organizando os ingredientes

Este blog é escrito por Roberta Dutra. Nasci em Belém do Pará e passei maior parte da vida no Ceará, me mudei algumas vezes, viajei pelo mundo outras tantas e atualmente moro em Santa Catarina. Cresci em família grande, com muitos primos, primas, tios, tias e mais uns tantos agregados das mais variadas espécies. Tive uma infância plena e feliz e hoje, embora seguindo feliz, sofro muito de saudade. Registro aqui algumas impressões peculiares sobre a vida e seus desdobramentos, sobre o cotidiano e alguns tantos textos escritos para algumas pessoas em particular que exerceram e ainda exercem grande influência na minha vida, além de fazerem parte das minhas melhores lembranças, é claro! Não tenho grandes pretenções literárias, gramaticais nem sequer ortográficas, mas escrevo com muito amor, que é o que todo mundo precisa. Resumindo, mantenho o blog como meio de comunicação entre amigos e famíla distante e possíveis interessados. Entre e fique a vontade...

be my guest!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Ré confessa



Hoje entrei no msn e la estava: ON LINE! Ultrajante!

Esse On LINE me causava um vendaval de sentimentos. Seriam demasiadas as palavras para descrever a cadencia flutuante desse movimento entrecortado. Muda de tela, checa isso, checa aquilo, checa qq outra coisa, e de novo, e de novo... num ziguezague impertinente voltei p tela do msn e nada... nenhuma caixinha de dialogo aberta. Ultrajante!

Lembrei de Clarisse Lispector: "Por te falar eu te assustarei e te perderei? Mas se eu nao te falar me perderei e por me perder eu te perderia".

Existem fatos que geram impulsos e especificamente este impulso me causou paralisia de modo tao sutil que implicava em culpa. Culpa que nao se sabe da onde vem nem onde vai dar, nao se sabe nem o motivo. Estranha vontade de pedir perdao. Perdao pelo que fiz, pelo que nao fiz e ate pelo que faria... ou nao...

Insistencia eh um caminho chato! Paro e pondero: passividade eh um caminho burro!

Sem saber dos desejos aonde iam dar, enfrentei a saudade, contive bravamente o impeto da falta e confesso! Confesso que a imobolidade doeu mais que um movimento abrupto. Se realizasse o ato banal vestiria novamente os fantasmas. Aquilo nao me pertencia mais. As atencoes nao eram mais pra mim, os habitos nao eram mais meus, nao tinha mais obrigacao com o passado.

Esperei mais um pouco a telinha piscar. Nada aconteceu. Ultraje! Sequei o rosto com os proprios punhos e fui... sem grilos de mim, sem desespero, sem tedio e sem fim.

Fiquei indignadamente OFF LINE!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Bruta flor

E depois de dias e mais dias de noticias um tanto quando fora do script e bem desagradaveis , enfim um bom momento, daqueles que ficarao na memoria simplesmente pela simplicidade do desenrrolar das coisas de do sorrisao que consegui abrir no final. (depois de passar um final de semana inteiro chorando na areia olhando pro mar e quase virando picole na praia de tanto frio! inverno escroto!!!! pareco um fio de cabelo num emaranhado de nos!)


Trancada no escritorio com zilhoes de coisas por fazer e pra fazer, hoje tava com cara de mais um dia almocando mc donalds (ui! credo!) e de repente lembrei do Stoner (nomezinho apropriado!!!). E nao eh que calhou de justo hoje ele tb nao ter compromisso pro almoco! E calhou ainda mais dele estar trabalhando no predio do meu novo escritorio! ... coincidencias nao existem!!! ja diria minha velha vozinha!!! Embora ele tivesse arrancado os quatro cisos na ultima sexta, ele topou! pq time eh time!!!


- E ae? colé? simbora p onde?

- humm... tem um pe duro em Cabeçudas com uma vista maravilhosa, topas?

- To dentro... sem grana mesmo! simbora!


Almoco em Cabeçudas, dia lindo, cia agradavel, marzao de fundo, briza gelida, lugarzinho bem simples e comidinha caseira. (tinha uma sem nocao de bikini no meio da areia tomando sol... e eu entupida de roupas e morrendo de frio... aiaiai sai do nordeste mas o nordeste nao saiu de mim! ... suspiros) Nesse momento nada me faria mais feliz. Alias, sou da teoria de que restaurantes refinados e com TVs soh servem pra compensar a falta de assunto e isso me da calafrios. Vc espia, nao curte a programacao e continua mastigando... nada mais deprimente!


E foi assim, comecamos a conversar pra atualizar os acontecimentos, colocar os papos em dia, nenhum assunto pre aprovado pra pauta, cada uma contou dos seus amores, trabalho, projetos futuros... Ele terminou, mas volta (e eu faco campanha pra isso!), eu to tentando comecar com muita vontade e distancia, tentando administrar a vida de Fortaleza e a de Itajai e a de Salvador e, e, e...


