabíamos que independente do quão distantes estivessemos, sempre teriamos um tempinho de sentar na areia, olhar pro mar e ouvir as ondas tendo a certeza de que nunca nos esqueceriamos.
A pretexto de viagens a trabalho, separamo-nos. Um aperto de mão comovido foi o nosso adeus naquele domingo. Sabíamos que não nos veríamos mais, senão por acaso e com pouca frequência. E sabíamos também que éramos amigos. Amigos sinceros. E que seria pra sempre assim: sem cobranças nem medições, apenas amigos sinceros.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Ahhh... o amor!!!
texto de Arnaldo JaborNinguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem noódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem amenor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você amaeste cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucurapor computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.