Ainda no assunto de amores, chegamos a conclusao de que somos duas pessoas com problemas! Sim, daquelas meio retardadas, que por vezes tem a pessoa certa na mao e nao sabe o que fazer, ou apenas nao consegue administrar por falta de tempo ou longas distancias. Preciso abrir uma aspas pra dizer que a falta de atencao no cotidiano doi mais que a traicao velada ou publica!!! (muitas exclamacoes!!!!!!!!!) Isso foi uma de nossas conclusoes do que posso chamar de "a hora mais produtiva e agradavel dos ultimos dias". Concluimos ainda que as pessoas se separam pra depois dicutir e nao mais discutem pra depois separar... senti que nao tenho mais o fermento da noite embora esteja aberta pro convivio. Isn`t it ironic? It`s like a free ride when u already take...


Lembro-me de uma conversa que ouvi na mesa ao lado: "voce tem que aprender a ser irocica! - pra que? - pra se proteger do mundo..."


Dia desses li uma materia sobre a cabala que diz que almas gemeas nao existem, melhor mesmo eh chamar de `parceiros da alma`, dizia ainda que as pessoas tem que merecer encontar esses soulmates. Sera que eu mereco? Sera que estou preparada? Pq merecendo ou nao, preparada ou nao, ja encontrei umas tantas soulmates por ai... o Pablo, a Xuxu, o Xuxu, a Beta, a Lu, a Kaka, a Nath, o Colaço, o Nando, atualmente o Felipe e ate o Sal (pasmem!). Acho que as pessoas seriam mais felizes se apenas vivessem e entendessem que nao existem pessoa certa pra vida inteira, existe a pessoa certa naquela hora, ou o momento certo com a pessoa que bate na trave, mas pq nao tentar? Hj penso que minha atual soulmate esta em Salvador, pq nao? pq haveria de ser meu vizinho? se nao fosse dificil nao tinha graca... mas eu ja falei que tinha problemas!!! Ironic!!! Definetely!!!


Surgiu a pergunta: "o que faz vc feliz?" (sim! eh a propaganda do pao de acucar!) e comecou-se desembestadamente a filosofar a respeito do `SE`!


Eu deveria saber, pelo menos se considerar o fato de que toda mulher eh experiente em testes, daqueles de revistas, jornais, sites... passamos a vida nos definindo por pontuacoes! Sou conservadora! Sou arrojada! Sou sexy!Sou isso e aquilo... bulshit! forget about it! it doesnt fucking matter!


Passei a vida inteira tendo a certeza de onde queria chegar, tracando planos e metas, definindo targets e deadlines... pra que? Sempre corri demais!!! Atras do onibus, do melhor emprego, do melhor salario, do namorado mais bonito, daquela bolsa da moda... pra que? alguem me diz qual eh a graca de ja saber o fim da estrada quando se parte rumo ao nada!!!


Lembramos juntos de um amigo, que quem sabe, pode ser um forte candidato a meu soulmate no futuro. Gustavo Godoy! Uma pessoa incomparavel e fenomenal, que sempre viveu no seu ritimo, sem se comparar a ninguem, sem achar que era mais ou menos, que estava na frente ou atras... e chegou as 28 com duas calcas jeans e meia duzia de Tshirts sem muita ambicao, ate que decidiu que era hora de ter mais responsabilidades e entrou pra faculdade de medicina, por sinal, uma das melhores dos EUA. E por que nao? Por que nao viver a vida no seu ritimo e que se explodam os outros? pq temos a obrigacao de ser jovens felizes e realizados? To com medo dos 30!!! Talvez o melhor mesmo seja nao se importar com a grama do jardim alheio, pq a grama do vizinho sempre vai parecer mais verde. acho mesmo que o bom seria voar! Ai que saudade do Gustavo! Por um momento me arrependo de ter jogado p cima... ahhhhhrrrrrr!!! mas acabo concluindo que nao era a hora.


Mudei minha vida inteira pro Sul. Deixei familia, amigo e amor pra tras na busca de realizacao profissional pq sempre foi isso que eu tracei como meta principal pra minha vida. E nao digo que me arrependo, de forma alguma, estou feliz aqui, embora ainda nao consiga lidar direito com a saudade. Conquistei o que me propus a conquistar e no tempo que eu estimei! Mas e dai?


O que me faz feliz? e se... e se... e se...


Essa semana recebi a noticia de que meu pai esta com cancer e sinceramente, em tempo algum, uma noticia me afetou tanto. Esse cancer nao estava nos meus planos! E como a vida ousava sair no caminho que eu tracei??? como????? impotente! foi exatamente assim que me senti! lagrimas pra que? lagrimas nao curam! senti um vazio imenso e comecei a me questionar sobre os efeitos das minhas decisoes. Comecei a me sentir Leblon quando na verdade queria ser Pernambuco.


Talvez eu nunca chegue a ser o que eu quero ser, mas nao eh tempo de chorar, eh tempo de se perguntar porque. Tive a sensacao de ser um canto quanto precisaria ser um mundo inteiro e a certeza de que nao sou a muralha que imaginava. Ate pouco tempo me definia em metrica e rima, e nunca dor. Mas a vida eh real e de vies e ve soh que cilada me armou, hoje penso que talvez esteja perdendo os ultimos anos de convivencia com meu pai. e pra que? pra me tornar uma executiva de sucesso? pra que? pra que? Acho que estou sendo rock`nroll quando deveria ser romance e quaresma quando deveria ser fevereiro.


E se? E se eu pudasse mudar o mundo? Escolheria primeiro encontrar a cura do cancer! Escolheria tambem tornar meu pai infinito e imortal. escolheria poder ve-lo todos os dias, almocar juntos, ganhar meu beijo de boa noite. Falo todo dia com ele, mesmo que por telefone e nao perco por motivo algum a chance de dizer que o amo... mas infelizmente isso nao tem sido suficiente pra mim. Gostaria de fazer parte do presente da minha familia estando realmente presente pq sei que a ausencia eh um vacuo que nao poderei apagar nem preencher no futuro. e que futuro? quanto tempo temos de futuro? nao me sinto preparada pra essa ausencia.


Me sinto realmente como uma bruta flor do querer, queria estar la e ca, queria poder ir as consultas, poder acompanhar o desenrrolar das coisas, fazer perguntas pros medicos, checar as credenciais, entender melhor as possibilidades... E tenho saudades. Saudades de ficar na sala vendo o futebol no domingo, de tomar aquela cerveja gelada no almoco ao lado da familia, do carinho que eu costumava receber diariamente, dos beijos e abracos, do convivio com meu irmao metralha, das brigas p usar o carro do pai, da cara lisa p dizer q ralei a lateral do carro inteira na coluna do predio pq cheguei meio bebada e a garagem diminuiu... sinto saudade de nao fazer nada com eles e tenho a sensacao de que esses momentos se tornam cada vez mais distantes e espacados e muito raros.


Gostaria de pensar como Chico quando diz: "nao se afobe nao que nada eh pra ja, o amor nao tem pressa ele pode esperar em silencio, num fundo de armario, milenios, milenios no ar..." mas nao pretendo terminar como o fim do refrao conjecturando que "futuros amantes quica se amarao sem saber com o amor que eu um dia deixei pra voce"... Nao quero deixar amor pra ninguem, quero vive-lo intensamente e de todas as formas. Mesmo que em ponte aerea, mesmo que dormindo em aeroportos, mesmo que dividindo meu amor em destinos diferentes, fortaleza, belem, salvador, recife... nao consigo mais esperar pra dizer amanha que amo alguem hoje...


Ontem mesmo liguei pro Xuxu bem tarde soh pra dizer que se nada der certo, faremos um casal de tres (eu, o xuxu e a xuxu) e teremos dois filhos, um branquinho que nem ela e outro neguinho que nem eu, eles surfarao juntos, serao melhores amigos, faremos viagens em familia, teremos um furgao e moraremos na praia. nao perto da areia pq a xuxu nao gosta nem de areia nem de sol. Rimos um monte e ate a febre dele baixou. Liguei tb pra xuxu soh p dizer q a amava e repetir a mesma historia (ja falei que tenho problemas psicologicos incuraveis! e quem disse que quero me curar? risos)


Continuamos com nossos 'e se..' e se eu tivesse mais tempo pra isso e aquilo? sera mesmo que faria diferente? Sera mesmo que me tornaria paixao ao inves de dinheiro? Sera mesmo que me tornaria lua quando deveria ser sol? Sei que estou virando descanso e deixando de ser apenas desejo e inquietacao. Comeco a me livrar do meu glaucoma pisicologico e da minha miopia cerebral e ver a vida mais cristalina, de um outro angulo, num outro ritimo. Comeco a apreciar coisas pequenas, que na verdade sao grandes e que outrora nao creditara o devido valor. O universo cabe mesmo numa casca de noz. As coisas podem sim ser dulcissimas!


Pagamos a conta! Na verdade ele pagou, pq to muito sem grana mesmo! Fiz nem cerimonia! Em outros tempos ate faria... - Pague ai, por favor! E aproveite e colabore com a minha caixinha de Natal!!! hehehehehe


Voltamos pro tabalho por aquela estrada curva e linda, apreciando todas as nuances do caminho, cheios de `SEs`, cada um com seus problemas. Ele subiu de escada e eu esperei o elevador... tinha comido demais pra acompanha-lo em tamanho esforco...


Moral da historia: "quem planta SE colhe quase"... =/

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Sujeito e predicado

Quando eu tinha 8 anos tudo o que queria era fazer logo 10: andar sozinha no elevador, sentar no banco da frente do carro, fazer meu proprio brigadeiro. Aos 13, bonecas de lado, sonhava em viajar pelo mundo e ter 18: dirigir seria o suprassumo da existencia, sem falar na perspectiva dos amores. Mas com 20, dirigindo, cozinhando, limpando e com muitas contas atreladas, espero os 30 pra nao ter a obrigacao de ser tao jovem e feliz.

Hoje, aos 26, quase 27, longe das angustias dos 18/ 20, ja sabendo um pouco quem sou, sonho me desocupar. Chegar aos 40 livre do que nao me serve mais. Ficar mais inteligente e menos seria, nao necessariamente nessa ordem. Saber dizer nao pra que o sim seja verdade.

Porque, as vezes, ainda me pego agindo como meus pais. "Voce eh brava como sua mae", dizia meu avo. Crescemos com estigmas que colam em nossa pele como se compusessem nosso DNA. Na hora de educar meus filhos, meu corpo certamente sera tomado por frases que sempre abominei na formacao que recebi. Acho que preciso respirar pra poder me ouvir, tantas sao as referencias que moram em mim.

Mas como a essa altura ja tenho uma historinha de respeito, comeco a perceber se o que herdei eh o que eu quero deixar. Tambem me pergunto se o mundo que me oferecem merece a minha cumplicidade. Porque nao me comovo com o que faz sucesso, nao acredito em culpa e nao escondo do meu namorado quando acho um rapaz bonitinho?

Nao sei se o que penso esta certo ou errado. Nem sei se vou pensar assim no ano que vem. Mas tenho tentado acreditar que, entre vestidos e batons, existe alguem que pode fazer tudo diferente. Outro dia li que um fisico russo passou dez anos resolvendo um problema de matematica. Por que nao?

Eh claro que nossa infancia vai nos acompanhar para sempre, e saber que alguem se orgulha de voce eh uma delicia. Mas pra mim foi importante me liberar de uma galera. Nao sou fina e diplomatica como meu pai gostaria, nem culta como meu irmao imaginou, muito menos a genia que minha mae previu. Mas jogo meu futebol e agradeco enternecida as investidas que recebi.

Preciso ser justa e dizer que nem tudo eh culpa dos meus pais (que, alias, serao vingados pelos meus filhos, que, se tudo der certo, me acusaram de coisas terriveis quando tiverem 18). Fui tambem influenciada por amigos, livros e ate novelas. Sem falar nos gurus: Raul Seixas que me ensinou a amar a floresta, Nelson Rodrigues que me mostrou a realidade crua de situacoes cotidianas, Rubem Braga que abriu meus olhos para as coisas pequenas que na verdade sao grandes, e Machado de Assis que apurou meu humor num grau que acho que ele exagerou.

Hoje em dia, vou atras do Arnaldo Antunes e Caetano Veloso como se fosse crianca. Quando ainda nao sei o que pensar sobre determinado assunto, vou na deles. Sem falar nas frases que anoto na agenda desde os 8.

Picasso dizia que eh preciso ter muito tempo para se tornar jovem. Eu, por exemplo, decidi que agora visitarei Macchu Pichu, dancarei mais nas festinhas, usarei aquela sombra laranja que comprei no ano passado. E desconfio que, a medida que for me ocupando, corro o risco de ficar cada vez mais parecida com minha familia. Com a proximidade que soh a distancia eh capaz de permitir.

No momento, soh posso dizer que gastarei mais tempo na ponte aerea Navegantes/ Salvador. Se vai durar? Nao sei. Quem sabe? Nao me conte! Prefiro descobrir... indo atras do Ile!



segunda-feira, 12 de julho de 2010

Amizade sincera


pro meu Xuxu...
Não é que fôssemos amigos de longa data. Conhecemo-nos apenas na época da faculdade. Desde esse momento estávamos juntos a qualquer hora, mesmo que apenas em pensamento. Há tanto tempo precisávamos de um amigo que nada havia que não confiássemos um ao outro. Um amigo que não haveria de nos julgar e nem tão pouco seria complacente com nossas faltas de virtudes. Chegamos a um ponto de amizade que não podíamos mais guardar um pensamento: um telefonava logo ao outro, marcando encontro imediato. Depois da conversa, sentíamo-nos tão contentes como se nos tivéssemos presenteado a nós mesmos. Esse estado de comunicação contínua chegou a tal exaltação que, no dia em que nada tínhamos a nos confiar, procurávamos com alguma aflição um assunto. Só que o assunto havia de ser grave, pois em qualquer um não caberia a veemência de uma sinceridade pela primeira vez experimentada.

Já nesse tempo apareceram os primeiros sinais de perturbação entre nós. Às vezes um telefonava, encontrávamo-nos, e nada tínhamos a nos dizer. Podia ser um cinema, um almoço, uma corrida na beira-mar, tomar um suco ou uma água de côco, ou apenas passar horas a fio lendo vários livros numa livraria qualquer e nos encontrando em tantos personagens. Éramos muito jovens e não sabíamos ficar calados. De início, quando começou a faltar assunto, tentamos comentar as pessoas. Mas bem sabíamos que já estávamos adulterando o núcleo da amizade. Tentar falar sobre nossos mútuos romances também estava fora de cogitação, ninguém queria falar de seus amores e aventuras nesse núcleo, poderia soar ultrajante, tal era o nosso ciúme mútuo. Experimentávamos ficar calados — mas tornávamo-nos inquietos logo depois de nos separarmos.

Minha solidão, na volta de tais encontros, era grande e árida. Cheguei a ler livros apenas para poder falar deles. Cheguei até a ler todos aqueles livros de auto-ajuda que me eram indicados por você, tão insuportáveis para a minha mente auto-suficiente quanto aquelas aulas de trigonometria. Mas uma amizade sincera queria a sinceridade mais pura. À procura desta, eu começava a me sentir vazio. Nossos encontros eram cada vez mais decepcionantes. Minha sincera pobreza revelava-se aos poucos. Também ele, eu sabia, chegara ao impasse de si mesmo.

Foi quando, tendo sido transferida a trabalho vim morar em Santa Catarina, e eles seguiram morando em Fortaleza e sendo assim, passamos longos dias sem nos ver. Que rebuliço de alma. Radiante, pensava em como seria quando viessem me visitar e fazia planos e mais planos. Arrumava nossos livros e discos, preparava um ambiente perfeito para a amizade. Depois de tudo pronto — eis-me dentro de casa, de braços abanando, muda, cheia apenas de amizade.

Começamos nos ligando sempre, falavamos muito mas todos os problemas já tinham sido tocados, todas as possibilidades estudadas. Tínhamos apenas essa coisa que havíamos procurado sedentos até então e enfim encontrado: uma amizade sincera. Com o tempo as chamadas diminuiram, mas em tempo algum deixei de senti-los presente. Como que por telepatia, meu telefone sempre tocou nos momentos em que mais precisava falar com alguém e sempre com aquela voz meiga e cheia de alegria e paz me dizendo: “Bom dia, Xuxu! Amooor... saudade de tu!” e por ai iamos horas a fio, sem perceber que o movimento da rua diminnuira ou que o sol se punha lentamente.
Mas como se nos revelava sintética a amizade. Como se quiséssemos espalhar em longo discurso um truísmo que uma palavra esgotaria. Nossa amizade era tão insolúvel como a soma de dois números: inútil querer desenvolver para mais de um momento a certeza de que dois e três são cinco.

Tentamos organizar algumas farra, mas não só a distância nos impediu como os raros momentos livres que tinha nas minhas idas e vindas a Fortaleza não eram suficientes o bastante e não adiantou.

Se ao menos pudéssemos prestar favores um ao outro. Mas nem havia oportunidade, nem acreditávamos em provas de uma amizade que delas não precisava. O mais que podíamos fazer era o que fazíamos: saber que éramos amigos. O que não bastava para encher os dias, sobretudo os longos meses de distância.

Data dessas viagens o começo da verdadeira aflição.

Desde um acidente de carro inesperado, a angústica de não ter alguém do lado pra conduzir-me a um hospital, a angústia ainda maoir de não poder e nem quer contar a ninguém para que não houvesse nenhum tipo de preocupação comigo. Afinal de contas eu escolhera a distância, a escolha do ostracismo fora totalmente minha e meu orgulho não me permitiria voltar atrás. Além disso, não seria justo clamar por ajuda sempre que houvesse um imprevisto. E foram dias assim, sem muito movimento para não terminar de quebrar as costelas, muita sonolência devido a remédios pra dor, casa acumulando sujeira e lágrimas de uma solidão profunda.

Mesmo assim, sem saber como e nem porque, meu celular tocou e ao fundo, aquela velha voz de sempre que tinha o dom de apaziguar todas as minhas inseguranças e angústias. Aquela e sempre aquela voz que me devolvia a paz, tamanho o otimismo cotidiano que mal nenhum deixava abater.

E foi assim por toda a minha recuperação. Foi apenas essa a voz que eu ouvi todos os dias, perguntando como eu estava, sondando e torcendo pela minha melhora, ligando na hora em que eu deveria tomar os remédios pra ter certeza de que eu não ia esquecer de fazê-lo. Me cobrando acompanhamento médico e se colocando a disposição para qualquer coisa. Embora não pudesse tê-lo ao meu lado, sua atenção me confortava. Esperei essa atenção de outras pessoas mais próximas que teoricamente deveriam estar ao meu lado. Devaneio! Amizades sinceras não vêm aos quilos.

É verdade que houve uma pausa no curso das coisas, uma trégua que nos deu mais esperanças do que em realidade caberia. Foi quando eu tive uma questão com a saúde do meu pai. Não é que fosse tão grave, mas nós a tornamos para melhor usá-la. Porque então já tínhamos caído na facilidade de prestar favores. Andou entusiasmado pelos consultórios médicos de conhecidos de família, arranjando consultas e exames para meu pai. E quando começou a fase de tentar adiantar as datas, correu por toda a cidade — posso dizer em consciência que não houve consulta que fosse marcada nem exame que fosse feito sem que fosse através de sua mão.

Nessa época falavamo-nos de noite, exaustos e animados: contávamos as façanhas do dia, planejávamos os ataques seguintes. Não aprofundávamos muito o que estava sucedendo, bastava que tudo isso tivesse o cunho da amizade. Pensei compreender por que os noivos se presenteiam, por que o marido faz questão de dar conforto à esposa, e esta prepara-lhe afanada o alimento, por que a mãe exagera nos cuidados ao filho.

Encerrada a questão com os médicos e clínicas — seja dito de passagem, com vitória nossa — continuamos um ao lado do outro, sem encontrar aquela palavra que cederia a alma. Cederia a alma? Mas afinal de contas quem queria ceder a alma? Ora essa.

Afinal o que queríamos? Nada. Estávamos fatigados, desiludidos.

Sabiamos que a vida seguiria seu curso e que mesmo assim, nos lembrariamos um do outro nos versos de Clarisse, nas poesias de Vinicius e nos mais estonteantes pôr-do-sol. Sabíamos que independente do quão distantes estivessemos, sempre teriamos um tempinho de sentar na areia, olhar pro mar e ouvir as ondas tendo a certeza de que nunca nos esqueceriamos.

A pretexto de viagens a trabalho, separamo-nos. Um aperto de mão comovido foi o nosso adeus naquele domingo. Sabíamos que não nos veríamos mais, senão por acaso e com pouca frequência. E sabíamos também que éramos amigos. Amigos sinceros. E que seria pra sempre assim: sem cobranças nem medições, apenas amigos sinceros.


quinta-feira, 6 de maio de 2010

Ahhh... o amor!!!

texto de Arnaldo Jabor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem noódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem amenor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você amaeste cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucurapor computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

O Chico e a Lua Cheia

Hoje é noite de lua cheia!!!

"Ninguém vai chegar do mar
Nem vai me levar daqui
Nem vai calar minha viola que desconsola,
Chora notas pra ninguém ouvir
Minha voz ficou na espreita, na espera,
Quisera abrir meu peito, cantar feliz
Preparei para você uma lua cheia
E você não veio, e você não quis
Meu violão ficou tão triste, pudera,
Quem dera abrir janelas, fazer serão
Mas você me navegou mares tão diversos
E eu fiquei sem versos, e eu fiquei em vão..."

Ai Chico... (suspiros)

(Chico Buarque)

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Monotonia...


Já faz tempo e a tua ausência agora é como um sonho que a gente não lembra direito quando acorda.
Cada dia é uma nova descoberta e sinto falta de compartilhar os sentires.
Muita coisa nova, a vida em movimento, a arte acontecendo...
As vezes me sinto como que em câmera lenta e tudo em 'fast foward' girando ao meu redor como num filme em dois tempos.
E imagino que você se sente assim também,o tempo é coisa estranha...
Acho que o meu tempo é outro!
Hoje a minha loucura tá encaixotada, adormecida.
E eu não te vejo mais nos meus pensamentos, mas tem horas em que tua voz ainda ecoa na minha cabeça.
Está tudo bem, eu sigo caminhando e sorrindo, meus pincéis e minhas tintas sempre ali, fiéis.
Olho além do horizonte e tanta coisa se apresenta.De repente quero você aqui, e minhas lembranças me abraçam, como se estivessem se despedindo e me mostrando a estrada a frente, limpa, clara e cheia de possibilidades.
Com tudo e por tudo é preciso continuar.
Eu agradeço e te desejo amor.
"texto de Isadolratn Kolpstatn extraido do blog bioluminescencias"
(talvez eu nao conseguisse retratar tao bem o que sinto hoje caso tivesse escrito a proprio punho... suspiros)

terça-feira, 13 de abril de 2010

DESCONSTRUINDO...



Sabe aquela sensacao de ver um quebra cabecas todo montado ser desfeito, ver as pecas caindo aos poucos e a imagem que estava formada ali se desfazendo, se perdendo, ate que nao reste mais nada alem de pecas jogadas e embaralhadas nem nenhum sentido...


Posso dar outro exemplo, sabe quando voce esta dentro do carro, num dia de chuva, o vidro bem embassado e voce ve uma pessoa do lado de fora e vai se distanciando... aquela imagem daquela pessoa vai se desfalecendo e ficando cada vez menos nitida ate que voce nao consegue ver mais ninguem...


Pois entao, jah lhe ocorreu que algumas pessoas surgem em nossas vidas e por diversas razoes a presenca delas, ou talvez a forma como as vemos, vai se alterando, se alterando e no final das contas vivemos essa mesma sensacao, como se aquela pessoa simplesmente deixasse de existir, como se fossemos capazes de olhar aquela pessoa que em algum momento teve algum ou um grande significado e de repente olhar essa mesma pessoa e simplesmente deixa de fazer sentido... Eh como se a pessoa morresse sem ter morrido. Como se voce olhasse e pensasse: gente, eu nao conheco, nao sei quem eh... essa nao eh a pessoa que eu conheci!


O mais dificil eh parar pra analisar a questao e pensar que aquele alguem que pensavamos que existia talvez fosse, desde sempre, uma criacao da nossa mente, influenciada pelo sentimento. Que na verdade nos nos enganamos literalmente, querendo ver algo que nao havia e depois, querendo justificar aquilo, como se a outra pessoa tivesse enlouquecido, nascido de novo ou mudado de personalidade. E na maioria das vezes somos nos que cometemos o erro, somos nos que vemos demais ou escolhemos ver de menos e depois percebemos que nao podemos arcar com as consequencias dessa crenca, tao criadas pelas nossas mentes sem recorrer no momento correto ao logico e visivel jah que as pessoas nos mostram desde sempre o que sao, e somos nos que insistimos em nao enxergar e ficamos fantasiando.


Viver esse tipo de experiencia eh triste poque acabamos generalizamdo uma conclusao que nem sempre vale para todos. Sem perceber, ficamos decrente dos elogios, dos carinhos e dos planos ao mesmo tempo que nos sentimos trouxas com o pensamento de que: sera que sempre foi assim e soh agora eu percebi... Eh complicado analisar as pessoas que nos rodeiam, aos poucos vou entendendo a sutileza dos atos e comportamentos e vou me resguardando um pouco mais e sem julgar ninguem.


Algumas pessoas ja passaram pela minha historia e deixaram essa sensacao. Lembrar das conversas, reler cartas e emails, repassar as memorias nao faz mais sentido algum... se foi! O que eh muito triste jah que considero boas lembrancas como momentos de felicidade que podemos repetir no futuro. Para algumas poucas a decisao de '' remove-las'' da minha vida foi uma escolha meio espontanea, simplesmente deixou de fazer sentido, aquela imagem de esvaneceu, como um quebra-cabecas desmontado ou aquela imagem do carro num dia de chuva. E dai a pouco era olhar e pensar: nunca vi essa pessoa antes, pelo menos nao desse jeito, nao com esse pensamento, nao com essa clareza, com esse sentimento... e assim se foi! e nem as lembrancas valem mais a pena...
Isso se repete com lugares, cheiros, aromas, com tudo, e esta acontecendo comigo agora!
A Fortaleza eu soh tenho que agradecer pelos bons momentos, pelos bons amigos, pelos varios sorrisos, tardes de sol e de chuva, pelas lagrimas saudosas e por todos os amores que eu tive aqui. Foi muito bom, mas se desconstruiu! A saudade virou uma lembranca distante, a vontade de voltar cada vez mais escassa e a vontade de ficar tambem se foi. Se foi com algumas lembrancas que eu criei e que nao fazem mais sentido. Fica apenas a saudade da minha familia, que tenho esperancas de levar pra perto de mim um dia, de algumas poucas amigas e amigos que me surpreenderam quando eu menos esperava. Pra Xuxu, Kaka, Nath, Carlinha, Big, Lula, JJ e Rodrigo que ainda ficam por aqui, deixo meu imenso desejo de que me visitem sempre e tanto! Para os demais que jah ganharam o mundo, espero que todos tenham aberto suas asas num voo deslumbrante e desjo encontra-los por ai!


Como nao temos como saber quem vamos encontrar pelo caminho, que tipo de pessoas vao aparecer, soh da pra viver as historias e apostar na sorte, e com o tempo, aprender a agir com mais cautela. Com experiencia, recontar nossa historia sabendo que eh possivel acreditar no outro e que tambem eh permitido nao acreditar 100% e dessa forma correr menos riscos, porque a pessoa que estava agora pouco do seu lado pode ter virado um desconhecido, e que ate pra isso, precisamos estar preparados...
Espero que a nova vida me traga felicidades porque estou de bracos abertos para recebe-la! As novas amigas e amigos, que venham as novas surpresas e historias e que me seja permitido nao descontrui-las...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

gestalt

Pensamento do dia:

"Liberdade na vida é ter um amor pra se prender".
(supiros, corações, corações, corações...)
Fabricio Carpinejar

humpf... acho que estou romântica-saudosa-temperamental-onomatopéica...
pgóóóó. beep. pgóóóóóóóóóóó
pra quem não sabe isso é galenhes e significa: eu te amo!
Maricota entenderia...
certamente entenderia todas as minhas onomatopéias, as minhas, as das galinhas, dos sapos e de tudo...
estou reticente-suspirante. talvez não esteja/ seja mais tão exclamativa.
(essa foi uma definição do Rodrigo!!! eu: o q eu sou? rod: muitas esclamações juntas na mesma linha... todas as exclamações do mundo numa linha só!!! )

sai exclamações, entra reticencias e eteceteras... isso é bom?
hum... =/ sei que é diferente! bem diferente!
é bem legal estar em um lugar diferente, conhecer gente nova...
mas sempre bate a saudade de quem ficou longe...
ai eu ligo no meio da noite e me declaro:
PGÓÓÓÓÓÓÓ. BEEP. PGÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓ...

siiim, mando msg, telefono e ainda tenho crises de choro quando não me atendem...
ok! crises de choro são demais, mas sempre rola uma angustiazinha...
Será que as pessoas estão me esquecendo?
Da vontade de jogar na loteria, ganhar na mega-sena e gastar tudo em passagens da azul...
Fortaleza x Navegantes e vice-versa, etecetera e tal...

Acho que preciso mesmo é de um sanduiche de 'prisunto' e zas e zas...
Ainda bem que o carnaval ta chegando e a saudade... (suspiros de-novo-novamente-outra-vez)
"Saudade, por favor vá embora, minha alma implora..."

e eu me despeço onomatopeiando...
PGÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓ. BEEP. PGÓÓÓÓOÓÓÓÓÓ!
... fui comer meu sanduiche de 'prisunto'...
até domingo!!!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Maybe



Alguns dias se passaram desde o ultimo post, na verdade foram varios, acho ate que foram mais do que deveriam...





Tudo mudou! Aquele texto jah esta invalido, ou pelo menos parte dele. Nao o sentimento, eh claro, mas o peso do texto tomou leveza... sinto-me realmente mais leve, quase flutuando...





Fui pra Jeri novamente! Dessa vez fui de coracao aberto, sem esperar muita coisa e sem grandes expectativas. Na verdade estava fugindo de muitos de meus problemas e como toda adaptacao, o primeiro dia raiou ainda com o ranso de Fortaleza, procurando explicacoes pro que nao tinha, cultivando sentimentos de outrora e ainda com o coracao apertado, sofrendo com a falta, com a ausencia e com o vazio...





Passada essa adaptacao, comecei a ver Jeri de outro jeito, de outra forma... observei o ritimo dos nativos e sua malemolencia, senti os cantos e o tom, senti aquela paz que soh quem conhece Jeri sabe do que eu to falando. Vi o por-do-sol de varios angulos... de cima do morro, de baixo do morro, dentro da agua, deitada na areia... e me emocionei de formas diferentes cada vez q eu vi o mar engolir o sol e a lua cheia despontar no horizonte. Por um segundo, quase consegui tocar na magia suspensa nos ares de Jeri, aquela vibracao positiva, aquele mar perfeito, aquela visao lah longe das velas do wind, das pipas do kite, aquele house tocando no bar da praia...





Acho que o mais importante da vida eh a mudanca, eh poder ver as mesmas coisas jah vistas de um jeito diferente. Nao precisa ser melhor nem pior, basta que seja diferente. Eh sempre muito bom conhecer novas pessoas, novos sabores, novos cheiros... isso tudo sempre desperta novos sentimentos.





Me sinto apaixonada! Apaixonada por Jeri, pela experiencia que aquele pedaco-de-paraiso me proporcionou, pelo momento que eu desfrutei com as melhores companhias que eu poderia ter, pelas pessoas que eu conheci e jah se foram, pelas pessoas que vao ficar, pelos sentimentos que vao e pelos que ficam, pelas despedidas, pelos olhares magicos, pela delicadeza-de-lord, pela leveza daquele beija-flor, pela vontade de ficar abracada, pela ansia de seguir sorrindo e pela necessidade de saber e sentir que existem sempre muitas portas e muitos caminhos. Muitos deles sao curtos e outros nao, muitos deles eu nunca seguirei (o que eh uma pena!), muitos deles me farao sentir perdida (mas isso acontece!) mas sempre pensando que algum deles deve servir pra mim... por que o que eu quero mesmo eh ser livre, apenas livre pra mudar. E que essa mudanca me seja sempre permitida! Que eu desaprenda o significado de limite para que eu possa viver bem mais do que me eh permitido!





Jeri, de fato, me fez muito bem! Me proporcionou um raro momento de relexao, onde pude colocar meus pensamentos em ordem pra tentar enxergar as coisas de maneira mais clara e mais leve.





Jeri me fez entender que vale a pena mudar, mas que eh melhor comecar de vagar, porque a direcao eh mais importante que o caminho! Experimentei, troquei, mudei de novo. Como diria Clarisse (a Lispector!): Vi que o importante eh a mudanca, o movimento, o dinamismo, a energia...





Sentei do outro lado da mesa, troquei de cadeira e depois troquei de mesa. Abri a porta com a mao esquerda, andei pelo outro lado da rua, calmamente, descalca... observei coisas novas, novos sons, novas sensacoes. Passeei impunemente pela praia, ouvi o barulho das condas e sua sinuosa leveza, vi o mundo de outra perspectiva e aproveitei pra dormir do outro lado da cama. Durmi mais tarde, acordei mais cedo, comi comidinhas diferentes...

"Maybe I will never be

All the things that I want to be

But now is not the time to cry

Now's the time to find out why"

Tentei e descobri o novo! O novo lado, o novo metodo, o novo sabor... e descobri que o habido nao necessariamente tem que ser um estilo de vida. Acho ate que consegui me desprender dos meus velhos sapatos... descobri que andar descalca eh muito melhor! Entendi que se eu nao conseguir enxergar razoes para ser livre, devo inventa-las!





Afinal de contas, if only time could slow down maybe i could come up!





Talvez o importante nao seja saber como a grama do jardim cresce... porque eu apenas quero voar! Talvez eu soh queira voar, viver e nao morrer jamais. Talvez eu soh queira respirar e sentir que eh sempre bom ter amigos do lado!





Hoje, uma semana depois de Jeri, estava dirigindo e tocou uma musica que eu adoro e que ha tempos nao ouvia... acho q essa musica descreve o que eu vinha sentindo. Cada vez mais estou excluindo o "talvez" impensado da minha vida. Jeri valeu pela retrospectiva! Valeu muito! Valeu demais! E continua valendo.





Jeri me resgatou e me salvou de mim mesma, da minha pressa e da minha intensidade em demasia. Me trouxe um pouco de paz, de calma, de paciencia, e me fez descobrir que eh sempre bom saber o que se quer e o que se procura porque a ideia do talvez as vezes atrapalha...





E pra terminar (caso contrario sigo escrevendo mais outras tantas paginas...) segue a musica que embalou meu dia e acalentou meu bom humor!





Valeu Jeri (de todas as cores e sabores)! Tchau e ate a proxima, quem sabe...





E viva o novo!!! CARPE DIEM!!!



Give Me One Reason
Tracy Chapman


Give me one reason to stay here and I'll turn right back around


Give me one reason to stay here and I'll turn right back around


Because I don' want to leave you lonely


But you got to make me change my mind



Baby I got your number and I know that you got mine


But you know that I called you


I called too many times


You can call me baby


You can call me anytime


But you got to call me...



I don't want no one to squeeze me, They might take away my life


I don't want no one to squeeze me, They might take away my life


I just want someone to hold me and rock me through the night...



This youthful heart can love you and give you what you need


This youthful heart can love you and give you what you need


But I'm too old to go chasing you around wasting my precious energy!!!



Give me one reason to stay here and I'll turn right back around


Give me one reason to stay here and I'll turn right back around


Because I don't want to leave you lonelyBut you got to make me change my mind
Baby just give me one reason


Give me just one reason why


Baby just give me one reason


Give me just one reason why I should stay


Because I told you that I loved you and there ain't no more to say...